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11 de setembro de 2010

Troca de experiência

Acabei de sair da Bilioteca da UFSC, onde estava ministrando um curso de 16 horas sobre inteligência competitiva. O curso era voltado para bibliotecários – foi promovido pela Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB) – e teve a participação de 15 pessoas.

Fazia mais de um ano que eu não punha os pés numa sala de aula no papel de professor e mesmo com a falta de prática, foi muito legal poder trocar experiências com o pessoal. A turma era ótima, composta tanto por estudantes de biblioteconomia quanto por profissionais já formados, alguns mestres.

Claro que ajuda o fato de eu falar apaixonadamente sobre o tema que virou minha profissão já há alguns anos ajuda na motivação para ficar oito horas seguidas em pé e falando. Mas essa energia da troca de conhecimento é muito boa e acontece independente do assunto. Vou dar uma ajeitada no meu Lattes e ver se dá para ampliar as atividades como professor. Pode ser até que não pague tão bem, mas é muito recompensador.

13 de agosto de 2010

Costumes são apenas costumes

Quando voltei a trabalhar sozinho, no meu home office, pensei que a adaptação seria fácil por conta da experiência passada. Afinal, há pouco mais de cinco anos, era assim. Eu sentado em frente ao computador, o som rolando, os sistemas de mensagem instantâneas ligados e mais nada. Uma certa solidão, a que me havia acostumado.

Surpreso, descobri que estou sentindo falta da interação com as pessoas. Claro que sinto falta das pessoas com quem eu trabalhava na Knowtec por elas serem bons amigos, mas o fato de passar a maior parte do tempo calado, sem interagir, sem responder ou fazer perguntas, foi uma mudança que senti bastante.

O mais engraçado é que quando eu passei a trabalhar no modelo “9 to 5”, em 2005, eu senti falta da liberdade de esticar as pernas dando uma caminhada às 15 horas ou de ficar lendo na cama até às 10 da manhã. Com o passar do tempo, me acostumei a trabalhar com horário fixo. Agora, tenho que me adaptar ao contrário, a contar com a companhia apenas do som.

Agora, rola Sehnsucht, dos alemães do Rammstein. Talvez quem não goste muito da nova situação da Proença Incorporated são os vizinhos, bombardeados com música pelo menos 8 horas por dia. Pelo menos, boa música.

5 de agosto de 2010

Tempos duros para serviços não essenciais

A história é sempre a mesma: quando a economia começa a bambear, diminuem os negócios e aumenta a inadimplência em alguns setores da economia, identificados como sendo menos essenciais. Estive colhendo algumas informações, por conta de um plano estratégico que estou elaborando, e dá pra ver que alguns setores sofrem bastante com isso.

Dificilmente deixa-se de comer, de pagar luz e água. Mas condomínio, serviços relacionados a festas, serviços náuticos e de veículos, essas contas podem ir para o final da fila. Contratar, então, nem pensar. Quem trabalha com produtos de controle de inadimplência (Serasa Experian, SCP, etc.) tem uma oportunidade interessante. Em São Paulo, devedores de condomínio, por conta de legislação estadual, podem ser inseridos nos cadastros de devedores.

Talvez seja uma solução para administradoras de condomínio e marinas, que já tem o serviço contratado e precisam receber. E quanto a empresas que dependem da venda de serviços não essenciais? Essas vão ter que responder com boa estratégia e muita inteligência. Vão precisar dividir um bolo menor e aí vale a máxima “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

Um bom olhar sobre seus concorrentes, monitoramento dos clientes e possíveis prospects certamente vai dar bom resultado. E diversificar um pouco, claro. Porque se tem uma coisa que esses momentos de crise ensinam aos empresários é que não dá para apostar todas as fichas num único número.

14 de julho de 2010

Cavaleiro solitário

Poético o título do post, não? Well, well… Estou de volta ao trabalho em “euquipe”, desde esta segunda-feira. Saí da direção da Knowtec, função que exerci por um ano – e antes, a gerência por quatro anos – para encarar o mercado de consultoria em inteligência competitiva.

