8 de março de 2009

Decepção total

Depois de contar os dias para a estréia de Watchmen nos cinemas, veio o desapontamento. Zack Snyder fez caca com um dos argumentos mais legais de todos os tempos. Assisti sexta com a Lu e voltamos decepcionados. Ela nem tanto, mas eu muito. Desde que li Watchmen - em 12 episódios emprestados do Pedro Valente ou do Giuliano Ventura, não lembro bem - que imagino como ficaria essa maravilha dos quadrinhos no cinema.

Anos mais tarde, quando comprei uma bela edição importada - Absolute Watchmen - li pensando em como o texto se sairia bem nas telas. Imaginei uma série de tevê, em película e muito bem realizada. Quando soube que Snyder estava cozinhando um filme baseado nos quadrinhos, me empolguei. O cara já tinha mostrado seu valor em adaptar a graphic novel de Frank Miller sobre a Batalha de Termópilas, 300 (em português, 300 de Esparta). O resultado de 300 ficou excelente e botei fé em Watchmen.

Tanto que fui assistir na estréia. Cinema não muito cheio, um monte de nerds e geeks na sessão e muita empolgação de minha parte. Ruim o filme não é. Tem uma boa trilha, é bem fotografado, os efeitos fazem jus aos desenhos de Dave Gibbons, a Silk Spectre é um arraso de mulher... Mas nada chega ao pé dos quadrinhos. Exceto pela beleza da atriz que faz a Silk Spectre.

Mas os demais atores são fracos. Ozymandias é fraquíssimo. Trata-se de um cara importante pra caramba na história e o papel não coube no ator. O melhrozinho é o cara que interpreta Rorschach. Enfim, se você não for fã dos quadrinhos de Moore, não vale a pena ver. Por outro lado, se nunca leu Watchmen, talvez goste do filme. As expectativas não estarão tão altas quanto estavam as minhas.

5 de março de 2009

Finalmente

Ontem o meu Puma foi para a restauração, finalmente. Depois de duas tentativas - uma antes de viajar para a China e outra logo na volta - consegui iniciar o processo de recuperação do carrinho. Em junho de 2008, procurei o João do Puma para tentar deixar o carro com ele enquanto eu viajava. Ele não tinha espaço na oficina para o meu carro e tive que trazê-lo de volta para a garagem. Na segunda visita ao João, em agosto, fiquei sabendo que ele havia sofrido um infarto e parara de trabalhar com a restauração dos puminhas.

Desde então, venho procurando um novo restaurador. Em meados de fevereiro, encontrei o Fausto, pumeiro que já restaurou alguns carros em sua oficina na Praia da Armação. Estive lá e gostei da oficina do cara. Parece fazer um bom trabalho. Bem, de qualquer forma não tenho muita alternativa. E além disso, ele veio indicado pelo próprio João do Puma.

Ontem ele e o filho, Felipe, estiveram no meu trabalho pegando o Puma. Levaram para a oficina e já iam começar o trabalho de desmontagem. Vou mexer com tudo, desta vez. Agora, só ligo o motor de novo e sento ao volante do carro com ele totalmente restaurado. Coisa que deve levar pelo menos quatro meses. Se ficar pronto mais ou menos na época do meu aniversário, será um belo presente.

Estagiários felizes

A minha empresa começou nesta semana um programa de estágio. O pessoal de marketing e RH veio com umas idéias bem legais. Fizeram um site divertido e um videozinho. Quem quiser dar uma olhada, acesse www.estagiosemsofrimento.com.br.

4 de março de 2009

Desisti

Não deu. Tá muito caro e me falta companhia para ir ao show do Deep Purple, amanhã, aqui em Floripa. Outra coisa que me desanimou um pouco foi saber que venderam mais ingressos do que estavam esperando. Muvuca não é comigo. Uma pena. Provavelmente a chance que eu tive de ver o Deep Purple passou - ou passará amanhã.

Não que eu seja um fã ardoroso dos caras. Gosto. Especialmente deste disco que estou ouvindo agora - Machine Head - que considero um dos melhores de rock de todos os tempos. Ainda assim, fico meio desanimado de não ir ao show. Paciência. Outros virão.

[Ouvindo: Highway Star - Deep Purple - Machine Head]

10 de fevereiro de 2009

A-E-I-O-U

Estou num treinamento de desenvolvimento de líderes a semana toda em São Paulo. Cheguei no domingo e só volto na sexta pra casa. Mas não é exatamente sobre o programa que quero falar. É sobre o que aconteceu hoje à noite.

Lá pelas cinco e meia da tarde, começou, dentro do evento, um show de palhaços chamado "Jogando no Quintal". Uns caras que fazem improviso teatral de comédia. Divertido, mas meio fora do contexto de um treinamento desses.

Mas o mais engraçado do negócio foi que o meu colega Moriael foi escolhido para ser parte da performance. Uma das garotas da trupe disse que ele era o homem das "vogais incertas".O nome incomum chamou a atenção dela. Só niso já rimos um bocado, mas me deitei de rir quando outro dos palhaços chamou o Mura de A-E-I-O-U. Putz, eu e os demais da nossa empresa que participam desse treinamento se dobraram de rir. Tomara que o apelido pegue.

7 de fevereiro de 2009

A chegada do Krampus

Primeiro, uma explicação: Krampus é o nome de um diabinho que atormenta as crianças antes do Natal. É um costume austríaco e tomei contato com essa tradição quando estive em Viena pela primeira vez. Até trouxe uns bonecos do Krampus de lá. Um deles enfeita a caminha do Xavier.

Mas Krampus também é o nome que sugeri para o chihuahua de meus pais. E eles aceitaram a idéia. O cachorrinho nos foi entregue hoje pelo criador, Vilmar, do Canil Lucesar e é o presente de Natal meu e da Luciana para minha mãe. O cãozinho tem apenas 64 dias mas mostrou que merece o nome. É um capetinha e certamente vai agitar a vida dos meus velhos lá em Balneário Gaivota.

Hércules, passeando no meu apartamento Eles já têm um chihuahua cruzado com pinscher, o Hércules. Um verdadeiro herói, o Hércules: quando tinha cerca de 30 dias, teve cinomose, uma doença canina com 95% de fatalidade. Sobreviveu, mesmo com sequelas. Há seis anos ele tem uma patinha paralisada e problemas neurológicos que o deixam bem pouco sociável e o fazem ter convulsões. É o linguarudo aí da foto ao lado.

Como seria de se esperar, Hércules é um cão apático. Não brinca, não pede carinho, não age como cachorro. Por isso, resolvemos dar um outro cachorrinho para meus pais. A escolha recaiu sobre um outro chihuahua. Dessa vez de pêlo longo. Nascido em 5 de dezembro, dia de Krampus na Áustria, o novo cãozinho é ativo e bagunceiro. Nesse momento, aquietou-se dormindo entre meu pai e minha mãe. Mas brincou a tarde toda. Dá pra ter uma idéia pelo vídeo abaixo.

2 de fevereiro de 2009

Tirando o atraso

Cara, foi lindo! Um final de semana de cinema aqui em Floripa. Solzão, céu claro, vento perfeito. Não queria mais nada. Era um final de semana que prometia uma bela velejada. Já na sexta à noite comecei a catar um proeiro para sair sábado com o Gostosa.

Giorgia foi a escolhida. Saímos da marina em torno de 10h30min e velejamos até às 14 horas, mais ou menos. O porém é que mais uma vez a vela não subiu totalmente. Mesmo trocando adriças, lubrificando roldanas, fazendo o que dava pra fazer.

Depois da velejada, que mesmo com a vela "rizada" foi excelente, eu subi a vela no seco. Com muita força - ajuda do pessoal da marina - conseguimos desobstruir o caminho da vela. Tinha alguma coisa trancando a calha do mastro.

Com isso resolvido, fiquei empolgado em repetir a dose no domingo. Dito e feito: convoquei o Carlito e o João Manoel, meu primo mais novo, para sair. Embarcamos às 14h30min e velejamos até 17h45min.

