31 de julho de 2008

Saudade de casa

Essa cidade me faz mal. Não é que eu odeie Brasília, mas definitivamente não gosto. Cheguei na segunda e desde terça, tenho crises de rinite. Meu nariz stá vermelho e assado. Dolorido.

Para completar, o evento que vim assistir - 2º Congresso Ibero-americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva - está fraquinho. Dos quatro dias, só foi realmente aproveitável a manhã de segunda e a de hoje. Alguma coisa da tarde de hoje também.

Pelo menos tem a noite, para fazer uma coisa diferente. Ontem, fomos - estou acompanhado de Carol, que trabalha comigo - ao Park Shopping e demos uma chegadinha na FNAC. Comprei um quadrinho do Alan Moore, Top Ten Contra o Crime. Não é Watchmen, mas já serve pra passar o tempo. Fiquei doido para comprar Do Inferno, do mesmo autor, mas ia ficar muito caro. São quatro volumes.

Na segunda também pude aproveitar um pouco. Assisti Kung Fu Panda. Vale a pena. O desenho é divertido e depois de ir para a China ficou interessante ver como os filmes tratam a cultura de lá. Sábado, quando fnalmente estiver de volta em casa, vou com a Lu ver a segunda sequência de A Múmia. Se passa na China.

28 de julho de 2008

37

Hoje, 28, faço 37 anos de idade. Três para quarenta. Não é nenhum milestone nem nada, mas tá um níver meio estranho. Acho que é por que estou passando longe da Lu e completamente sem tempo para os amigos e família.

Estou em Brasília e devo ficar por aqui até sexta-feira. Até lá, estarei postando a minha participação no GeCIC, um evento de gestão do conhecimento e IC, no blog Knowtec no GeCIC.

14 de julho de 2008

Velocidade

No final de semana consegui que a Brasil Telecom mudasse a velocidade do meu ADSL de 800 Kbps para 2 Mbps, mantendo o mesmo preço - na real, até um pouco mais barato.

Os caras tinham feito essa oferta antes de eu viajar, mas não dava, na correria que a Lu e eu estávamos, para atender um técnico aqui. POis no sábado o técnico ligou dizendo que estava trocando a porta do ADSL na central para aumentar a velocidade.

Na mesma hora minha conexão parou de funcionar e não voltou mais. Fucei a manhã inteira, depois de pedir uma visita técnica da BrT. Mas lá pelo meio-dia consegui configurar o modem e a conexão para os novos parâmetros. Mas não senti muita mudança na velocidade. Só nos downloads mais longos, mesmo. Naquelas coisas do dia-a-dia, ficou igual. Mas va lá, economizo R$ 5,00 por mês.

[Ouvindo: Since I've Been Loving You - Led Zeppelin - Led Zeppelin III]

Tirando o pó

Cof, cof, cof... Como esse lugar tá empoeirado! Também, tinha meia tonelada de trabalho, um mês - 34 dias para ser exato - de tarefas acumuladas. Claro que o povo da empresa tocou bem sem mim. Deram um banho. Às vezes eu até acho que mais atrapalho que ajudo.

Mas, agora de volta ao Brasil e já num ritmo mais normal, dá pra postar de novo. Devagarinho vou contando o que vi, o que fiz e o que presenciei os outros fazerem.

Quem foi à China sabe: o outro lado do mundo é outro universo. O trânsito, os costumes, as pessoas na rua, os mercados. Tudo, absolutamente tudo diferente. Até o McDonald's. Até a Coca-Cola, sempre servida quente, sem gelo. Blergh!

[Ouvindo: Celebration Day - Led Zeppelin - Led Zeppelin III]

15 de junho de 2008

Troglodita

O Nano fez aniversário dia 11 deste mês e resolveu comemorar hoje conosco e um grupo de amigos. Está de enlouquecer. Há dez pessoas na mesa e a única língua em comum é o alemão. Em comum entre eles. Lu e eu conversamos com um ou outro em português - há mais dois brasileiros -, em espanhol - há uma espanhola - e em inglês. Um sarro.


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11 de junho de 2008

Até aqui!

O chinês é uma língua para lá de complicada. Comunicar-se com um chinês é tarefa bem dfícil para quem não fala a língua. Para terem uma idéia, até o jeito de contar os números nos dedos é diferente do nosso. Eles usam uma mão só, inclusive para os números maiores de seis.

