24 de agosto de 2010

Sobre o amor

No restaurante a quilo, um rapaz de vinte e tantos anos conversava animadamente com a moça de vinte e poucos. Cabelos curtos, barba rala e olhar brilhante, sentado na ponta da cadeira, sem um prato sequer de comida à sua frente, o rapaz contava sobre sua namorada. A garota loura, de blusinha tomara-que-caia rosa, nariz afilado e maquiagem carregada, ouvia a narrativa entre uma garfada e outra.

O rapaz contava da noite anterior, quando havia levado a menina objeto de sua afeição ao cinema. Relatava tudo com uma inocência incondizente com a sua aparente idade. Falava sobre pegarem as mãos um do outro, sobre como ele estava nervoso e como ele havia “pedido a mão dela em namoro”.

A mesa comunitária me permitiu ouvir a conversa em silêncio, enquanto comia devagar. A garota que fazia papel de confidente, pelo menos quatro ou cinco anos mais nova do que o rapaz, eventualmente encorajava o detalhamento de uma outra emoção. Mas ao olhar para ela, via-se que não tinha paciência para toda a narrativa do amigo.

Trabalhavam juntos, disso não tenho dúvida. Mas havia algo mais na relação dos dois. A impaciência da garota, o jeito como ela olhava para o rapaz, sei lá. Só fui descobrir quando ele se despediu, pagou e foi embora. A moça ficou e ligou para uma amiga. Nesse ponto, eu já estava terminando meu almoço, mas enrolei para ver se extraía mais alguma informação.

No telefone, a garota queixou-se que o fulano – já não recordo o nome – era um idiota mesmo. Que tinha saído com aquelazinha e ainda contava tudo para ela. “O que tenho que fazer para ele ver que eu tô a fim dele”, ela perguntou para a amiga. Me deu vontade de responder que abrisse o jogo, que falasse para o cara, porque, meio abobado como era o rapaz, jamais adivinharia. Mas fiquei quieto, dando uma última olhada para a garota maquiada de blusinha tomara-que-caia rosa. Ela pode conseguir coisa melhor do que ele.

17 de agosto de 2010

Interrompemos nossa programação para….

Hoje começou o horário eleitoral gratuito. Pela manhã, já ouvi algumas inserções no rádio do carro. Logo mais, às 13 horas, vou assistir ao primeiro programa na tevê.

Embora ainda seja um marco importante da campanha eleitoral em eleições majoritárias, já não considero tão relevante a propaganda em tevê. Quem realmente quer buscar informação sobre seu candidato, usa a internet. Salvo um ou outro cidadão, o contingente de pessoas que presta atenção na propaganda é pequeno.

As inserções são diferentes. Tomam a gente de surpresa, entre o comercial do carro e o do sabonete. Fica na mesma porção do cérebro a decisão de comprar um Clio, usar Dove e votar na Dilma.

Não estou apostando que haverá uma virada a partir do início do horário eleitoral. Serra – que agora parece, ouvindo o jingle de campanha, que se chama Zé – tem menos tempo de tevê e não conta com um cabo eleitoral que tem mais de 70% de aprovação.

Essa é, aliás, a primeira vez na nossa história recente que um presidente termina seu segundo mandato – ou seja, sem chance de reeleição – bem avaliado pela população. Lula tem todas as condições de fazer sua sucessora. Tem a máquina do governo, a estrutura do PT, que ocupou cada espaço possível da estrutura governamental, o maior tempo de tevê, alianças boas em quase todos os estados. Dilma só precisa colar mais e mais na imagem do Lula e tá feito o trabalho.

Lamento dizer, mas se a eleição fosse um fundo de ações, aplicava todo meu dinheiro na Dilma LTDA. Vai dar ela em outubro.

13 de agosto de 2010

Costumes são apenas costumes

Quando voltei a trabalhar sozinho, no meu home office, pensei que a adaptação seria fácil por conta da experiência passada. Afinal, há pouco mais de cinco anos, era assim. Eu sentado em frente ao computador, o som rolando, os sistemas de mensagem instantâneas ligados e mais nada. Uma certa solidão, a que me havia acostumado.

Surpreso, descobri que estou sentindo falta da interação com as pessoas. Claro que sinto falta das pessoas com quem eu trabalhava na Knowtec por elas serem bons amigos, mas o fato de passar a maior parte do tempo calado, sem interagir, sem responder ou fazer perguntas, foi uma mudança que senti bastante.