Vento forte até passarmos o Ratones Grande e nos aproximarmos um pouco do continente. Duas cambadas e rumamos para o finalzinho do Sambaqui, quase no mangue da Daniela. Uma parada para banho de mar e tocamos o barco de volta para a marina. Uns jaibes e um tempinho surfando em asa de pombo e chegamos de volta.

Duas saídas num único final de semana. Feito inédito que se reflete agora nos meus peitorais doloridos e nos abdominais cansados. Mas felizes.

Carlito (esq.) e João Manoel tomando banho de mar com as ilhas de Ratones ao fundo

[Ouvindo: Teenage Lobotomy - Ramones - Hey! Ho! Let's Go - Anthology (Disc 1)]

28 de janeiro de 2009

Seis segredos

Atendendo a convocação do Maurício, listo seis coisas sobre mim. O Maurício encarou como segredos, mas as blogueiras que o convocaram para essa brincadeira, pensaram diferente. Eu vou no espírito delas. Segredos são segredos, melhor não mexer.

Primeiro, as regras para o jogo:

  • Colocar o link de quem te indicou para a brincadeira. Check!
  • Escrever as regras para deixar o jogo mais claro. Check!
  • Contar seis fatos aleatórios sobre você. Listo abaixo.
  • Convocar seis blogueiros para fazerem o mesmo. Os convocados estão no pé do post.
  • Avisar os convocados. Vou avisar pelos comments.

Agora, tchan-tchan-tchan, vamos às revelações:

  1. Estou fazendo tratamento para queda de cabelo. Sabem como é: até a Mona Lisa fica velha.
  2. Rôo os cantos dos dedos, às vezes até sangrar. Disgusting, eu sei.
  3. Já fui apaixonado pela mãe de um amigo meu. Faz tempo, portanto sosseguem o facho.
  4. Gosto de música "gay", tipo Village People, Gloria Gaynor e afins.
  5. Ronco. Às vezes bastante.
  6. Não sei a tabuada.

É isso. Nada escabroso, né? Agora, vamos lá, dona Carol, seu Marcelo, mestre Rafa, gaudério Palermo, afilhado Magoo e dom Marquito. A bola tá com vocês.

[Ouvindo: I Will Dare - The Replacements - Let It Be]

27 de janeiro de 2009

Céu do cerrado

Ontem, quando cheguei a Brasília, estranhei a cor do céu. O azul da época da seca foi substituído por uma interessante variação de tons de cinza, laranja e azul. O clima aqui no Planalto Central é estranho. No verão chove e fica mais frio do que no inverno. O azulão do céu vai embora e fica essa imagem aí embaixo. Como eu gosto de coisas diferentes, gosto mais do céu assim do que aquele azul bidimensional de alguns meses atrás.

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25 de janeiro de 2009

O curioso filme de David Fincher

Nos créditos finais de O Curioso Caso de Benjamin Button, eu descobri o porquê do filme ser tão bom. Lá está o nome do cara: David Fincher. Explico: um dos filmes preferidos é Clube da Luta, também dele. O cara não é muito prolífico, fez poucos filmes ao longo da carreira de cineasta, mas quando trabalha, mostra a que vem.

Benjamin Button, com Brad Pitt e Cate Blanchett nos papéis principais, é excelente. Teve gente - não vou dizer quem - que chorou do começo ao fim do filme. Mas realmente, a história toda é tocante e muito bem contada. Não tem o ritmo alucinante de Clube..., mas ainda assim passa longe da monotonia. Recomendo assistir.

Como em Clube, Fincher foi atrás de uma boa história para realizar um bom filme. Da novela de Chuck Palahniuk, o diretor fez um filme que é um tapa na cara do espectador. A idéia de um clube de homens brigando que depois se torna uma espécie de seita ou grupo paramilitar para derrubar o sistema financeiro é doida e foi contada de forma maluca no filme.

Já com Benjamin, Fincher adaptou um autor mais clássico: F. Scott Fitzgerald. De lá saiu o belo filme que tanto me emocionou. Ainda não li esse conto, mas vou procurar para fazer a comparação. Agora pára de ler e vai assistir, vai.

17 de janeiro de 2009

100 discos muito legais

Ganhei do Mau e da Cris um livro muito legal: "100 Greatest Albuns". Editado pelo VH1, um canal de tevê com foco em rock e pop do século passado, é uma compilação de votação realizada com 700 artistas norte-americanos, que montaram uma lista com seus discos preferidos de rock e pop.

Da lista, tenho apenas 38. Achei meu aproveitamento pífio. Claro que a lista não reflete meus gostos pessoais. Há uns quatro ou cinco álbuns de rap ou hip-hop. Não gosto desse estilo de música. Mas, ainda assim, tem muita coisa que me interessou ouvir.

Mas, ainda mais interessante, me empolguei a escrever de novo sobre música. Os que acompanham a construção dessa casa a mais tempo, talvez lembrem que andei postando minha própria lista e alguns comentários sobre álbuns. Devo baixar ou comprar (mais provável: baixar) alguns dos discos sugeridos pelo livro do VH1 e dar um "tapa" na minha seleção. Portanto, aguardem mais opiniões musicais por aqui.

14 de janeiro de 2009

Single serving friend

Flying is getting harder and harder. My flight to Sao Paulo was scheduled to leave Florianopolis today at 4:40 pm, but a heavy rain closed Congonhas airport. After I and the other passengers already got into the plane, we were asked to get back to the gate and wait for a new call.

Ten minutes after we've boarded for the first time, a baby started to cry. I was seated in 1C and the baby was on the second row. Once the doors were closed, she asked to seat next to me, in 1B. By that time I foresaw a long journey, with a baby kicking and screaming by my side.

However, the baby, Davi, and his mom, Pabline, were really nice. After we started talking, I remembered a passage from Fight Club, that movie with Brad Pitt and Edward Norton. When the characters of the two actors met, Norton tells Pitt that he's a good "single serving friend". He uses this expression as a way to express how everything in a plane is single serving.

Pabline, a young widow, only 26 years old, and his son 11 months old were my single serving friends during this ordeal that has not ended yet.

13 de janeiro de 2009

Yoga não é mole não

Essa semana eu viajo para Brasília e São Paulo. Saio amanhã à tarde e volto na sexta à noite. Por causa disso, fiz yoga dois dias seguidos, para compensar a aula que vou perder na quinta. Segunda, fiz na empresa. P1030580 Hoje, na Praia Mole. Terça-feira passada tinha ido na Mole para a prática, já que é meu professor, o Ricardo Melo, quem dá as aulas de yoga no Floripa Tem. Naquele dia deu um baita dia de sol e a prática foi ótima. Hoje, infelizmente, a chuva atrapalhou, mas ainda assim deu para fazer uma boa parte da aula. Além de mim, estavam lá a Cris e a Nanda. A fotinho taí (by Nanda) e não me deixa mentir.

Mas é dureza fazer dois dias seguidos. Na semana passada, também chutei o balde. Depois da aula de quinta, resolvi recuperar o squash de quarta-feira na quinta, depois do yoga. Joguei 20 minutos e não conseguia mais erguer o braço ou os pés. Não adianta. Por mais que eu tente, aquele pique de antigamente não volta jamais.

12 de janeiro de 2009

Livros e música dizem muito sobre você

Li no Vida de Frila, do Mau, umas perguntinhas sobre que tipo de literatura marcou sua vida. Seguem as minhas respostas. Comentários seguem depois.

1. Livro que marcou sua infância: A Volta ao Mundo em 180 Dias (Jules Verne)
2. Livro que marcou sua adolescência: Histórias de Cronópios e de Famas (Julio Cortázar)
3. Autor que mais admira: Cortázar
4. Autor contemporâneo: Cortázar
5. Leu e não gostou: Diário de um Mago (Paulo Coelho), O Segredo (Rhonda Byrne), um do Lair Ribeiro que já nem lembro o nome. Bem, tem que ler pra conhecer, né? 
6. Lê e relê: Histórias de Cronópios e de Famas. Releio direto, sempre que preciso de um pouco de inspiração para escrever. Funciona.
7. Mania: Não consigo anotar nada num livro. Se tiver que ler algo e ir marcando nas margens ou grifando o que for relevante, tiro xerox da parte que preciso, mas não escrevo nas páginas.