No trem, indo de Luoyang para Xi'An, tentei comprar uma água, mas não consegui. Até usei a palavra chinesa para água, shui, mas não deu. O cara me indicou a caldeira que tem em cada vagão, com água fervendo para eles fazerem chá e noodles. Não houve jeito de eu explicar que eu queria água gelada. Até porque eles não usam isso. O humor do chinês do trem era do tipo "não me enche, gringo chato, e vai pra tua cabine". Não fez o menor esforço para me entender. Fomos dormir com sede. Paciência.

Pois ontem, aqui em Praga, na frente do hostel/pensão em que estamos, vi uns pêssegos lindos numa barraquinha da estação de metrô e resolvi comprar. Peguei meia dúzia de pêssegos e mais uns dez morangos. Coloquei nos saquinhos como o resto do povo estava fazendo e fui pra fila pagar.

Não é que atendente e provavelmente dona da barraquinha era oriental! Na hora em que a mulher pegou minhas coisas, começou a falar em tcheco, acho que reclamando de algo que eu fiz. Aí apontou para os pêssegos, para os morangos e o colocou os dois com força na frente da balança. Pelo que entendi, tinha feito algo fora do padrão local. Talvez tenha um mínimo para venda, não sei. Tentei me comunicar com ela, abri a carteira, tentei dar dinheiro, pensando que talvez ela estivesse dizendo o preço em tcheco. Nada. Ela, brava, tirou os pêssegos e morangos da minha frente e me mandou embora. Sonhei com frutas essa noite.

3 de junho de 2008

Bye bye, Beijing

Ontem demos adeus a Beijing, ao Tonho e a Sonia (sorry, mas os acentos deste computador nao funcionam) depois de nove dias passeando pela cidade. Foi otimo! Visitamos tudo o que havia de mais relevante e fizemos compras adoidado. Do nosso roteiro, so nao deu para visitar o parque Beihai e o zoologico para ver os pandas. O dia em que nos programamos pra fazer isso, primeiro de junho, era dia das criancas na China. Ai nao tem condicoes.
Ontem os dois - ja estamos com saudade deles - nos levaram ate a estacao de trem para embarcarmos para Luoyang. Estamos viajando com muita bagagem e as estacoes tem um monte de escadas. Por ai ja da pra ter uma nocao da trabalheira que passamos. Tem uma sacola que esta cheia de presentes, pesada pra caramba. Dureza, mas conseguimos.
Depois de oito horas de viagem, contando com a ajuda de um chines prestativo e muito curioso - boa parte deles e assim - que viajava na mesma cabine que nos, chegamos a Luoyang. A guia estava nos esperando na plataforma, mas nao deu nem uma forcinha com a bagagem. O resultado foi uma mala maluca nas maos da Luciana e umas marcas roxas nas pernas dela. A cena da Lu descendo as escadas com a mala de rodinhas e coisa para filme de comedia, do tipo As Ferias de Mr. Bean.
O hotel aqui em Luoyang e coisa de primeira. Estamos tirando a maior onda de gringo rico, em hotel cinco estrelas e Breitling falso no pulso. A cama e enorme e o quarto super bem equipado. Tem ate HBO! Legendada em chines, mas tem. A vista do quarto e para um dos parques da cidade, que e bem grande e populosa - ate mesmo para os padroes da China. Sao 6 milhoes de habitantes na zona urbana. Nove milhoes se contar a zona rural.
Viemos para Luoyang especificamente para visitar as Grutas Longmen, um conjunto de cavernas esculpidas na rocha com milhares de imagens budistas. Estivemos la pela manha. Muito legal, mas fico devendo as fotos porque este computador do hotel nao tem drive e nao ha como eu colocar fotos no post.
A outra razao de vir para ca foi o Templo Shaolin, que originou o Kung-Fu que conhecemos no Ocidente. Dizem que e muito legal. Vamos visita-lo amanha, junto com o Templo do Cavalo Branco.
Na madrugada, saimos de trem para Xi'An para ver os guerreiros de terracota. Esse certamente sera um dos pontos altos do nosso passeio pela China. Depois de la, vamos para Hong Kong. Ai bate a febre das compras, eu meto o pe na jaca e compro um notebook novo. So entao e que ficara mais facil de postar fotos e manter um ritmo de postagem mais intenso. O que e um saco, porque eu preparei meu telefone para postar direto, mas a internet na China tem muitas coisas bloqueadas e mesmo para usar o Blogspot, tenho que fazer uma baita manobra. Mas Hong Kong e outro mundo e la vamos ver se consigo mandar noticias com maior frequencia.