O mais engraçado é que quando eu passei a trabalhar no modelo “9 to 5”, em 2005, eu senti falta da liberdade de esticar as pernas dando uma caminhada às 15 horas ou de ficar lendo na cama até às 10 da manhã. Com o passar do tempo, me acostumei a trabalhar com horário fixo. Agora, tenho que me adaptar ao contrário, a contar com a companhia apenas do som.

Agora, rola Sehnsucht, dos alemães do Rammstein. Talvez quem não goste muito da nova situação da Proença Incorporated são os vizinhos, bombardeados com música pelo menos 8 horas por dia. Pelo menos, boa música.

5 de agosto de 2010

Tempos duros para serviços não essenciais

A história é sempre a mesma: quando a economia começa a bambear, diminuem os negócios e aumenta a inadimplência em alguns setores da economia, identificados como sendo menos essenciais. Estive colhendo algumas informações, por conta de um plano estratégico que estou elaborando, e dá pra ver que alguns setores sofrem bastante com isso.

Dificilmente deixa-se de comer, de pagar luz e água. Mas condomínio, serviços relacionados a festas, serviços náuticos e de veículos, essas contas podem ir para o final da fila. Contratar, então, nem pensar. Quem trabalha com produtos de controle de inadimplência (Serasa Experian, SCP, etc.) tem uma oportunidade interessante. Em São Paulo, devedores de condomínio, por conta de legislação estadual, podem ser inseridos nos cadastros de devedores.

Talvez seja uma solução para administradoras de condomínio e marinas, que já tem o serviço contratado e precisam receber. E quanto a empresas que dependem da venda de serviços não essenciais? Essas vão ter que responder com boa estratégia e muita inteligência. Vão precisar dividir um bolo menor e aí vale a máxima “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

Um bom olhar sobre seus concorrentes, monitoramento dos clientes e possíveis prospects certamente vai dar bom resultado. E diversificar um pouco, claro. Porque se tem uma coisa que esses momentos de crise ensinam aos empresários é que não dá para apostar todas as fichas num único número.

29 de julho de 2010

Aniversário multimeios

Bem coisa de velho, ficar lembrando de como eram as coisas “antigamente”. Pois bem, eu lembro de quando me davam parabéns só ao vivo. Mal e mal um telefonema. Não existia celular, claro. Podia dizer que recebia cartas, mas estaria mentindo. Nunca fui um usuário contumaz do glorioso sistema postal brasileiro.

Mas ontem, depois de responder a um SMS em que me davam parabéns, me dei conta e comentei com a Lu como é bem mais fácil as pessoas lembrarem do aniversário da gente, de darem parabéns e coisa e tal.

Ontem, atendi diversos telefonemas no celular e no fixo. Respondi a alguns SMS, a diversos recados no Skype e MSN, a outros tantos no Facebook e Orkut, a e-mails dando parabéns. Ah, sim, e pelo Twitter também. Ao vivo – aquele abraço, coisa e tal – ganhei apenas da Lu e de mais três amigos. Não que os outros parabéns tenham sido menos sinceros ou menos importantes. Nada disso. Mas é uma constatação de uma mudança que só agora observei.

É, eu sei… Notar essas coisas é bem coisa de velho.

28 de julho de 2010

39 anos

Hoje completo 39 anos. Um ano para chegar aos “enta”. Inevitavelmente, me passa pela cabeça um balanço. Lembro quando completei 25 anos – faz tempo – e me comparei a Orson Welles, que havia lançado Cidadão Kane nessa idade. Mas chego aos 39 bem mais saudável que Welles, bem menos gordo e sem estar divorciado da Rita Hayworth.

Nesses 39 aninhos aprendi muito, fiz bastante coisa e busquei ser uma boa pessoa. Meus amigos e família é quem podem dizer se o esforço valeu. De minha parte, sigo feliz, ao lado de uma mulher que amo, fazendo as coisas que gosto de fazer, trabalhando – agora, nessa nova fase de vôo solo – com novos desafios e dentro do meu tempo e possibilidades.

Para completar um bom checklist, daqueles do tipo “coisas para fazer antes de morrer”, ainda tá faltando tirar o brevê de piloto privado VFR, ter uma moto custom mais legalzinha, conhecer Atenas, Petra e Cairo, mergulhar em Noronha ou Caribe, publicar um livro de ficção. É, acho que por alto é isso. Nada muito grandioso, eu sei.