Depois de cinco anos na mesma empresa, por melhor que fosse, há uma certa saturação – que é o eufemismo para “saco cheio”. Inevitável, por melhor que fosse trabalhar com a excelente equipe com que eu contei nesses anos. Ainda mas para um espírito irriquieto como o meu.

Duas psicólogas que atuaram como minhas coachs e de outros colegas na gestão da empresa, me ajudaram a enxergar isso. Sou um cara mão na massa, incompatível com muito tempo em funções de gestão.

Não que tenha me saído mal na função. Pelo contrário. Como legado, deixo uma metodologia de inteligência competitiva setorial premiada, reconhecida pela Associação Brasileira de Analistas de Inteligência Competitiva (Abraic) como um dos três melhores cases de IC do país. O presidente da empresa, meu chefe direto disse que mesmo nas coisas que não são meu forte, fico na média. Encarei como um elogio.

Mas é hora de me dedicar ao que faço realmente bem, que é análise de inteligência, consultoria em IC – criando metodologias e processos – e dando treinamentos na área. E também estudar um pouco. Vamos ver se consigo casar os trabalhos que já começam a pipocar com um mestrado.

E, obviamente, com menos pressão e mais tempo para me dedicar a ler, aprender e pensar, vou ter tempo de voltar a escrever no blog.

4 de janeiro de 2010

Relapso

É, estou relapso no relato da nossa viagem, mas é que andei trabalhando nesses últimos dias. São as minhas férias, eu sei, mas quando a gente assume um compromisso de fazer alguma coisa, tem que entregar. E entregar bem feito. Por isso, eu e o Marcelo estamos sacrificando parte de nossas férias. Para fazer um belo trabalho e deixar um cliente satisfeito.

Mas, nada de choradeira ou desculpas, vamos ao que interessa. No primeiro dia do ano, depois de visitar a Union Square cheia de neve, fomos a Coney Island, visitar o New York Aquarium. Belo passeio, embora a viagem de metrô até lá seja longa. Pelo menos o trem Q passa na estação aqui perto e leva a gente até lá sem precisar trocar de linha.

O aquárío é muito legal e pudemos ver de perto morsas, leões marinhos, focas, ariranhas e, pelo vidro, os tubarões. É tudo muito organizado e bastante divertido. Porém, desse passeio, o que mais me impressionou foi ver uma praia coberta pela neve. Engraçado, mas não há nada de estranho nisso para quem está acostumado. Mas eu, que não consigo relacionar neve a litoral, achei a coisa mais louca do mundo.

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Mesmo o Nano, acostumado a neve, achou legal ela ao lado do mar.

No dia 2, fomos ao Central Park, já que não estava tão frio. Era um dia “passeável” ao ar livre. O parque é grande mesmo e um barato. Para todo lugar que você olhe, há arranha-céus ao lado da natureza, o que deixa a imagem totalmente surreal. A Lu e a Berna andaram no tradicional carrossel e todos tiramos fotos na estátua de Alice no País das Maravilhas e na de Hans Christian Andersen também. Visitamos o rinque de patinação e pude ver uma Zamboni ao vivo (para quem não sabe, é a máquina que alisa o gelo. Queria pilotar uma dessas).

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O parque, dominado pelos arranha-céus ao redor.

Hoje, dia 3, eu fiquei trabalhando pela manhã, em casa, e eles foram a missa. Calma, calma, que ninguém se converteu. Foram a uma igreja no Harlem, acompanhar o culto para ouvir um coral gospel. Só que a missa durava três horas (!!!!) e eles ficaram até o final em sinal de respeito. Encontrei-os para o almoço já passava de três e meia, na Times Square. Depois, de lá, foi visitar a Toys ‘R Us e voltar para casa.

19 de dezembro de 2009

Um longo dia antes de um longo mês

Hoje começam minhas férias. Não que vá ficar totalmente longe do trabalho – tenho umas análises para fazer, um relatório para montar e um artigo científico para escrever – mas ainda assim, é um período em que poderei descansar e fazer umas das coisas mais legais em que se possa empregar dinheiro: viajar.