28 de maio de 2008

No gouda

Não, este post não é sobre queijos. É que anteontem nós estivemos no Silk Market, em Beijing. Experiência fascinante. Eu estava precisando comprar um par de tênis porque só trouxe sapatênis para cá. Sônia e Tonho nos levaram, pacientemente, até esse centro comercial famoso na cidade. É um lugar para comprar coisas piratex xingling. Eu fui com tudo num, supostamente, Nike Shox branco com vermelho.
Quando a gente entra, as meninas das lojas já começam agarrando pelo preço: "Shoes, sir, very good price for you". Isso dito no maior sotaque chinesão. Algumas ainda complementam: "Come take a looka". Assim, com a no final. Também é comum que elas nos chamem de "my frienda"e digam que o preço é "very cheapa".
Comprei o tal Nike e a Lu um Puma por 185 yuans. Dá mais ou menos 45 reais. Baratinho, não? Mas tem que ter paciência e encarar a compra com humor. As meninas começam pedindo 400, 500 yuans. Depois de negociar, o tênis sai por 120. Uma doidêra, porque no processo de negociação, elas brigam com você, batem nas suas costas com o sapato, dizem que você é "no gouda", mas vendem. Eu comecei querendo pagar 80 no tênis e ela pedindo 400. Chegamos a 120.
Com um tênis confortável, estava preparado para os passeios mais "pesados". Ontem, fomos no Templo do Céu, um parque lindo feito pelos imperadores chineses para reverenciar o céu pedindo uma boa colheita. Caminhamos para caramba, andando por tudo quanto é lugar, pelos templos, pelos altares, num muro feito para reverberar os tambores e vozes da cerimônia de sacrifício de animais. E tiramos fotos, muitas fotos. Pena que não dá para publicar porque a internet aqui na China é cheia de restrições. Fico devendo.
Mas o que não fica devendo nada foi o restaurante que estivemos ontem. Com garotas de roupas típicas, lanternas chinesas, comida muito legal. Pasmem: a Lu comeu salada de flores. E com palitinho! Gostou mais ou menos. O que ela curtiu mesmo foi um arrozinho frito tipicamente chinês, mas que leva bacon e ovo. Aí até eu, né!
Na segunda, o esquema foi outro: ficamos andando de metrô para visitar atrações mais próximas do centro da cidade. Começamos pelo Templo do Lama, um baita parque, muito legal, bem no meio da cidade. Altares, arquitetura tradicional e muitas fotos. Como sobrou um tempinho, partimos para a Cidade Proibida. Cara, é gigante! Os espaços são muito amplos e a arquitetura de tirar o fôlego. Estava cheia de gente, claro. Na entrada, que tem como destaque uma foto gigante do camarada Mao, centenas de chineses tirando foto. Não tem muitas relíquias para ver na Cidade Proibida, mas a visita é imperdível. Só saber que boa parte da história da China aconteceu ali, já dá uma sensação diferente. Não tem como não lembrar do garotinho correndo no filme do Bernardo Bertolucci na hora em que a gente entra na praça principal, em frente ao primeiro prédio.
Mas, na minha opinião, o passeio mais bonito que fizemos até agora foi a visita de hoje ao Palácio de Verão. Emboa tenha sido construído na dinastia Qing, ele foi refeito no século 19 por ordem da imperatriz Cixi, regente poderosíssima da China e doida de carteirinha. Lá você tem uma noção do delírio da mulher: um barco de mármore, um lago artificial, uma colina de rochas montada por escravos e um conjunto de suntuosas construções, inclusive um palco artístico de quatro andares. Inúteis, já que só é possível enxergar o primeiro andar. Ainda assim, é um barato. Alugamos um barquinho elétrico por 60 yuans e navegamos livremente por uma hora no lago. Deu pra curtir muito o palácio.
Amanhã, quinta-feira, é dia de visitar a Grande Muralha e, se der tempo, fazer mais umas comprinhas. Isso é "no gouda" para o meu orçamento.

26 de maio de 2008

Amsterdam é o canal!