Agora, sair pra pedalar, que é pra barriga não chegar ao padrão Orson Welles e os “enta” durarem décadas a fio. Fui.

14 de julho de 2010

Cavaleiro solitário

Poético o título do post, não? Well, well… Estou de volta ao trabalho em “euquipe”, desde esta segunda-feira. Saí da direção da Knowtec, função que exerci por um ano – e antes, a gerência por quatro anos – para encarar o mercado de consultoria em inteligência competitiva.

Depois de cinco anos na mesma empresa, por melhor que fosse, há uma certa saturação – que é o eufemismo para “saco cheio”. Inevitável, por melhor que fosse trabalhar com a excelente equipe com que eu contei nesses anos. Ainda mas para um espírito irriquieto como o meu.

Duas psicólogas que atuaram como minhas coachs e de outros colegas na gestão da empresa, me ajudaram a enxergar isso. Sou um cara mão na massa, incompatível com muito tempo em funções de gestão.

Não que tenha me saído mal na função. Pelo contrário. Como legado, deixo uma metodologia de inteligência competitiva setorial premiada, reconhecida pela Associação Brasileira de Analistas de Inteligência Competitiva (Abraic) como um dos três melhores cases de IC do país. O presidente da empresa, meu chefe direto disse que mesmo nas coisas que não são meu forte, fico na média. Encarei como um elogio.

Mas é hora de me dedicar ao que faço realmente bem, que é análise de inteligência, consultoria em IC – criando metodologias e processos – e dando treinamentos na área. E também estudar um pouco. Vamos ver se consigo casar os trabalhos que já começam a pipocar com um mestrado.

E, obviamente, com menos pressão e mais tempo para me dedicar a ler, aprender e pensar, vou ter tempo de voltar a escrever no blog.

1 de abril de 2010

Foram eles quem quiseram

Há um tempo que me enrolo para trocar de provedor de internet. Era usuário da Matrix desde muito tempo. Nem lembro quando. Passei um tempo pelo BRTurbo, mas depois voltei a contratar os caras. Mas desde o ano passado, andava muito descontente com o serviço. Lá por setembro, fiquei mais de duas semanas sem e-mail. Perdi um monte de mensagens e todas as minhas imagens e arquivos que tinha no disco virtual foram apagadas. Uma mancada que me incentivou a trocar de provedor. Por inércia, fiquei com os caras.

Só que desde ontem estou sem internet e sem e-mail. Hoje liguei para ver o porquê e fui informado pelo cara do suporte que o meu contrato não registra pagamentos desde fevereiro. Só que o débito da Matrix é no meu cartão Amex. Que não mudou de número, não sofreu qualquer alteração. Por alguma mancada deles, desorganização, sabe-se lá o quê, deixaram de me cobrar. E como resultado, cancelaram o serviço.

Ótimo! Era o empurrãozinho que eu precisava para conectar com a plaquinha da Vivo, procurar um outro provedor, assinar e reconfigurar o meu modem. Fiz um plano sem fidelização com a Globo.com e que a Matrix se dane. Então, fica o aviso: nem Lu nem eu usamos mais os e-mails da Matrix. Contatem-nos pelo Gmail.

18 de março de 2010

iPhone

Com as devidas reverências à criatividade dos colegas da Talk Brasília

Tava lá o corpo estendido no chão. Bem, não era um corpo, mas um iPhone. E o chão era o asfalto quente da W3, perto do Setor Hoteleiro Norte, em Brasília. Reginaldo desceu do carro, parado no semáforo, apanhou o iPhone e soprou a poeira vermelha do LCD. Correu para sentar-se ao volante do Renault Sandero antes que o sinal abrisse. Largou o telefone da Apple no banco do carona e seguiu para o trabalho como fazia todo dia.

Enquanto esperava o elevador que o levaria da garagem subterrânea ao segundo andar, começou a mexer no aparelho. Aparentemente, ele ligava, mas a tela estava apagada. Era possível ouvir os ruídos de ligar, desligar, mudar tela. Mas, pesquisar por um número, pelo nome do dono era impossível.

“OK, sem problemas. Assim que chegar ao escritório eu sincronizo ele com meu computador e recupero os dados”. Reginaldo tinha esperança de encontrar o dono do aparelho, solidário que era aos parceiros admiradores dos equipamentos produzidos pela Apple.