Bem, como dá pra notar, Cortázar é o cara, pra mim. Mas não é bem isso que eu queria comentar. Lendo a lista do Mau, me dei conta de que dá pra fazer o mesmo com músicas. O pessoal lá na empresa estranhava - agora já acostumaram - com o fato de eu perguntar aos candidatos a uma vaga na minha equipe que tipo de música eles curtem. Dá pra se saber um pouco sobre a pessoa sabendo o que ela escuta e o que lê.

Então, a versão musical pop do mesmo questionário:

1. Música que marcou sua infância: Verde Vinho (Roberto Leal). Cantava essa música nas festas da família. Se bobear ainda sei a letra.
2. Música que marcou sua adolescência: Tempo Perdido (Legião Urbana). Era pegar o violão e alguém puxava essa música. Aprendi fácil e toco até que direitinho, então passou a fazer parte do repertório. 
3. Intérprete ou banda que mais admira: The Beatles
4. Intérprete ou banda contemporânea: Foo Fighters
5. Ouviu e não gostou: Osvaldo Montenegro (chato), Kraftwerk (repetitivo), além de sertanejos pop e pagodes em geral
6. Ouve sempre: The Beatles 
7. Mania: Organizar os cds e os discos de vinil em ordem de lançamento, por bandas ou temas. A Luciana odeia. Nunca sabe que a trilha de ET (1982) vem antes de Uma Secretária de Futuro (1988), dentro das trilhas de cinema, que fica logo na frente dos discos dos Beatles. Fácil.

Não foi dessa vez

Juro que tentei, mas não deu para inaugurar a nova adriça, o controle da esteira da vela grande e o flutuador de tope do Gostosa. Sábado e domingo foram dias de clima incerto em Floripa. Nada recomendável para uma velejada. Vai ficar para o final de semana que vem.

Se der, porque preciso ir até a Costa da Lagoa procurar uma casa para alugar no carnaval e também a Blumenau, levar meus pais para conhecerem o chihuahua que a Lu e eu demos a eles de Natal. O bichinho está no canil ainda, mas minha mãe está morrendo de vontade de conhecê-lo.

Isso e mais uma viagem a Brasília e São Paulo no finalzinho da semana devem ocupar meus dias. 2009 começa a todo vapor. Isso é bom. No time to think stupid toughts.

Mais links

Dois links novos aí na modesta lista da direita. Nanda na Holanda é o blog de uma amigona que conheci há pouco, no trabalho. Mas já é amigona, porque a Fernanda é uma daquelas pessoas com quem a gente conecta num instante.

O outro é o blog da Adriane Canan. Ou Adri. Nos conhecemos há muito e desde que ela voltou para Floripa, temos nos visto com mais frequência. Agora, devo visitá-la mais. Se não ao vivo, pelo menos no blog Gato e Passarinho.

6 de janeiro de 2009

Primeiras postagens

Vinha preparando um continho de mais fôlego desde o início de dezembro e achei que valia o esforço de terminar essa noite para inugaurar o blog, versão 2009. Não muda nada, mas a gente tem essa mania de botar marcos nas coisas. O resultado da minha batalha contra o sono e o cansaço tá no post abaixo.

[Ouvindo: Woman - Wolfmother - Wolfmother]

5 de janeiro de 2009

Cinza

Quando a neblina chegou, o mar era seu único companheiro por dois dias. O cinza úmido engoliu o barco, adensando-se pouco a pouco. Para João, era só mais uma neblina forte, uma das muitas que ele havia pego nas suas aventuras. Vivia de navegar. Transportar veleiros de uma marina a outra. Dessa vez, era um belo barco. Dava gosto de navegar. Um Benetau Océanis 400. Um veleiro oceânico de 40 pés, fabricado em 1996, em estado de novo. Seu cliente havia comprado o barco na Argentina e contratado João para levá-lo a Florianópolis.

Cinco dias antes da neblina o engolir, ainda no Iate Clube de Puerto Madero, João fez uma revisão geral no Da Vina, o nome atual do veleiro. Ergueu o barco no travel lift, fez uma cuidadosa inspeção do casco, leme, hélice e quilha. Por dentro, observou qualquer sinal de osmose, de infiltração ou rachadura e deu uma geral no motor. Não queria ser pego de surpresa no caminho até Santa Catarina.

Bem equipado, o Da Vina contava com um completo sistema de navegação, com radar, sonda, GPS, piloto automático e anemômetro. Dois de cada um. O antigo dono era quase tão paranóico com segurança quanto João. Certamente devia ter feito longas travessias com o barco. Era a única razão para investir tanto em equipamentos.

Depois de se certificar que o veleiro suportaria bem a viagem, João tratou de torná-la confortável. Com o dinheiro que seu cliente lhe deu para despesas, comprou duas garrafas de um bom Malbec argentino, provisões secas e frescas e voltou para o hotel. Ia dormir bem essa noite, para estar atento durante toda a saída do Prata. Sonhou com tango e tangas. Em breve estaria em casa de novo, tomando sol na praia e com bons 30 mil reais a mais no bolso.

No dia seguinte, ao raiar do sol, João e Da Vina já estavam velejando. Os panos totalmente içados, caçados, aproveitando o pouco vento na saída do iate clube. Esperava mais vento ao seguir o curso do Prata rumo ao Atlântico. Menos de duas horas depois de sair, a velejada começou a ficar interessante: ventos de 30 a 35 nós e um bom rendimento do barco. Claro, era um Benetau, bem construído, bem equipado. Um barco como João teria um dia, tinha certeza.

A roda de leme respondia bem, as velas trimadas e as catracas ao alcance do timoneiro. Nesta travessia era essencial saber o papel de cada cabo, de cada moitão, de cada manilha. Sozinho, João não podia errar. E não iria. Para começar, nunca foi de arriscar. Correr regatas não era o seu forte. Não gostava de estressar os barcos, levá-los ao limite. E essa característica era justamente o que os clientes gostavam tanto em João. Contratá-lo para transportar um barco era seguro. Ele não ia exagerar, não ia "dar um pau" no barco.

Depois de quase 14 horas velejando, o Da Vina atracou no Yatch Club Uruguayo, em Puerto de Buceo, em Montevideo. João dormiu no barco mesmo, cansado da longa travessia entre as capitais. Tinha muita água pela frente, mas estava contente. Sonhou com carros velozes, bons vinhos e belas mulheres.

Sorria ao acordar, já com o sol alto no horizonte. Estava tarde para vencer mais uma etapa de sua viagem, mas não se importou com isso. Fez uma boa refeição, se despediu dos marinheiros uruguaios que conhecera e partiu novamente. Faltava pouco para sentir o cheiro de maresia.

Quando finalmente passou pela Isla de las Flores, três horas depois de partir, sentiu a brisa marinha no rosto, acompanhada de uma sensação de estar em casa, no seu elemento. Havia uma neblina leve, típica da região. Para ganhar velocidade, João moveu a roda do leme, ajustando o curso para Este-nordeste. As velas encheram mais e o barco começou a se comportar como o excelente cruzeirista que era, enterrando a proa nas ondas mais altas, singrando até as vagas mais violentas.

Com o piloto automático ajustado, João entrou na cabine para preparar algo para comer e ler um pouco. Descansar da roda do leme, do sal, do sol e do sereno. Sentou-se, comeu com calma e pensou em quão fácil seria a travessia. Mais um dia inteiro de velejada e estaria no Brasil. Ficaria feliz em ver o Farol da Barra do Chuí, o primeiro sinal brasileiro visível do mar para quem vem do Sul.