Infame essa, hein? Mas não pude me conter, até porque é verdade. Passamos poucas horas numa das capitais da Holanda (a outra, política e sede do governo, é Haia) porque o aeroporto local, Schipol, é o hub da KLM, empresa que nos trouxe à China. Nos atrapalhamos um pouco para comprar tickets do trem que vai de Schipol até o centro, mas conseguimos passear por lá.
Almoçamos, tomamos café à beira de um canal, entramos numas lojinhas, vimos os principais pontos turísticos do centro e voltamos para o aeroporto. Ficou a sensação de que vale uma visita com mais calma. Quem sabe na próxima viagem em que a KLM tenha a passagem mais em conta.

Uma cidade em obras

A coisa que mais me chamou atenção em Beijing foi a poluição. Logo que o avião pousou, achei que fosse neblina, mas depois de recolhermos as malas - a minha com as rodas tortas graças à delicadeza dos carregadores do Hercílio Luz, Schipol ou Beijing - o Tonho e a Sônia nos explicaram que a névoa cinza que cobre toda a cidade é pura poluição. Nos disseram também que o governo está tentando mudar isso, mas é complicado. A energia da China vem quase toda de termelétricas, a maioria a carvão. Ou seja, é poluição pra caramba.
Ainda ontem, quando chegamos, passeamos um pouco numa rua de arte e artesanato no centro da cidade. Foi legal, mas gostei mesmo quando, no final dessa rua para turistas, nos embrenhamos num hutong. O mais próximo disso que temos no Brasil é favela. Mas não é bem isso. São casinhas pequenas, grudadas umas nas outras, com uma cozinha e um banheiro comunitário. Tem uns pequenos comércios, açougue, mercearia, conserto de bicicletas, tudo na comunidade. E vielas, muitas vielas estreitas, onde só passam pedestres, bicicletas e motonetas. O mais interessante é que esse traço da China antiga está a 500 metro de um movimentada avenida, cheia de Starbucks, KFC e shopping centers.
Essa dualidade está em tudo. Tem gente jovem com cabelo pintado, garotas com microssaias, engraçadinhas, caminhando pela cidade, e velhinhos com uniformes da época da revolução cultural. Tudo junto. E funcionando! É impressionante, mas a China funciona. Pode ser meio aos trancos e barrancos, mas funciona. O trânsito é caótico, com os carros disputando espaço entre si, com os pedestres e com as bicicletas. O metrô é uma massa de gente, todo mundo embarca e desembarca sem fazer fila, num empurra-empurra. Mas embarcam e desembarcam.
Hoje nós visitamos o Templo do Lama, muito interessante e bonito. Grandes estátuas de budas, entidades diversas, muita simbologia do budismo tibetano. Uma pena que o Nano não estivesse conosco. Uma pena também que não pude tirar fotos de alguns lugares. Era proibido em muitos locais do templo - que na verdade é um complexo com um monte de templos. Os monges estavam de olho e de vez em quando, ao me ver de câmera na mão diziam: "No photo".
Depois fomos na Cidade Proibida. Como aquilo é grande! Quer dizer, eu sabia que era grande, mas ainda assim, impressiona muito. É algo gigante mesmo. Pode se passar um dia ali, mas nós visitamos numa tarde. Há muitas casas fechadas e tantas outras vazias. O que vale é pela beleza arquitetônica e pela amplitude dos espaços.
E também pela história, claro. Mas isso você tem que descobrir sozinho ou contratar um guia, porque as instruções e orientações em inglês são poucas e incompletas. A Sônia, cunhada da Lu que está tendo a paciência de ser nossa guia aqui, disse que os audioguides são muito ruins e não dizem quase nada a respeito da história e da importância da cidade proibida para a China. Ainda assim, é linda, maravilhosa mesmo. Os telhados são muito legais e a Lu se encantou da fila de animais entalhados que há nos beirais. Quanto mais bichinhos, mais importante o dono da casa. Obviamente na Cidade Proibida, morada do imperador, tem bichinho no telhado que não se acaba mais.

13 de maio de 2008

Dia mais que longo

Hoje acordei cedo, muito cedo. Pulei às 4h30min para viajar para o Rio à trabalho, no vôo das 6h10min. Mas o pior é a volta, saindo do Galeão às 22h05min, passando por Curitiba e chegando em Floripa - previsto, claro - às 0h50min. Não vejo a hora de chegar o dia 22.


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11 de maio de 2008

Feliz dia das mães

Hoje foi a última vez que vi os meus velhos aqui no Brasil. A próxima vez que nos encontrarmos será em Viena. Vou ficar com saudades dos dois, mas pelo menos consegui dar um bom abraço de dia das mães na Berna.