Não que Reginaldo fosse daqueles seguidores fanáticos da empresa californiana. Ele não era da Steve Jobs Church of Redemption. Longe disso. Gostava do iPhone, dos Macs, do iPod. Mas não chegaria a tatuar uma maçã no braço. Respeitava os fãs, mas procurava manter distância dos exageros.

Ao acessar o telefone, descobriu que pertencia a uma garota. Havia várias fotos dela no aparelho. Idade entre 20 e 25 anos, loura, olhos entre azuis e verdes, rosto redondo e simétrico, corpo muito bonito – uma sequência de auto-retratos dela vestindo um biquíni preto, tiradas a bordo de uma lancha no que parecia ser o lago Paranoá, davam a dica.

“Tá aí alguém que vale procurar para devolver o telefone”, pensou Reginaldo. A colega de trabalho, Katilene, espiou as fotos e sorrindo brincou:

- Namorada nova?

- Não, essas fotos estavam num iPhone que encontrei na rua. A tela não funciona, mas de resto o aparelho tá intacto. Essa deve ser a dona.

- Bonita, hein?

- É, bastante. Vou ver se acho ela para devolver o aparelho. O mais louco é que tava caído no meio da W3.

Nesse momento, Felício, que já havia ouvido parte da conversa, entra no papo.

- Cara, ouvi dizer que é muito comum em sequestros-relâmpago os bandidos jogarem o celular do sequestrado para fora do carro.

- Não pode. Será que a menina foi sequestrada? – Pergunta-se em voz alta Reginaldo.

- É uma possibilidade – arrisca Katilene.

Depois de discutir um tanto, resolvem que o melhor é ligar para um número de telefone associado a um dos compromissos na agenda do telefone, uma consulta ao dentista.

- Alô, eu encontrei um telefone e diz na agenda que o dono ou dona teria uma consulta agora com o dentista que atende nesse número. Sim, arrã. Certo. Não sei o nome. É, pode ser. Você a conhece? Isso, loura, olhos claros… Arrã. Se ela ligar ou aparecer, você pode pedir que ligue para o fone 5555-0550? Obrigado.

- E aí? – Perguntou, interessadíssimo, Felício.

Reginaldo encheu os ouvidos atentos de Felício e Katilene com informação. Sim, o telefone era da lourinha das fotos. O nome dela era Paula e não havia comparecido à consulta com o dentista. A secretária do consultório ligara há pouco para a casa dela e a mãe da menina falou que ela saiu para a consulta nas primeiras horas da manhã.

Os três se olharam e pensaram seriamente que sim, a garota havia sido sequestrada. Preocupado, Reginaldo pegou o telefone e ligou para João, um amigo investigador da Polícia Civil do DF. Depois de trocarem cortesias, João ouviu a história e prometeu fazer uma breve investigação.

Só depois do almoço, lá pelas duas da tarde é que Reginaldo teve notícias de João. Alguns telefonemas, uma visita ao Ministério da Fazenda, onde Paula estagiava todos os dias pela manhã, e uma conversa com os pais da menina fizeram João acreditar na hipótese de sequestro. Comovido com a preocupação da mãe e meio sem saber porque o amigo estava tão preocupado com uma desconhecida, João acionou um alerta para o carro da garota.

Não demorou muito para que a Polícia Militar localizasse o carro estacionado na entrada de uma casa em Sobradinho, uma das cidades-satélites de Brasília. Quando João ligou perguntando se Reginaldo não gostaria de acompanhá-lo, com o intuito de ajudar a reconhecer a garota caso ela estivesse na casa, não houve debate.

- Sabe como é, complicado de pedir aos pais. A coisa pode tomar um rumo mais emocional e nos causar problemas.

Sentados num carro sem identificação, à paisana e com as ruas próxima fechadas por viaturas da PM, Reginaldo, João e um segundo policial esperaram algum movimento na casa. Não se passou mais de uma hora quando dois homens, ainda dois garotos, de pouco mais de 18 anos, saíram da casa segurando Paula pelos braços. Reginaldo reconheceu-a na hora.

- É ela – foi a deixa para os dois policiais falarem alguns códigos pelo rádio e saltarem do carro rapidamente, prendendo e desarmando os garotos ainda quando entravam no carro.

Uma prisão tranquila, sem que os sequestradores tivessem tempo de disparar um único tiro ou machucar a refém.

A menina, assim que foi libertada, disparou a chorar convulsivamente. João aproximou-se da garota e contou a história de como haviam descoberto seu cativeiro e o que havia levado a polícia a procurá-la.