A noite daquele dia foi tranquila. Bons ventos, o barco quase que o tempo todo em piloto automático, nenhum sinal de risco no radar - João tinha muito receio de encontrar um navio grande na sua rota e a possibilidade de colisão, ainda que ínfima, era assustadora.

O dia seguinte teve um pouco de neblina ao amanhecer, que logo se dissipou. Da roda do leme, foi possível ver baleias e um cardume de pinguins. Ao longe, avistava a bela paisagem do nordeste uruguaio. O Farol de La Paloma, já bem próximo à fronteira com o Brasil. Mas os ventos amainaram e o Benetau perdeu rendimento. O Nordeste que tocava o barco numa orça apertada, obrigando João a cambar constantemente se transformou num Sul razoavelmente fraco. Tão fraco que nem parecia Sul. Coisas do aquecimento global, pensou o marinheiro.

João caminhou até a proa, armou o balão assimétrico, recolhendo a genôa no enrolador. Agora o barco era um ponto vermelho e laranja para quem olhasse de terra. Toda atenção era necessária. A grande área vélica da vela de proa poderia causar um acidente numa rajada mais forte ou numa alteração brusca de rumo. João seguiu assim, cansado de tanta concentração, até começar a entardecer. O pôr-do-sol veio encontrá-lo na proa do Da Vina, recolhendo o balão e desenrolando a genôa. Agora, durante a noite, o piloto automático iria tocar o barco. Melhor descansar.

No cockpit, um piquenique: uma garrafa de Malbec, torradas com caviar. Sevruga, claro. Cortesia do cliente, que concordara em bancar as despesas de alimentação da viagem. Depois de três taças, João sentia o efeito entorpecedor do vinho argentino, mas ainda assim reagiu à nova mudança na direção do vento. O Sul fraco virou um Nordeste fraco. Pequeno ajuste no rumo, na trimagem das velas e o barco estava pronto para seguir sozinho.

Seguiu, sozinho, rumo à neblina. João sentiu a umidade quando se despia para dormir. Uma neblina forte, estranha. Fechando a cabine hermética, João se separou da umidade e dormiu um sono inquieto. Sonhou com escuridão, com brigas e que caia do céu no meio de nuvens que não acabavam mais.

Acordou cansado e abriu a gaiúta e a porta para o cockpit. A neblina estava forte lá fora e a umidade invadiu a cabine. Era dia, mas tudo estava tão cinza que podia ser noite. João podia ver piscar as luzes de navegação no meio da umidade cinza. Mais nada. Não enxergava o Farol de Chuí, embora o GPS indicasse que estava bem próximo dele.

João seguiu navegando pelo GPS, torcendo para a neblina dissipar o suficiente para enxergar Santa Vitória do Palmar, a Praia do Hermenegildo, alguma coisa que fosse familiar. Mas nada. A neblina seguia ficando mais densa, mais densa, mais cinza, mais úmida.

Pelo seu relógio, já seria meio-dia, mas o disco do sol não vencia a neblina. João não vencia a neblina, por mais que apertasse os olhos, franzisse o cenho para enxerga um pouco mais que os enroladores na proa. No relógio, o tempo foi passando devagar. No oceano, mais devagar ainda, numa calmaria irritante.

Mas o velejador sabia se controlar. Não era a primeira vez em que ficava sozinho e entediado no mar. Bastava não brigar com o mar. Ninguém ganha essa briga. Entrou na cabine, pegou um livro e começou a ler, tentando despreocupar-se. Contudo, de vez em quando, olhava para o GPS e o radar. O barco avançava lentamente. Lento demais para o seu tamanho. Lento demais para os ventos que normalmente sopram naquela região.

O dia passou devagar, mais devagar do que o avanço do barco no meio da densa neblina. João foi dormir preocupado. Era seu terceiro dia no mar, o quarto velejando e mal havia chegado ao Brasil. Se o vento tivesse ajudado, já estaria passando a divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na Barra do Mampituba. Estava longe, ainda.

Depois de um sono nada reparador, João acordou mais cansado do que o dia anterior. Abriu a porta da cabine para o cockpit e a neblina invadiu o interior do barco, como se fosse uma entidade com vida própria. Tudo ficou acinzentado aos olhos de João. As telas dos eletrônicos, o inox do fogão, a sua própria pele. A umidade forte demais incomodava os olhos, como se João estivesse tentando mergulhar sem cerrar as pálpebras.

João podia sentir a neblina. Entendeu a velha hipérbole: aquela era uma neblina que se podia cortar com uma faca. E o Benetau começou a cortá-la mais e mais. O vento começou a soprar com mais força, o suficiente para João ouvir o barulho do casco singrando o mar. O suficiente para o barco adernar à sotavento e o velejador sentir o caturro.

Em vez de animar-se, João preocupou-se. Não havia modo de enxergar à frente. Aproximou o rosto dos eletrônicos. Sabia que eles funcionavam pelo calor que o LCD emitia, mas não conseguia ver nada. Nem colando os olhos no display era possível enxergar algo. Nada era visível agora. Só um cinza que cobria tudo. Tudo mesmo.

A impressão que João tinha era de que havia ficado cego. Tateou pelo barco, procurando as catracas. Encontrou a que julgava ser do grande e seguiu o cabo até o stopper para soltar a vela. Recolheu o pano completamente, e, sempre tateando, fechou a capa. Fez o mesmo com a genôa. Estava sem velas. Não podia ficar assim, à deriva. A neblina estava deixando ele nervoso. Jamais, em todos os seus anos de vela, tinha feito isso: baixado todas as velas sem ligar o motor. Felizmente, depois da segunda tentativa, o ronco e o cheiro do diesel encheram o ar.

Mas, ir para onde? Não tinha como se orientar, como seguir navegando. João tinha certeza de que os eletrônicos estavam em modo de alarme. Ou seja: se algum obstáculo aparecesse no radar, um sinal sonoro o avisaria. Se a profundidade chegasse próxima a três metros, também soaria um alarme. Com o motor na velocidade mínima, João continuou avançando. Muito, mas muito devagar. Cortando o cinza.

Seguiu nessa faina, cego, por sabe-se lá quantas horas. Não tinha como enxergar o relógio e perdeu a conta dos bips que o Omega dava nas horas cheias e meias-horas. Ligou todas as luzes. Caso fosse noite, seria mais fácil de um navio ou outro barco notá-lo assim. Tudo o que as luzes faziam era colorir um pouco o cinza. De azul, de verde, de vermelho, de amarelo. Dependendo do tipo da lâmpada.

Ele nunca havia visto uma neblina assim tão densa. Ninguém havia visto uma neblina assim. João só sentia o barulho do motor e do casco, o cheiro do diesel e o tato de suas mãos na roda de leme. Não via nada, não ouvia outra coisa. Manteve o barco no rumo com um cabo amarrado num dos raios do timão e foi dormir. Ou tentar dormir. Passou a noite em claro. Mesmo com os olhos fechados, o cinza úmido lhe perseguia.

Não conseguiu dormir, mas manteve-se no camarote de popa por quatro horas, descansando o corpo. Precisaria do descanso quando saísse da neblina. Agora, João contava os bips do relógio. Oito bips depois de ter deitado, levantou-se para o cinza lá fora. Nenhuma mudança na situação.

Ao longo do dia, ou da noite, não sabia ao certo, os ruídos foram ficando mais fracos. Como se a neblina engolisse até mesmo os sons. O ronco do motor foi ficando fraco, a ponto de João se perguntar se ele estava ligado. Uma leve vibração no cockpit indicava que sim. O barulho do casco nas ondas também foi diminuindo de intensidade até sumir completamente. João não via e não ouvia.

Ele se perguntava o que estava acontecendo. Se estava louco, doente, se fora acometido por cegueira e surdez inexplicáveis. Se a neblina não tivesse chegado devagar, acreditaria nessa hipótese. Mas não. O mundo não era negro e sem luz, como o mundo dos cegos. Era cinza e úmido. E quieto, assustadoramente quieto.