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E as imagens, como ficam?

Primeiro post que eu faço do HTC Touch usando uma imagem para ilustrar. Vamos ver como vai ficar.


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7 de maio de 2008

O rolo

Prometi contar do rolo. Bem, a Lu e eu estamos planejando uma viagem para a China desde o ano passado, juntando grana, preparando tudo direitinho para não haver problemas. Mas algumas coisas nós não podemos controlar. As férias da Lu eram uma dessas coisas.

A princípio, viajaríamos no dia 27 de junho, mas pintou um evento para ela assessorar na primeira semana de julho. Ferrou com nossos planos. Acontece que as passagens já estavam compradas.

A agência de viagem nos desenganou dizendo que seria difícil trocar. Felizmente a KLM, emissora dos bilhetes, fez a troca com a gente pagando a diferença. Agora é correr para ajeitar tudo, já que a viagem está marcada para o dia 23 de maio. Tá em cima da hora!

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2 de maio de 2008

Acho que deu certo

Estou feliz. Estamos em Guarulhos e conseguimos trocar nossa passagem para à China. Conto sobre o rolo todo em outro post.

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Going mobile

Estou postando do meu fone novo,um HTC Touch. Uso a rede do café Suplicy, em SP. Gostei disso.

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27 de abril de 2008

Odeio esse leão

Acabei de fazer a declaração do IR e pagar o imposto pela internet. Coisa irritante, você ver o quanto foi recolhido pelo governo ao longo do ano. O IR é mais nocivo para o próprio governo que os demais impostos. Dá a chance para o cidadão sentir o peso do estado nas costas, de uma vez só. Uns trocados no almoço, mais um pouco no supermercado, na bomba de combustível. Esses passam batidos, mas quando é de uma vez só, a gente fica muito puto.

26 de abril de 2008

A primeira a gente não esquece

Apesar de velejar desde 2003, só fui participar de minha primeira regata hoje. Mas, quem diria: fui o primeiro a chegar de volta na marina! Com motor, claro. O dia foi lindo, mas infelizmente sem vento. Tínhamos, os tripulantes do Gostosa e dos demais 22 barcos participantes, três horas e meia para completar o percurso. Ninguém conseguiu.

Alguns, seis se não me engano, até esperaram até o último momento para ligar os motores e voltar. Eu e Rafael, meu valoros proeiro, não tivemos tanta paciência. Após fazer papel de rolha no meio da Baía Norte por uma hora e meia, lançamos ferro, demos um mergulho e ligamos o motor para voltar à marina Santo Antônio e a um delicioso carreteiro, chope à vontade (para o Rafa) e coca-cola de graça (para mim).

Esse foi o 2º Passeio das Cracas que a marina Santo Antônio, onde deixo meu barco, promove. No ano passado, quem ganhou foi um colega de lá, Carlos, com um Day Sailer muito parecido com o Gostosa. Um pouco mais novo, mas tão competitivo quanto o meu barco. Por causa desse histórico, Rafa e eu estávamos empolgados para disputar. Mas o vento não ajudou.

[Ouvindo: Think For Yourself - The Beatles - Rubber Soul]

19 de abril de 2008

Best episode ever

Quem gosta de South Park - e até quem não gosta muito, mas curte uma piadinha bem feita - não pode deixar de assistir o último episódio exibido nesta semana nos EUA: Over Logging. É o sexto desta 12ª temporada.

A história começa com as famílias de South Park ficando sem internet. O desespero que toma conta da cidade é hilário. Exatamente o que acontece, guardadas as proporções, quando eu fico sem rede na empresa. Muito engraçado, com citações a filmes conhecidos, como Vinhas da Ira e Independence Day. Eu baixei via torrent do Mr. Twig.

[Ouvindo: Let's Go Crazy - Prince - The Very Best Of Prince]

8 de abril de 2008

Conto com instruções didáticas

"Puta que pariu" foi a primeira frase que veio à cabeça do autor para começar o conto. O importante é ganhar o leitor na primeira frase, com impacto. Então:

– Puta que pariu – exclamou com um sorriso o personagem de nome comum que é para o leitor se identificar mais fácil. João ainda era um gurizote, mas nunca tinha visto mulher tão linda. E ainda mais sorrindo pra ele.