- Esse cara é o teu herói, Paula – disse o policial, apontando para Reginaldo.

Ela abraçou forte o rapaz. Ele a abraçou de volta. Reginaldo tirou o telefone do bolso com uma das mãos e entregou a menina, que ainda chorava com o rosto colado no seu ombro, buscando segurança e conforto. Ela esboçou um sorriso e voltou a recostar o rosto no ombro do rapaz. E descobriu ali segurança e conforto. E ele, alguém para confortar e dar segurança. Reginaldo pensou: “De vezem quando, vale a pena fazer uma boa ação”.

3 de março de 2010

Linux salvou meu computador

No último sábado, meu notebook Lenovo U110 resolveu não ligar mais. Só aparecia uma mensagem dizendo que o registro estava corrompido e não entrava o Windows. Segunda-feira cedo eu parti para Brasília. Precisava dos arquivos que estavam dentro do computador, então trouxe ele comigo. Logo que cheguei, busquei a assistência da Lenovo. Me encaminharam para a linha da IBM. E na IBM, deram o número da Lenovo. Foi o suficiente para desistir e buscar uma alternativa eu mesmo.

Depois de trabalhar o dia inteiro, tentei resgatar os arquivos na máquina usando um cd do Ubuntu, uma distribuição bem amigável do Linux. Consegui fazer isso na terça-feira à tarde, com a ajuda dos colegas do nosso escritório de Brasília, especialmente o Malaquias e o Adisson. Ufa!

Já que teria que instalar tudo de novo, já resolvi partir para o Windows 7, que espalham por aí que é mais rápido que o Vista. Comprei o DVD do Win7 e instalei. É nele que digito esse post. Tá funcionando, mas ainda tem muita coisa o que fazer. Nem tudo foi recuperado no backup, mas não perdi tudo. Ainda bem. Mas fica a lição: fazer backups mais seguidos e sempre manter o sistema atualizado e redondo.

29 de janeiro de 2010

God hides on subway lines

There I am, looking to the rails from the platform, considering if I’d ever jump in front of a running train. Thinking if the thousand volts on the third rail might make the world of stocks, bonds, foreign currency disappear forever. It probably would, but I got a Playstation and a cozy armchair waiting for me at home. It’s not worth the jump.

But a small girl, looking like Russian, is staring at the tracks, just like I was. Now, she’s the focus of my eyes. You know the type: blonde as a canary, legs long as the Empire State Building, Eyes blue as a summer sky in the Hamptons. And Russian, of course. She resembles one of those tennis players whose name sound like a vodka brand.

And she’s staring at the tracks with a crazy look in the deep blue eyes. I’m starting to worry. Is she thinking suicide thoughts? Did I have that same look a few minutes ago? Barely have time to do anything and the Q train approaches. The whistle of metal against metal and the wind on the platform.

She takes one step forward. I know. And she looks at me, just a glance. And she knows I know. We both know and are in it together. I jump towards her and my body is so much stronger than hers. She is leaning forward the train and an old lady screams “Oh my God”. A young latino couple shouts “fuck” in unison.

Her body and mine, now one single human being, barely miss the train. We just bump in the lateral and the engineer hits the breaks as fast as he cans. When the train stops, we’re bruised, we’re bleeding, but we’re alive. People aorund scream, some even cry. I do nothing like that. Neither does she. We just look at each other. And I ask her why. In a Russian accent, she simply says: “’Cos god hides on subway lines”.

24 de janeiro de 2010

Não foi agora

Acabei não indo velejar no sábado. Depois de ter acordado cedo e decidido sair com o Gostosa, o tempo começou a ficar meio feio. Aí abortei a saída. Até daria para ter ido, mas umas nuvens escuras rondaram os céus de Floripa durante praticamente todo o dia.Aí é melhor não arriscar. Ficou para a semana que vem, se o tempo ajudar.

23 de janeiro de 2010

Para tirar o “branco neve”

Daqui a alguns minutos, saio de casa rumo a Santo Antônio de Lisboa para uma velejada. Um pouco de sol, mar e vento é tudo o que preciso para fazer o corpo perceber que está de novo em Florianópolis.

Há um bom tempo que não velejo. Nem lembro quando foi a última saída. Mas tô seco para embarcar no Gostosa e rumar em direção a nenhum lugar específico e sentir o barulho do casco contra as ondas.