Vamos ficar um mês em Nova Iorque. De domingo, 20, até o dia 17 de janeiro. É um bom tempo. E por isso exige um bom tempo de planejamento também. Mas, ainda assim, muita coisa ficou para a última hora. Só hoje consegui comprar uns dólares. Só hoje consegui programar as contas que vão ficar para pagar no período em que estou longe. Só hoje consegui ligar para as administradoras de cartão avisando que não estranhem as movimentações no exterior. E só agora consegui arrumar as malas. Ufa!

Além disso, o dia no trabalho foi muito corrido, com reuniões, debates, repasses de tarefas. Mas está tudo acertado e tudo pronto, ou pelo menos quase. Amanhã pulo cedo para pegar um terno na lavanderia – ou senão os caras vão vender por achar que abandonei-o por lá – comprar umas coisinhas na farmácia, fazer as minhas teimosinhas da loteria e outros pequenos afazeres. E depois, aeroporto!

Aguardem, claro, posts e fotos no blog.

18 de abril de 2009

Descompressão

Estranho vir a São Paulo para tirar o estresse do corpo, mas foi precisamente isso que a Lu e eu fizemos neste final de semana. Vamos fazer nosso visto para viajar aos EUA na segunda-feira, dia 20 e aproveitamos para fazer outras coisas na "cidade grande". Principalmente compras. O que sempre ajuda a aliviar o estresse de um consumista como eu. Posted from moBlog – mobile blogging tool for Windows Mobile

3 de abril de 2009

Ainda não entendi o twitter

Entrei no twitter esta semana. Ainda não peguei bem o espírito da coisa. Ficar postando informações sobre o que eu estou fazendo, o que eu li no momento ou onde estou me parecem meio bobas. O que notei é que o povo usa bastante para chamar para seus próprios blogs. Experimentei fazer isso também, mas ainda não vi resultado em termos de acesso. O Google Analytics continua mostrando a média tradicional da Casa Proença, sempre na casa dos 25 a 30 visitantes diários.

Mesmo assim, meio perdido com o uso desse negócio, estreei o twitter com gosto: baixei um aplicativo para meu smartphone, um HTC Touch rodando Windows Mobile 6. Chama-se Twobile e é gratuito. Funciona bem. Também adicionei no meu notebook um gadget do Vista que lê e twitta direto da área de trabalho, chamado Twitter Gadget. Esse, às vezes, perde a conexão. Mas tem visual legal e ocupa pouco espaço na barra lateral do Windows.

[Ouvindo: C'mon And Love Me - Kiss - The Very Best Of Kiss]

5 de março de 2009

Estagiários felizes

A minha empresa começou nesta semana um programa de estágio. O pessoal de marketing e RH veio com umas idéias bem legais. Fizeram um site divertido e um videozinho. Quem quiser dar uma olhada, acesse www.estagiosemsofrimento.com.br.

14 de janeiro de 2009

Single serving friend

Flying is getting harder and harder. My flight to Sao Paulo was scheduled to leave Florianopolis today at 4:40 pm, but a heavy rain closed Congonhas airport. After I and the other passengers already got into the plane, we were asked to get back to the gate and wait for a new call.

Ten minutes after we've boarded for the first time, a baby started to cry. I was seated in 1C and the baby was on the second row. Once the doors were closed, she asked to seat next to me, in 1B. By that time I foresaw a long journey, with a baby kicking and screaming by my side.

However, the baby, Davi, and his mom, Pabline, were really nice. After we started talking, I remembered a passage from Fight Club, that movie with Brad Pitt and Edward Norton. When the characters of the two actors met, Norton tells Pitt that he's a good "single serving friend". He uses this expression as a way to express how everything in a plane is single serving.

Pabline, a young widow, only 26 years old, and his son 11 months old were my single serving friends during this ordeal that has not ended yet.