O silêncio e a cegueira cinza foram tomando conta de tudo à volta de João. Mesmo o tato nas coisas era embotado pela umidade cinza. João começou a bater-se nas anteparas, a tropeçar nos cabos. Sabia que o diesel não duraria para sempre. Se estivesse avançando a meio nó, já deveria estar em Florianópolis, caso tivesse tomado o rumo correto. Mas aquela neblina tão densa parecia acompanhar o barco onde quer que fosse. João tentou acelerar ao máximo o motor e seguiu assim por dois dias, tentando escapar da umidade gris. Sem sucesso.

Depois de sete dias sem dormir, sem comer direito por não conseguir encontrar as coisas, sem ver, ouvir e sem poder sequer tatear, João encontrou uma solução: amarraria uma bóia na cintura e pularia ao mar, para, dentro da água, abrir os olhos e ver alguma coisa ou ouvir o barulho do motor, sentir a água fria no seu corpo. Ele precisava disso, de ter a certeza de havia algum sentido funcionando. Tato, visão, audição. Qualquer deles servia.

João colocou o plano em execução. Arrastou-se pelo cockpit até o lugar onde achava que haveria uma bóia circular de resgate. Não conseguiu sentir nada, mas agarrou um cabo ou algo que parecia cilíndrico e maleável e seguiu até a borda do barco. Seu corpo chocou-se contra o que pareceu ser o guarda-mancebo. Passou um pé e depois o outro e pulou. Sentiu um choque leve nos pés e depois no resto do corpo. Abriu bem os olhos, mas não havia nada ali. Nenhum ruído, nenhuma cor senão o cinza. A umidade era maior, era verdade. Mas era como se ainda estivesse no meio da neblina, e não imerso no mar. Abriu a boca e sentiu um leve gosto de salgado. Mas era cinza. Tudo cinza.

João largou o cabo que tinha nas mãos e deixou-se afundar devagar. Primeiro abriu bem a boca e tentou respirar. O cinza úmido e agüado entrou boca adentro, invadiu a garganta e a traquéia, encheu os pulmões. Foi ficando mais e mais cinza. Por dentro e por fora. Agora, tudo era cinza. Ou quase tudo. As sinapses e os neurônios, antes de desligarem por falta de ar, se rebelaram contra o cinza. E dispararam informações para todos os lados. Formas, sensações, cores. Sonhos vermelhos, verdes, azuis, amarelos. Calor, frio, choques elétricos, cheiros e sons. Tudo ao mesmo tempo. Afundando no meio do cinza sem fim, João sorriu um sorriso colorido e morreu feliz.

[Ouvindo: White Unicorn - Wolfmother - Wolfmother].

A Casa é 2009

Muito bem, 2008 se foi e 2009 chegou. Como diz uma amiga, chegou "causando". Em vez de retrospectiva do ano que passou, tenho expectativas para o que vem. Quero finalizar meu MBA - ficaram duas matérias para trás -, ganhar novas responsabilidades e conquistar espaço na vida profissional, passar com louvor no checkup anual de saúde, estar por perto das pessoas que amo e continuar com as atividades e hobbies que cultivo. Se fizer isso, tá de bom tamanho.

[Ouvindo: Love So Right - Bee Gees - Greatest Hits [Special Edition] CD1]

26 de dezembro de 2008

Holiday weight

Quem fala inglês razoavelmente bem conhece essa expressão americana. Significa peso de feriado. Pois já no início, senti que se não der uma observada mais de perto no que estou comendo, vou sair dessas festas com um tremendo holiday weight.

Ontem comecei a almoçar às 15 horas e só parei quando era quase seis. Belisca dali, experimenta de lá e a pança vai crescendo. Pra compensar, voltei para casa e saí pra pedalar. Fiz 12,3 km em 40 minutos. Se não tirou um pouco do peso do feriado, certamente tirou um pouco do peso da consciência.

[Ouvindo: You've Got To Hide Your Love Away - The Beatles - Help!]

8 de dezembro de 2008

Dando um trato na Gostosa

O sabadão foi dedicado à Gostosa. Acordei já meio tarde e toquei direto pra marina, no Santo Antônio de Lisboa. Levei duas horas para chegar lá por conta da fila na SC-401. Sabem, o lance do desvio pelo Caminho dos Açores? Pois é.

Cheguei lá sem almoçar, às duas e alguns minutos. Comi uns pedaços de galinha assada que alguns colegas velejadores haviam comprado e meti a mão no barco. Tinha duas tarefas mais "emergenciais": colocar o flutuador de tope que chegou nesta semana e descobrir porque a vela grande não estava subindo até o topo.

Com a ajuda dos dois rapazes da Marina e do Lídio, parceiro velejador, consegui descer o mastro e facilmente instalei o flutuador de tope. Para quem não sabe, trata-se de uma espécie de balão de plástico rígido que fica no topo do mastro. O objetivo é impedir que o barco capote caso vire. A ponta do mastro sempre ficará fora d'água e com mar calmo não chega nem a molhar a cabine com o barco virado. Isso vai me dar mais segurança para explorar os limites do Day Sailer em termos de desempenho.

Com o mastro baixo, pude ver que a adriça do grande - o cabo usado para içar a vela principal - estava meio maltratado pelo sol. Resolvi trocar. Além disso, as roldanas que ajudam a subir a vela estavam precisando de uma lubrificação. Fiz isso também. Claro que eu não tinha 15 metros de cabo pré-estirado à mão para substituir a adriça, mas deixei um cabo fino como guia para passar a nova adriça no final de semana que vem. Nesta semana eu passo no Armazém Náutico do Veleiros da Ilha e compro o cabo novo. Espero que isso resolva a encrenca de subir a vela.

Mas aproveitei o tempo lá para dar mais uma mexida na Gostosa. Uma das coisas que me incomodavam há tempos é que não tinha como regular a esteira da vela grande. A esteira é a parte que encaixa na retranca, perpendicular ao mastro. Já vi, em outros barcos, um mecanismo em que, usando cabos, é possível folgar ou caçar a esteira. Fiz uma coisa assim, usando um cabo de 3mm e um moitão pequeno. Ficou legal, mas ainda não está 100%. Vou ver se acho peças mais adequadas e troco o sistema no próximo sábado, quando for instalar a nova adriça.

Depois de tanto tempo trabalhando no barco, a fome veio com tudo. Botei pilha nos "velejadores de poita" que estavam pela marina e fizemos umas lingüiças na churrasqueira. Muito pão com lingüiça e coca-cola depois, voltei pra casa, já lá pelas seis e meia da tarde. Um baita dia.

[Ouvindo: Smaller And Smaller - Faith No More - Angel Dust]

6 de dezembro de 2008

Conde Giordano

O mais perto que eu cheguei de um nobre, até hoje, foi dos corte nobres de carne que vende no Angeloni. Mas hoje conheci um conde. Fomos, Lu e eu, num jantar harmonizado na Expand do centro e um dos participantes era o conde Giordano Emo de Capodilista, do Veneto, Itália. Além dele, estava a filha de Nino Franco, um dos maiores e mais importantes produtores de prosecco da Itália. Silvia Franco é o nome da moça, uma morena de olhos claros com a maior cara de italiana.

Foi um jantar legal, embora a Lu não tenha gostado muito. Obviamente, o foco era nos vinhos, e não na comida. Como ela não bebe, fica meio sem graça. Mas tudo bem: o jantar saiu de graça pra Lu. No sábado passado, fui comprar uns vinhos na Expand do centro. O casal que é dono ou franqueador das lojas de Floripa estava atendendo - fica a dica: nos sábados é quando o atendimento é melhor nas lojas de vinho - e aí deram a letra do jantar desta sexta. Eu falei que era legal, e tal, mas que tinha que achar um parceiro ou parceira - fica o convite para eventos futuros. Candidatos, usem o espaço de comentários - porque a Lu não bebe. Aí o cara ofereceu uma cortesia para ela. Topamos.