Tô levando a câmera a prova d’água que ganhei de Natal dos meus pais e na volta posto fotos da saída.

17 de janeiro de 2010

Uma última noite em NYC

Domingo, 1h30min, horário local. Separamos as coisas para arrumar as malas amanhã. Não fizemos nada especial hoje à noite. Só umas compras, fui pegar meus ternos no alfaiate e subimos no terraço do prédio para fazer umas fotos da vista. É nossa última noite aqui.

Nem fomos embora, mas já sinto saudade. Sempre brinquei com os amigos dizendo que de Floripa só sairia para New York. Isso antes de conhecê-la. Agora, essa sensação se reafirma. A vibração da cidade é a minha vibração. Sabe aquela sensação de pertencer a um lugar? Pois é, eu me sinto assim aqui, especialmente no Village, que foi onde ficamos mais tempo. Me sinto assim na Costa da Lagoa, também. Mas, calma. Uma coisa por vez. Primeiro conquistar a Costa, depois NYC, hehehehe.

Hoje rumamos para o Brasil. Saímos daqui à noite, para chegar em Guarulhos pela manhã, na segunda, e em Floripa à tarde. Vai ser gostoso estar de volta em casa, mas sempre vai ficar uma pontinha de saudade de New York.

IMG_8080

O telhado do prédio em que estamos, de dia…

IMG_8136

… e de noite. Vai dizer que não é de dar saudade?

15 de janeiro de 2010

Pop on classics

Nem só de compras e visitas a locais turísticos é feita a vida de turistas brasileiros em NYC. Nesse quase um mês – que infelizmente está se encerrando – que passamos em Gotham, experimentamos um pouco de cultura. A cidade é rica em oferta e sabendo procurar e buscar, dá para usufruir por preços razoavelmente módicos.

Bem, todo turista interessado em ir a um show da Broadway sabe da existência do balcão da TKTS na Times Square. Lá, se compram ingressos pela metade do preço para os espetáculos do dia. E os lugares não são ruins não. Normalmente primeiras filas laterais.

Mas o que nem todo mundo sabe é da existência de um balcão igual, no Southstreet Seaport, na John Street. Bem menos concorrido que o da Times Square e com os mesmos descontos. Lu e eu compramos ingressos para três espetáculos lá: Radio City Christmas Spectacular, Mamma Mia! e Hair.

No primeiro, a Berna foi conosco. Adorou! Eu achei mais ou menos, porque não tinha bem uma história. Era mais um apanhado de números de dança com temas natalinos. Desnecessário comentar que a Lu ficou felicíssima. É só olhar a foto dela e da Berna.

Mamma Mia! e Hair nós fomos nesta semana. Ambos muito legais. Mas eu gostei mais mesmo é de Hair. O espetáculo é muito despretensioso, com uma música fantástica. É demais! Claro que a historinha do filme do Milos Forman é mais legal, melhor contada e tal. Mas ver ao vivo tem o seu valor.

Esse foi o lado pop do negócio. Mas também temos nossa vertente mais erudita. O Nano comprou para nós, ainda de Viena, pela internet, ingressos para assistir Turandot, de Giacomo Puccini. No Met. A gente não somos fraco, mermão! Lá fomos nós cinco, de roupa de domingo ver a ópera no Met. Da ópera, vocês já sabem, e se não souberem, dêem uma googleada. Agora, a montagem do Met é ducaramba. Cenários móveis, cantores muito bons, uma orquestra excelente. Realmente, valeu a pena. Agradecimentos especiais ao meu irmão Giuliano, nosso personal music-expert.

Também no Lincoln Center for Performing Arts, onde fica o Met, fomos assistir a um balé. O Quebra Nozes, de Tchaikovsky. Até eu, que não gosto muito de dança, fiquei impressionado com esse balé. Nano e pai passaram, mas eu fui com as meninas. E valeu a pena ter ido. Tanto que temos planos de ver mais um balé antes de ir embora. Tem um amanhã, Short Stories, com música de Leonard Bernstein, Igor Stravinsky e Sergei Prokofiev. Se conseguirmos ingressos por um bom preço, vamos assistir.

E, dependendo do tempo, ainda quero pegar uma peça na Broadway. Scarlett Johansson estrela um texto de Arthur Miller, a View from the Bridge. Achei legal porque é uma peça sobre NYC, sobre os trabalhadores italianos no Brooklin. Vamos ver se dá tempo e se tem os tickets no TKTS. Se não, tem Race, do David Mammet, com o James Spader. Mas só se der tempo.