12 de janeiro de 2009

Não foi dessa vez

Juro que tentei, mas não deu para inaugurar a nova adriça, o controle da esteira da vela grande e o flutuador de tope do Gostosa. Sábado e domingo foram dias de clima incerto em Floripa. Nada recomendável para uma velejada. Vai ficar para o final de semana que vem.

Se der, porque preciso ir até a Costa da Lagoa procurar uma casa para alugar no carnaval e também a Blumenau, levar meus pais para conhecerem o chihuahua que a Lu e eu demos a eles de Natal. O bichinho está no canil ainda, mas minha mãe está morrendo de vontade de conhecê-lo.

Isso e mais uma viagem a Brasília e São Paulo no finalzinho da semana devem ocupar meus dias. 2009 começa a todo vapor. Isso é bom. No time to think stupid toughts.

5 de dezembro de 2008

Dá gosto de trabalhar

Como muitos de vocês sabem, eu trabalho numa empresa de inteligência competitiva chamada Knowtec (o site está em reformulação. Fica pronto em janeiro). A sede é em Florianópolis, mas temos escritórios em Brasília, São Paulo e Seattle, nos EUA.

"Tá, e eu com isso", você deve estar pensando. Pensei em postar algo a respeito porque trabalhar na Knowtec tem uma implicação grande pra caramba na minha vida. Não só pelo fato de passar oito a dez horas na empresa, mas porque hoje eu faço muitas coisas não relacionadas ao trabalho por conta do modelo de valorização dos talentos humanos adotado pela empresa.

Por exemplo: duas vezes por semana eu pratico yoga. Temos um professor de yoga que vem até a empresa e dá aulas para duas turmas. Uma pela manhã, bem cedo, outra no final da tarde. É ótimo. Além de mexer e alongar o esqueleto, tira um pouco da tensão e do estresse de ocupar uma posição de liderança de projetos e equipes.

Além do yoga, eu fazia aulas de espanhol pagas integralmente pela Knowtec. Também in-company. Dois anos depois de começar a estudar consegui obter uma boa pontuação no exame de proficiência de espanhol do Instituto Cervantes, o DELE (Diploma de Español como Lengua Extrangera). Tem um povo que faz inglês, com forte ajuda de custo da empresa.

Depois do almoço, dá pra relaxar uns minutos jogando sinuca na sala de lazer, ou, quem preferir, pode aproveitar o Nintendo Wii ou deitar nas redes e pufes para tirar uma soneca. Pessoalmente, prefiro ligar minha guitarra ou o baixo e tocar com o pessoal no estúdio acusticamente isolado que temos aqui. A empresa bancou uma bateria acústica para o estúdio e dá pra se divertir de montão nesse espaço.

Além desses lances mais "divertidos" o pessoal do RH investiu bastante nesse ano em ações ligadas a saúde. Tivemos uma Semana da Saúde, com vacinação, exames de rotina, avaliação física e outras atividades. Nessa, infelizmente, eu estava viajando e não pude participar. O basicão, tipo exames periódicos obrigatórios, médico disponível semanalmente na empresa e ginástica laboral, também fazem parte das ações ligadas a saúde.

Essas coisinhas fazem com que o grupo trabalhe bem, comprometido, alegre, com níveis baixos de estresse e de forma bem integrada. A equipe é ótima. E aí tem o paradoxo Tostines: a equipe é ótima porque a empresa oferece as condições para isso ou a empresa tem esses benefícios em reconhecimento à qualidade da equipe? Não sei. Só sei que funciona bem.

23 de novembro de 2008

Thunder only happens when it's raining

Estava ouvindo Dreams, do Fleetwood Mac, o grande hit deles, e lembrei de postar sobre a chuvarada, mesmo que sem trovões, que castiga Florianópolis há dias, semanas meses.

As previsões continuam sombrias. Chuva pelo menos até terça-feira. Talvez uma pequena melhora na quarta e quinta. Torço para isso. Meus amigos que moram para o Norte da Ilha estão praticamente ilhados. Um desmoronamento no morro do Cacupé fechou a SC-401. Há suspeitas inclusive de que haja algum veículo sob o monte de terra e rochas.