João começou a derreter dentro da camiseta bege escrito "Ratos de Praia", uma marca de surf famosa na época, porque é importante ser preciso para  dar veracidade à história. Além disso, os pequenos detalhes ajudam a definir situação e tempo do conto. Com as costas já empapadas de suor, mais por causa do sorriso da morena alta, de olhos verdes e corpo perfeito do que pelo esforço de jogar pacau com Adroaldo, Lin e Sandro. O nome dos personagens secundários não é tão importante, mas também não precisa exagerar. Um nome estranho basta. O resto tem que ser verossímil.

O bolinho de fichas diminuía ao lado da mesa e nada dela ou da amiga se afastarem. João criou coragem e olhou para a garota, se esforçando para concentrar o foco no rosto, e não no decote ou na pele branca dos seios.

– Cansei de jogar. Vamos tomar um sorvete?

Ele mesmo ficou impressionado com a atitude e o autor também, embora soubesse que esses pequenos clímax são importantes para manter o leitor atento na história.

Mas atento mesmo estava João, mergulhando no verde dos olhos de Priscilla, assim com dois eles. Era de Florianópolis e estava na casa de parentes, passando duas semanas em Balneário Gaivota. Estava gostando, sim, mas o mar era muito bravo e ela pouco ia à praia, dados importantes para se definir a personalidade do personagem e que explicam um pouco o porquê da bancura da pele da garota. É parte do jogo de texto fazer o leitor entender por si as conexões entre uma parte e outra do conto.

– Durante o dia eu prefiro as praias de Floripa, mas a noite aqui é mais legal, mais tranquila – completou a garota, querendo parecer cosmopolita.

"Se ela tá querendo impressionar, é um bom sinal", pensou João, enquanto pagava as duas casquinhas de sorvete. Isso num tempo em que Balneário Gaivota não tinha brigas de rua, não sofria com gangues vindas da região metropolitana de Porto Alegre para atazanar os moradores. Era populada, basicamente, por gente que morava nas cidades próximas e isso já diz bastante sobre a diegese da história.

Os dois subiram a rua sem destino certo, tomando seu sorvete e conversando. Coisas bobas, que fazem todo o sentido quando se é adolescente. João, destro, terminou primeiro a casquinha de chocolate. A mão esquerda de Priscilla, nessa altura já chamada de Pri, deu bobeira e foi engolfada pela mão de João, sem resistência. Num momento assim é que o autor pensa: "Como é que eu termino essa merda de conto? Tenho que dar uma dica de como essa história acaba". Mas os três seguem em frente – João e Priscilla passeando e o autor escrevendo.

Já no final da rua, próximo do bar onde João e os amigos jogavam pacau até agora há pouco, seis parágrafos acima, os dois pararam como que combinados sobre o que fazer. Devagarinho foram aproximando os rostos e se beijaram de leve, nos lábios. Uma, duas, três vezes. Na quarta, as línguas se enrolaram, João sentindo o gelado do sorvete na boca de Priscilla. Encostaram em um muro qualquer e ficaram por ali mesmo por alguns minutos, até que a garota deu a deixa, que, no fundo no fundo, entrega o final do conto:

– Preciso ir pra casa. Minha tia deve estar esperando. Além disso, minha prima ficou sozinha no bar – disse Priscilla (o autor não esqueceu da personagem sem nome que acompanhava a protagonista e que ainda pode ter um papel importante).

– Vou te ver de novo?

– Claro, estou toda noite por aqui, até ir embora.

Priscilla se virou para encontrar a prima e João foi-se faceiro, orgulhoso de si mesmo, ao encontro dos amigos. Contou que ela era de Florianópolis, que era maravilhosa, tinha uns peitinhos lindos, uma bundinha firme, uma boca quente e beijava muito bem. Era perfeita e podia muito bem ser sua namorada. Quem sabe na noite seguinte.

Priscilla foi caminhando para casa da prima comentando a noite. Disse que João era desajeitado com as mãos, suarento, tinha o hálito meio esquisito e uns papos nada a ver.

– Saco, não posso mais vir para esse lado da praia ou esse chato vai grudar no meu pé – completou a menina, a título de estranhamento, que normalmente é o clímax de um conto, o ponto onde a história dá uma virada e surpreende o leitor. "Esse ficou fraco", pensa o autor. "Mas o leitor dará um desconto, afinal não é mole escrever um bom conto em menos de uma hora", completa, olhando para a morena de olhos verdes e pele branca que ressona suavemente ao seu lado na cama.

[Ouvindo: Royal Orleans - Led Zeppelin - Presence]