IMG_0095

Saguão do Metropolitan Opera House.

13 de janeiro de 2010

Uma tarde no museu

Na verdade, foram duas: anteontem, no American Museum of Natural History, e hoje, no Metropolitan Museum of Art. No museu de história natural, foi nossa segunda visita. Apenas para terminar de er algumas coisas que deixamos de fora na primeira vez. Muito legal os meteoritos, a baleia gigante no meio da sala que trata da vida nos oceanos e o melhor de tudo: dinossauros. Caramba, os bichos eram grandes mesmo.

Foi legal também ler as descrições das teorias dos caras lá em 1920, quando começaram a descobrir os ossos de dinossauros que agora estão expostos. Lembro de uma em que o cientista decrevia o momento, durante um almoço, em que um colega dizia ter descoberto ovos de dinossauro. Até então se discutia se dinossauros eram répteis, pássaros, mamíferos. E o cara vai lá e descobre ovos de dinossauro. Muito legal ler sobre esses momentos da ciência, da descoberta do conhecimento pela humanidade. Uma coisa que parece tão óbvia e corriqueira para nós, em algum momento, alguém teve que teorizar, buscar hipóteses, provas, confirmar suas idéias. Demais mesmo.

A outra tarde, no Met, foi curta. Vamos ter que voltar. Se não nessa visita a NYC, em outra – alguém duvida que ficamos com vontade de voltar, sem nem sequer ter ido embora ainda? Ficamos mais de uma hora apenas na ala de artefatos egípcios. Tumbas reconstruídas dentro do museu, múmias, sarcófagos, vasos, estátuas, paredes cobertas de hieróglifos.  The works.

O prédio do Met é enorme. Numa praça com estátuas, tem até a fachada inteira de um edifício antigo da Wall Street, demolido nos anos 1920. Só deu pra ver bem duas exposições: Egito antigo e armas e armaduras. As duas muito legais. Se der tempo, voltamos lá.

IMG_7830

Luciana na frente dos ossos de um tiranossauro rex. Ele só passou a ser montado assim, com a espinha dorsal paralela ao solo de uns tempos para cá, dentro das novas teorias sobre o bicho. Antes, era montado mais em pé, como a gente vê nos filmes.

IMG_0415

Portal do Templo de Dendur. Dá pra ter uma idéia do tamanho do negócio. Agora imaginem o tamanho do museu!

10 de janeiro de 2010

As imagens que valem por mil palavras

Os últimos comentários são unânimes: “mais fotos da viagem”. Se é isso que pede essa imensidão de leitores, atendemos aos pedidos. Um curto, porém ilustrativo álbum dos nossos dias, até agora, em NYC.

IMG_7329

Lu na árvore de Natal do Rockfeller Center.

IMG_7292

Família no Central Park, dois dias depois da nevasca.

IMG_7358

Almoço no Carmine’s do South Street Seaport. Dica da Tatá.

IMG_7376

Relógio do salão de leitura principal na biblioteca pública.

IMG_7432

Chrysler Building, visto do mirante do Empire State.

IMG_7455

Joaquinense João, de pala num parque do Soho.

 IMG_7527

Iluminação de Natal, no campus da Columbia University.

IMG_7535

Lua sobre o Empire State Building. Foto tirada da Union Square, que foi nosso caminho rotineiro por 20 dias.

IMG_7538

Vista das colunas de ferro fundido de nosso prédio, refletida na janela do prédio da frente. Foi a Lu quem tirou.

 IMG_7551

Pretzel salgado – de preço e gosto. Experiência gastronômica mal sucedida da Lu.

IMG_7562

Vista dos prédios do Financial District, com os guindastes da obra no Marco Zero em primeiro plano.

IMG_0080

Lu a poucos passos do Oz, leão marinho do NY Aquarium.

IMG_0114

Auto retrato meu, concentrado nos peixes do aquário.

IMG_0046

À esquerda da grade, o calçadão de madeira de Coney Island. À direita, a areia da praia. Cobertos pela neve.

IMG_7584

Nunca vi tão feliz! Lu no Carrossel do Central Park. A Berna tá no cavalo de trás.

IMG_0162

Passeio de macho: armas nucleares, aviões de combate e um porta-aviões do tamanho do Chrysler Building. Nosso dia no Intrepid.