Meu amigo Guilherme ligou há pouco dizendo que já há 200 desabrigados nas escolas de Canasvieiras e dizendo que faremos coleta de alimentos e roupas para os atingidos lá na empresa. Passei uma parte da noite ligando para quem eu tinha o telefone, mandando SMS e contatando pelo Skype e MSN para pedir que levem doações. Ainda bem que a tecnologia ajuda nessas horas.

[Ouvindo: Songbird - Fleetwood Mac - Rumours]

Novos blogs na lista

A lista de links aí ao lado conta com adições importantes. Coloquei hoje na lista os blogs do Nelson Abu, Guilherme Tossulino, Rafael Leite, Rafael Ziggy, Marcelo Santos, Marcus Rocha e Geisi Ana Ferla. São todos colegas de trabalho. Mas, mais que isso, grandes amigos. Vale a leitura.

[Ouvindo: Dreams - Fleetwood Mac - Rumours]

19 de novembro de 2008

Brincando de ensinar

Nestas duas últimas semanas, andei dando uma de professor. Dei um seminário sobre inteligência competitiva para uma turma de pós-graduação em cenários e estratégias da Fepese, na UFSC. Para mim foi muito legal. Para os alunos... Bem, prefiro esperar a avaliação.

Hoje, comecei um curso interno de fotografia para o pessoal da minha empresa. Parte de nosso programa de gestão da informação e conhecimento. A julgar pelos rostos espantados no final da primeira aula, acho que não me fiz entender muito bem. Vá lá, é meio difícil entender os conceitos de controle da entrada de luz por velocidade e abertura.

E, roubada suprema, no sábado vou apresentar um seminário para uma turma de pós da Univali, em Itajaí. Sabadão, oito e meia. Brabo, mas ainda assim uma oportunidade de divulgar a marca Knowtec e, de lambuja, meu nome como profissional da área de inteligência competitiva. Como diz o título daquel livrinho do Calvin: os dias estão simplesmente lotados.

5 de setembro de 2008

O Processinho (com a licença de Franz K.)

Alguém devia ter difamado Ana P., pois certa manhã, sem que tivesse feito qualquer mal, recebeu a notícia de que seu salário seria descontado em 1%. A notícia veio com o aviso de que pouco poderia ser feito. Era preciso buscar a Repartição para evitar o desconto.

Ana P. não compreendeu na hora as implicações do desconto. Não conhecia a Repartição e não estava familiarizada com os processos, embora fosse letrada e versada, mulher vivida e de perspicácia acima da média.

Ana P. buscou informações, tentou compreender o que todo o processo significava e porque a Repartição tinha que mexer em seu salário. Porque o salário era dela, disso não havia dúvida. Ela trabalhara, ficara com dor nas costas, com a testa marcada por rugas de expressão, perdera compromissos por causa das horas longas no escritório. Merecia o salário. Não 99% dele, mas sua totalidade.

A Repartição, o que havia feito? Os homens de roupa escura, de rostos pesados e semblante raivoso, haviam trabalhado como ela? Ou haviam passado seus dias dedicando-se a tarefas fúteis, a combater batalhas inúteis, a discursas às paredes? Era para isso que queriam 1% de Ana P. Não só de seu salário, mas de seu tempo, Um centésimo da sua vida naquele mês.

Foi com esses pensamentos que a Sra. P. se dirigiu naquele dia à Repartição.

- Bom dia, gostaria de protocolar uma carta solicitando que não seja efetuado o desconto de 1% sobre meu salário.

- Não trabalhamos desta forma - respondeu o homem atrás da mesa.

- É muito simples: tenho aqui duas cópias da minha solicitação. O senhor assina uma, dizendo que recebeu a carta, e fica com a outra cópia, para que não esqueça de não descontar o valor.

- Não assino nada.