Mas acho que perdi a parceira, porque serviram salmão cru com rúcula de entrada, uma massinha com camarão de segundo prato e um filé com purê de batata baroa como prato principal. Tirando o filé e a massa - o primeiro estava muito cru e o segundo sem gosto, na opinião da Lu - ela não gostou de mais nada. Para sobremesa, serviram um bolinho. Que a Lu obviamente odiou.

Mas os vinhos eram bons. O espumante eu já conhecia. Serviram o prosecco e um rosé muito gostoso. Já o tinto produzido pelo conde eu achei bem razoável. Mas o vinho de sobremesa, também da vinícola do tal conde, é um espetáculo. Não é pra menos: tá saindo por R$ 198,00 na Expand. Acabei comprando uma garrafa de um late harvest botritizado da Concha y Toro por bem menos que isso. Mais para fins de comparação. Como sugeriu o rapaz do atendimento: "Namore um pouco o vinho. Depois de um tempo, você vem e compra". Que comece a temporada de namoro!

[Ouvindo: Charlie Brown - Wynton & Ellis Marsalis - Joe Cool's Blues]

5 de dezembro de 2008

Mulher semáforo

O povo aqui da empresa se mata de rir com as minhas comparações. Dessa vez, ao responder a um comentário de uma colega que reclama de homens enrolados, que ficam cercando, cercando e não pegam ninguém, criei a idéia da mulher que parece um semáforo quebrado.

Explico: trata-se de uma garota que manda sinais aparentemente aleatórios para os caras. Num dia, sinal verde total. Ofuscante. Algo do tipo: "Vem em mim que eu tô facinha". Meia hora depois, vermelhão. Um "sai fora, vê se te enxerga". É hilário. Quem ainda sai à noite, vai pras baladas e tal - gente nova, não um coroa como eu - pode observar esse fenômeno. Aí fica o cara ali, parecendo um motorista chinês. Não sabe se vai, se fica, se arrisca, se disputa. É um jogo, claro. Mas bem que elas podiam colaborar e dar um manual com as regras para os meus colegas homens.

Dá gosto de trabalhar

Como muitos de vocês sabem, eu trabalho numa empresa de inteligência competitiva chamada Knowtec (o site está em reformulação. Fica pronto em janeiro). A sede é em Florianópolis, mas temos escritórios em Brasília, São Paulo e Seattle, nos EUA.

"Tá, e eu com isso", você deve estar pensando. Pensei em postar algo a respeito porque trabalhar na Knowtec tem uma implicação grande pra caramba na minha vida. Não só pelo fato de passar oito a dez horas na empresa, mas porque hoje eu faço muitas coisas não relacionadas ao trabalho por conta do modelo de valorização dos talentos humanos adotado pela empresa.

Por exemplo: duas vezes por semana eu pratico yoga. Temos um professor de yoga que vem até a empresa e dá aulas para duas turmas. Uma pela manhã, bem cedo, outra no final da tarde. É ótimo. Além de mexer e alongar o esqueleto, tira um pouco da tensão e do estresse de ocupar uma posição de liderança de projetos e equipes.

Além do yoga, eu fazia aulas de espanhol pagas integralmente pela Knowtec. Também in-company. Dois anos depois de começar a estudar consegui obter uma boa pontuação no exame de proficiência de espanhol do Instituto Cervantes, o DELE (Diploma de Español como Lengua Extrangera). Tem um povo que faz inglês, com forte ajuda de custo da empresa.

Depois do almoço, dá pra relaxar uns minutos jogando sinuca na sala de lazer, ou, quem preferir, pode aproveitar o Nintendo Wii ou deitar nas redes e pufes para tirar uma soneca. Pessoalmente, prefiro ligar minha guitarra ou o baixo e tocar com o pessoal no estúdio acusticamente isolado que temos aqui. A empresa bancou uma bateria acústica para o estúdio e dá pra se divertir de montão nesse espaço.

Além desses lances mais "divertidos" o pessoal do RH investiu bastante nesse ano em ações ligadas a saúde. Tivemos uma Semana da Saúde, com vacinação, exames de rotina, avaliação física e outras atividades. Nessa, infelizmente, eu estava viajando e não pude participar. O basicão, tipo exames periódicos obrigatórios, médico disponível semanalmente na empresa e ginástica laboral, também fazem parte das ações ligadas a saúde.

Essas coisinhas fazem com que o grupo trabalhe bem, comprometido, alegre, com níveis baixos de estresse e de forma bem integrada. A equipe é ótima. E aí tem o paradoxo Tostines: a equipe é ótima porque a empresa oferece as condições para isso ou a empresa tem esses benefícios em reconhecimento à qualidade da equipe? Não sei. Só sei que funciona bem.

27 de novembro de 2008

Mel e amêndoas

Nunca fui grande fã de mel. Amêndoas, até gosto. Mas a combinação dos dois em Julie é irresistível. Olhos de amêndoa, cabelo de mel. Para ficar ainda mais deliciosa, a pele da barriga é a de um pêssego maduro.

Conheci-a num desses lugares onde não se conhece ninguém, numa estação de metrô, numa fila de cinema, num cubículo de um setor onde não trabalho. Botei os olhos nela e pensei: taí uma pessoa interessante.

Um sorriso pra ela, um sorriso pra mim. Foi só o que precisou. Oi, meu nome é Jim. Oi, meu nome é Julie. Blá-blá-blá e deu. Se era para haver uma conexão, era ali que teria que nascer. E nasceu. E cresceu devagarinho, um, dois, cinco dias depois.

Primeiro um beijo tímido, um roçar de pele, roupas de verão. Depois, um beijo sôfrego, esfregar de sexos, nudez e suor. No dia seguinte, nenhuma palavra. Nada de e-mail, MSN ou Orkut. Telefone fora da área. Nem um sinal. Só uma saudade absurda de mel e amêndoas.

[Ouvindo: Stranger Things Have Happened - Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience and Grace]

23 de novembro de 2008

Thunder only happens when it's raining

Estava ouvindo Dreams, do Fleetwood Mac, o grande hit deles, e lembrei de postar sobre a chuvarada, mesmo que sem trovões, que castiga Florianópolis há dias, semanas meses.

As previsões continuam sombrias. Chuva pelo menos até terça-feira. Talvez uma pequena melhora na quarta e quinta. Torço para isso. Meus amigos que moram para o Norte da Ilha estão praticamente ilhados. Um desmoronamento no morro do Cacupé fechou a SC-401. Há suspeitas inclusive de que haja algum veículo sob o monte de terra e rochas.

Meu amigo Guilherme ligou há pouco dizendo que já há 200 desabrigados nas escolas de Canasvieiras e dizendo que faremos coleta de alimentos e roupas para os atingidos lá na empresa. Passei uma parte da noite ligando para quem eu tinha o telefone, mandando SMS e contatando pelo Skype e MSN para pedir que levem doações. Ainda bem que a tecnologia ajuda nessas horas.

[Ouvindo: Songbird - Fleetwood Mac - Rumours]

Novos blogs na lista

A lista de links aí ao lado conta com adições importantes. Coloquei hoje na lista os blogs do Nelson Abu, Guilherme Tossulino, Rafael Leite, Rafael Ziggy, Marcelo Santos, Marcus Rocha e Geisi Ana Ferla. São todos colegas de trabalho. Mas, mais que isso, grandes amigos. Vale a leitura.

[Ouvindo: Dreams - Fleetwood Mac - Rumours]

22 de novembro de 2008

Gostosa dá a volta ao mundo

Nada de pornô nesse post, só para ficarem avisados. É que o amigão Serginho, de quem comprei meu barco, o Gostosa, me deu uma dica legal ontem. A Volvo Ocean Race (VOR para os iniciados na vela), uma das mais complicadas regatas do circuito de vela mundial, tem uma versão para se jogar online. Inscrevi meu barco ontem, o Gostosa. Claro que largo atrás de todos os outros concorrentes, mas ainda assim estou curtindo a estratégia do jogo.