IMG_7664

Helicóptero de combate no convés de vôo do Intrepid. Me admira a foto não estar tremida. Estava batendo os dentes de frio. 

IMG_0259

Times Square à noite. Foto da Lu.

IMG_0261

Primeira manhã no apartamento da 24th e a neve voltou. Lu captou o telhado vizinho ainda antes de derreter.

IMG_7726 Saguão principal da Grand Central Station. 

IMG_7739

Vanderbilt Hall, na Grand Central. Todo em mármore rosa.

IMG_7751

Ferromodelismo no museu da MTA. Impressionante!

IMG_7759

Flatiron Building, pertinho de casa.

8 de janeiro de 2010

Em novo endereço

Hoje o pai, a mãe e o Nano foram embora. Pai e mãe para o Brasil, Nano para Áustria. Saíram logo no início da tarde, meio atrasados porque fiquei configurando um HP Mini que o Nano comprou hoje ao meio-dia. Ele já levou zerado, pronto para ser usado.

Demos uma limpadinha no apê da 11th com Broadway e viemos para nosso novo lar nos próximos 10 dias: 24th, quase na esquina com a 2nd. Um studio, bem legalzinho e confortável. Não é tão grande quanto o loft que estávamos antes, mas para duas pessoas, fica até maior.

Estamos num distrito de New York chamado Gramercy. É perto do Gramercy Park. Entre o parque e o rio. Nesse lado, é o East River. Amanhã saímos para explorar a região. Por hoje, foi só comer num diner aqui perto, fazer umas compras, e rumar de volta ao apê.

4 de janeiro de 2010

Relapso

É, estou relapso no relato da nossa viagem, mas é que andei trabalhando nesses últimos dias. São as minhas férias, eu sei, mas quando a gente assume um compromisso de fazer alguma coisa, tem que entregar. E entregar bem feito. Por isso, eu e o Marcelo estamos sacrificando parte de nossas férias. Para fazer um belo trabalho e deixar um cliente satisfeito.

Mas, nada de choradeira ou desculpas, vamos ao que interessa. No primeiro dia do ano, depois de visitar a Union Square cheia de neve, fomos a Coney Island, visitar o New York Aquarium. Belo passeio, embora a viagem de metrô até lá seja longa. Pelo menos o trem Q passa na estação aqui perto e leva a gente até lá sem precisar trocar de linha.

O aquárío é muito legal e pudemos ver de perto morsas, leões marinhos, focas, ariranhas e, pelo vidro, os tubarões. É tudo muito organizado e bastante divertido. Porém, desse passeio, o que mais me impressionou foi ver uma praia coberta pela neve. Engraçado, mas não há nada de estranho nisso para quem está acostumado. Mas eu, que não consigo relacionar neve a litoral, achei a coisa mais louca do mundo.

IMG_0039

Mesmo o Nano, acostumado a neve, achou legal ela ao lado do mar.

No dia 2, fomos ao Central Park, já que não estava tão frio. Era um dia “passeável” ao ar livre. O parque é grande mesmo e um barato. Para todo lugar que você olhe, há arranha-céus ao lado da natureza, o que deixa a imagem totalmente surreal. A Lu e a Berna andaram no tradicional carrossel e todos tiramos fotos na estátua de Alice no País das Maravilhas e na de Hans Christian Andersen também. Visitamos o rinque de patinação e pude ver uma Zamboni ao vivo (para quem não sabe, é a máquina que alisa o gelo. Queria pilotar uma dessas).

IMG_0120

O parque, dominado pelos arranha-céus ao redor.

Hoje, dia 3, eu fiquei trabalhando pela manhã, em casa, e eles foram a missa. Calma, calma, que ninguém se converteu. Foram a uma igreja no Harlem, acompanhar o culto para ouvir um coral gospel. Só que a missa durava três horas (!!!!) e eles ficaram até o final em sinal de respeito. Encontrei-os para o almoço já passava de três e meia, na Times Square. Depois, de lá, foi visitar a Toys ‘R Us e voltar para casa.

1 de janeiro de 2010

Despedida nevada

Demos adeus a 2009 num dia de neve em New York. Logo que acordamos, em torno de oito horas, a neve começou a cair. Saímos, Lu, Nano e eu, para comprar um notebook na Best Buy da Union Square abaixo de neve. Na praça, fiz esse vídeo dos dois, brincando com bolas de neve.

Feliz 2010 para todos.