- Esse é um padrão usual no recebimento de documentos importantes - retrucou Ana P., que sabia dos meandros da burocracia e das Repartições. Ela havia, um dia, sido uma burocrata.

- Não posso assinar. Não assinamos para ninguém.

- Mas vocês assinaram o recebimento da carta de meus amigos que estiveram aqui ontem.

- Não assinamos, não. E além disso, o seu pedido para que eu assine significa que a senhora não confia em mim. E aqui, nós confiamos nos trabalhadores.

Neste momento, é bom explicar. A Repartição servia, ou deveria servir, para defender os trabalhadores como Ana P. Seu propósito era negociar percentuais, benefícios, vantagens, para que Ana P. e seus colegas fossem felizes e trabalhassem com tranquilidade. Mas nem a Sra. P. nem seus colegas acreditavam que isso acontecesse. As batalhas da Repartição não eram as batalhas deles. Os burocratas lutavam contra forças míticas, como a Alca e a globalização. Desafiavam deuses, como GWBush e FHC. Ana P. e seus colegas queriam coisas simples, como horas-extras, bancos de horas e direito a um plano de saúde. Com psicanalista, claro.

- Você está me chamando de mentiroso - complementou o homem raivoso da Repartição.

- Em momento algum eu disse isso! - alterou-se Ana P. - Tudo o que quero é que você assine a minha carta.~

- Não posso assinar. Não vou assinar.

Por horas, dias e semanas a discussão prosseguiu. Ana P. não soube se havia sido descontada em seu salário. Não viu a sua folha de pagamento, porque estava envolvida em leis e tábuas e mandamentos que pudessem corroborar sua necessidade de que assinassem a carta. Mandava faxes, recebia documentos, lia-os avidamente. Até que foi desanimando e deixou-se entregar como seu parceiro de processo do outro lado do oceano, Joseph K. Quando Ana P. desistiu, no mesmo momento "as mãos de um dos senhores seguraram a garganta de K. enquanto o outro lhe enterrava profundamente no coração a faca e depois a revolvia ali duas vezes".

28 de julho de 2008

37

Hoje, 28, faço 37 anos de idade. Três para quarenta. Não é nenhum milestone nem nada, mas tá um níver meio estranho. Acho que é por que estou passando longe da Lu e completamente sem tempo para os amigos e família.

Estou em Brasília e devo ficar por aqui até sexta-feira. Até lá, estarei postando a minha participação no GeCIC, um evento de gestão do conhecimento e IC, no blog Knowtec no GeCIC.

3 de março de 2008

Jogo interessante

Estou no final do meu MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro, e esta última disciplina é disparada a mais interessante. Chama-se jogo de negócios. Funciona assim: a turma foi dividida em oito equipes, cada uma responsável por dirigir uma indústria de computadores na época da reserva de mercado (lembram, quando não podíamos importar computadores?).

Eu sou o presidente e diretor de produção da minha equipe. Estamos em quatro pessoas e tomamos as decisões sobre quanto produzir, quanto cobrar por cada produto, quanto investir em marketing e pesquisa, aumentar ou reduzir a capacidade da fábrica, contratar ou demitir funcionários, aumentar salários, conceder bônus ou participação nos lucros. Em suma, decidimos quase tudo o que envolve a administração de uma indústria.

A cada três ou quatro dias, nossas decisões são alimentadas num simulador da FGV. O simulador compara as equipes, define a demanda por computadores no mercado, quanto um produto ficou mais atrativo que o outro e dá os resultados. Começamos em último no primeiro mês. Fechamos o primeiro quadrimetres e estamos em quarto. Não considero um bom resultado, mas dá pra encarar.

Nosso principal problema é o lucro. Muito baixo ou negativo. Sinceramente, estou com problemas para controlar os custos de produção, o que afeta os resultados drasticamente. Quanto mais a nossa empresa vende, pior o prejuízo. Mas, tudo bem. Não quebrando antes do final da disciplina, tá bom. Até porque quem falir é reprovado. E já deixei duas cadeiras para trás. Não dá pra ficar mais uma.