Obviamente, não é preciso trimar velas, ajustar a escora mais a proa ou popa ou regular a quilha. Basta escolher o rumo e as velas mais indicadas para cada tipo de vento. As trocas de carta de vento acontecem a cada 8 da manhã e da noite. Ou seja, pelo menos duas vezes por dia vou ajustar meu barquinho.

[Ouvindo: Goodbye Stranger - Supertramp - Breakfast in America]

21 de novembro de 2008

Qualidade de som

Nunca tive um fone de ouvido bom. Há muito tempo tive um honesto. Um Leson daqueles grandões, que cobrem a orelha inteira e têm controles de volume separado para cada canal. Faz tempo: o sucesso da época era Beat It, do Michael Jackson.

Pois hoje recebi um adaptador para ligar fones comuns, com pino do tipo P2, no meu celular HTC Touch. Eu uso ele bastante para escutar música e assistir filmes, especialmente nas longas horas de espera em aeroportos. Comprei pelo Mercado Livre. Assim que o embrulho chegou lá na empresa, decidi comprar um fone decente para usar no celular.

Fui no Floripa Shopping na hora do almoço e gastei uma graninha num fone da Philips com pontas de silicone e sistema de cancelamento de ruído. Estou usando ele agora, enquanto posto. Tem um grave excepcional, como nunca tinha ouvido num fone. Como as pontas de silicone entram mais fundo nas orelhas do que os fones comuns, não preciso colocar a música tão alto para ouvir bem. O sistema de cancelamento de ruídos também me economiza uns decibéis, já que reduz a barulheira do mundo lá fora. Agora estou equipado para ouvir boa música no avião.

19 de novembro de 2008

Brincando de ensinar

Nestas duas últimas semanas, andei dando uma de professor. Dei um seminário sobre inteligência competitiva para uma turma de pós-graduação em cenários e estratégias da Fepese, na UFSC. Para mim foi muito legal. Para os alunos... Bem, prefiro esperar a avaliação.

Hoje, comecei um curso interno de fotografia para o pessoal da minha empresa. Parte de nosso programa de gestão da informação e conhecimento. A julgar pelos rostos espantados no final da primeira aula, acho que não me fiz entender muito bem. Vá lá, é meio difícil entender os conceitos de controle da entrada de luz por velocidade e abertura.

E, roubada suprema, no sábado vou apresentar um seminário para uma turma de pós da Univali, em Itajaí. Sabadão, oito e meia. Brabo, mas ainda assim uma oportunidade de divulgar a marca Knowtec e, de lambuja, meu nome como profissional da área de inteligência competitiva. Como diz o título daquel livrinho do Calvin: os dias estão simplesmente lotados.

4 de novembro de 2008

Aeromoça estressada

Atenção bando de filhos da puta: mantenham seu rabos nos bancos e a porra dos cintos afivelados até a completa parada da aeronave. Tenham cuidado ao pegarem suas tralhas no compartimento superior porque a cacalhada pode ter bagunçado durante o vôo. Não esqueçam de porra nenhuma que vocês trouxeram a bordo, inclusive a desgraça desse telefone celular que vocês insistem em manter ligado.

Atention mother fuckers: keep your fat asses in your seats and the fucking seatbelts on until the aircraft comes to a complete stop. Be careful while collecting your junk from the overhead compartment because it could got all screwed up during the flight. Don't forget any shit you brought on board, including the stupid cell phone you refuse to turn off.

15 de outubro de 2008

Difícil

Ela sorria não sorrindo e ele brincava não brincando. Eram assim, meio-meio. Não sabiam ao certo o que estavam fazendo. Ele, jovem, até se entendia que não soubesse direito o que se passava. Já ela, vivida, casada, bem resolvida, estava perdida porque queria estar. Queria, a bem da verdade, se perder nele, em sua juventude.

Mas ele não queria tanto. Não era homem de ser perder por aí, especialmente por uma coroa. Enxuta, inteligente, charmosa, mas acima de tudo uma coroa. O lance dele era ser solteiro, jogar um charminho, brincar com elas como um gato brinca com novelos de lã.

Saíram para brincar um dia. Ela falou algo lisonjeiro e ele desviou.

- Tu é muito querida.

- Querida? Tu vive me dizendo isso. Eu sou mais que querida. Mereço mais, não acha?

- É um jeito de sair pela tangente, de contornar um elogio que não sei como reagir - desconversou, conversando.

- Você é mesmo meio esquivo.

- Esquivo como?

- Às vezes sento colada em você e nada. Nem um roçar mais malicioso, nada.

- Eu sei. Sou meio indelicado nesse ponto, não correspondo.

- É, tu tá é mandando uma mensagem pra mim: não flerta mais comigo, sua coroa.

- Não é isso. Nem considero flerte.

- Mas é.

A partir daí, o papo foi ficando mais sério. E ele se recusava a ceder. Ela, vivida, experiente, não entendia como é que poderia mandar sinais mais claros. E ele fazia que não entendia.

Para quem, como eu, olhava de fora, chegava a ser cômico. E um pouco triste. Fiquei um tempo acompanhando o desenrolar da situação, até que o bar foi enchendo, o barulho encobrindo as conversas e me restou apenas a linguagem corporal para acompanhar.

Ele se fazendo de difícil, ela não entendendo quão difícil era. Mas aparentemente, as coisas deram certo. Saíram juntos, meio abraçados - ela enlaçada nele, ele com as mãos nos bolsos. Sorrindo e comentando trivialidades ao passar pela minha mesa. Entraram no mesmo carro trazido pelo manobrista e partiram. Espero que para um final feliz, num motel qualquer numa rodovia próxima.

7 de outubro de 2008

Relatividade

Em Fortaleza por dois dias me ocorreu uma idéia. Se um casal de pessoas lindas de Praga caísse aqui, seria considerado bonito? E se um casal tipicamente cearense caísse em Praga, seria considerado feio? A beleza é relativa? Não cheguei, obviamente, a uma resposta. Mas aqui, capital do Ceará, é o lugar para se pensar em beleza.

Há mulheres com corpos perfeitos nas ruas. Magras, barrigas lisas, mas com feições bem poucos agradáveis aos meus olhos sulistas. Ontem fui ao tal Bar do Pirata, da Praia de Iracema, depois do trabalho. Povinho bem feio. E dizem que é frequentado principalmente por turistas. Ainda assim...

Não quero ser chato, mas não vejo a hora de chegar ao Rio. Conheci muita gente boa aqui em Fortaleza e fui muito bem recebido pelos colegas de trabalho e nos lugares onde estive. Mas no Rio - violento, perigoso, engarrafado, poluído - ainda estou mais casa do que aqui. E mais perto de casa também.

1 de outubro de 2008

Parágrafo de idéias

Lâmpada para escurecer, sapato de dormir, óculos de chuva, bolinho de pipoca, copo de gelatina, arroz de chocolate, mamadeira de vinho, bloco de notas de plástico, DVD comestível, relógio de braço.

11 de setembro de 2008

Me atolei

A Lu e eu pegamos pesado essa noite e vamos dormir levemente endividados. A Saraiva está com uma promoção de aniversário no site, dando descontos em diversos itens, frete grátis e permitindo pagamento em até 12 vezes no cartão. Aproveitamos para dar uma atualizada na biblioteca.

Infelizmente, Lost Girls ou Supremo, do Alan Moore não estavam na lista das promoções. Ainda assim, deu pra escolher alguns títulos:

1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer
Shultz, Patricia
Sextante / Gmt

Comer Bem - Edição Revista e Ampliada
Dona Benta
NACIONAL

Dim Sum
Tuttle
TUTTLE PUBLISHING

Easy Bread Machine Baking
Holmes, Shirley Ann
R P J Remainders

Larousse do Vinho
Larousse Brasil
Larousse Brasil

[Ouvindo: Death At One's Elbow - The Smiths - Strangeways, Here We Come]

9 de setembro de 2008

Puma na lista de espera

Tá difícil. Vocês se recordam que o restaurador de Pumas aqui de Floripa, o João do Puma, tinha quebrado o pé antes de eu viajar para a China? Pois é. Quando voltei, pronto para deixar o carro com ele para fazer a restauração completa de fibra e interior, descobri que o coitado tinha sofrido um infarto. Dureza, hein?

Duas semana depois de ele ter infartado, fui fazer uma visita ao João. Ele não vai mais trabalhar em restaurações e fiquei sem ninguém para fazer o trabalho no meu Tubarãozinho 76. Se alguém souber de um bom restaurador de antigos que trabalhe com fibra, por favor me dê um toque.

[Ouvindo: El amor es algo tan incierto - Loquillo y Trogloditas - Tiempos Asesinos]

Cinco anos

Dia 6, sábado passado, a Lu e eu fizemos cinco anos de casados. Um momento bem gostoso. Reavivados pelas férias recentes, estamos nos curtindo muito. Pena que não tenhamos mais tempo um para o outro e para fazer os coisas que gostamos de fazer juntos. Tenho viajado com certa freqüência e nesse período de campanha a Lu trabalha mais do que o usual.

Tivemos nossos altos e baixos nestes cinco anos de casados e 18 de vida juntos. Mas passamos galhardamente por todos. Não podia querer uma companheira melhor.

[Ouvindo: Treinta y tantos - Loquillo y Trogloditas - Tiempos Asesinos]

5 de setembro de 2008

O Processinho (com a licença de Franz K.)

Alguém devia ter difamado Ana P., pois certa manhã, sem que tivesse feito qualquer mal, recebeu a notícia de que seu salário seria descontado em 1%. A notícia veio com o aviso de que pouco poderia ser feito. Era preciso buscar a Repartição para evitar o desconto.

Ana P. não compreendeu na hora as implicações do desconto. Não conhecia a Repartição e não estava familiarizada com os processos, embora fosse letrada e versada, mulher vivida e de perspicácia acima da média.

Ana P. buscou informações, tentou compreender o que todo o processo significava e porque a Repartição tinha que mexer em seu salário. Porque o salário era dela, disso não havia dúvida. Ela trabalhara, ficara com dor nas costas, com a testa marcada por rugas de expressão, perdera compromissos por causa das horas longas no escritório. Merecia o salário. Não 99% dele, mas sua totalidade.

A Repartição, o que havia feito? Os homens de roupa escura, de rostos pesados e semblante raivoso, haviam trabalhado como ela? Ou haviam passado seus dias dedicando-se a tarefas fúteis, a combater batalhas inúteis, a discursas às paredes? Era para isso que queriam 1% de Ana P. Não só de seu salário, mas de seu tempo, Um centésimo da sua vida naquele mês.

Foi com esses pensamentos que a Sra. P. se dirigiu naquele dia à Repartição.

- Bom dia, gostaria de protocolar uma carta solicitando que não seja efetuado o desconto de 1% sobre meu salário.

- Não trabalhamos desta forma - respondeu o homem atrás da mesa.

- É muito simples: tenho aqui duas cópias da minha solicitação. O senhor assina uma, dizendo que recebeu a carta, e fica com a outra cópia, para que não esqueça de não descontar o valor.

- Não assino nada.

- Esse é um padrão usual no recebimento de documentos importantes - retrucou Ana P., que sabia dos meandros da burocracia e das Repartições. Ela havia, um dia, sido uma burocrata.

- Não posso assinar. Não assinamos para ninguém.

- Mas vocês assinaram o recebimento da carta de meus amigos que estiveram aqui ontem.

- Não assinamos, não. E além disso, o seu pedido para que eu assine significa que a senhora não confia em mim. E aqui, nós confiamos nos trabalhadores.

Neste momento, é bom explicar. A Repartição servia, ou deveria servir, para defender os trabalhadores como Ana P. Seu propósito era negociar percentuais, benefícios, vantagens, para que Ana P. e seus colegas fossem felizes e trabalhassem com tranquilidade. Mas nem a Sra. P. nem seus colegas acreditavam que isso acontecesse. As batalhas da Repartição não eram as batalhas deles. Os burocratas lutavam contra forças míticas, como a Alca e a globalização. Desafiavam deuses, como GWBush e FHC. Ana P. e seus colegas queriam coisas simples, como horas-extras, bancos de horas e direito a um plano de saúde. Com psicanalista, claro.

- Você está me chamando de mentiroso - complementou o homem raivoso da Repartição.

- Em momento algum eu disse isso! - alterou-se Ana P. - Tudo o que quero é que você assine a minha carta.~

- Não posso assinar. Não vou assinar.

Por horas, dias e semanas a discussão prosseguiu. Ana P. não soube se havia sido descontada em seu salário. Não viu a sua folha de pagamento, porque estava envolvida em leis e tábuas e mandamentos que pudessem corroborar sua necessidade de que assinassem a carta. Mandava faxes, recebia documentos, lia-os avidamente. Até que foi desanimando e deixou-se entregar como seu parceiro de processo do outro lado do oceano, Joseph K. Quando Ana P. desistiu, no mesmo momento "as mãos de um dos senhores seguraram a garganta de K. enquanto o outro lhe enterrava profundamente no coração a faca e depois a revolvia ali duas vezes".

13 de agosto de 2008

É outro nível

Brasilienses que me desculpem, mas o Rio é outro nível. Trabalhar aqui dá até gosto. Ontem, como parte do evento de que vim participar, fui a um show da Blitz no Morro da Urca. Ouvir "A Dois Passos do Paraíso" olhando o próprio pedaço do céu que é a Baía da Guanabara é uma coisa Mastercard: não tem preço.
Hoje, tomamos - Carine, Rodrigo e eu - o metrô e fomos dar uma caminhada no calçadão de Copacabana. Espetáculo! Agora, estamos os três tomando uns drinks - coisa antiga, isso - no terraço do hotel, de frente para os arcos da Lapa. Inveja? Normal.

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31 de julho de 2008

Saudade de casa

Essa cidade me faz mal. Não é que eu odeie Brasília, mas definitivamente não gosto. Cheguei na segunda e desde terça, tenho crises de rinite. Meu nariz stá vermelho e assado. Dolorido.

Para completar, o evento que vim assistir - 2º Congresso Ibero-americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva - está fraquinho. Dos quatro dias, só foi realmente aproveitável a manhã de segunda e a de hoje. Alguma coisa da tarde de hoje também.

Pelo menos tem a noite, para fazer uma coisa diferente. Ontem, fomos - estou acompanhado de Carol, que trabalha comigo - ao Park Shopping e demos uma chegadinha na FNAC. Comprei um quadrinho do Alan Moore, Top Ten Contra o Crime. Não é Watchmen, mas já serve pra passar o tempo. Fiquei doido para comprar Do Inferno, do mesmo autor, mas ia ficar muito caro. São quatro volumes.

Na segunda também pude aproveitar um pouco. Assisti Kung Fu Panda. Vale a pena. O desenho é divertido e depois de ir para a China ficou interessante ver como os filmes tratam a cultura de lá. Sábado, quando fnalmente estiver de volta em casa, vou com a Lu ver a segunda sequência de A Múmia. Se passa na China.

28 de julho de 2008

37

Hoje, 28, faço 37 anos de idade. Três para quarenta. Não é nenhum milestone nem nada, mas tá um níver meio estranho. Acho que é por que estou passando longe da Lu e completamente sem tempo para os amigos e família.

Estou em Brasília e devo ficar por aqui até sexta-feira. Até lá, estarei postando a minha participação no GeCIC, um evento de gestão do conhecimento e IC, no blog Knowtec no GeCIC.

14 de julho de 2008

Velocidade

No final de semana consegui que a Brasil Telecom mudasse a velocidade do meu ADSL de 800 Kbps para 2 Mbps, mantendo o mesmo preço - na real, até um pouco mais barato.

Os caras tinham feito essa oferta antes de eu viajar, mas não dava, na correria que a Lu e eu estávamos, para atender um técnico aqui. POis no sábado o técnico ligou dizendo que estava trocando a porta do ADSL na central para aumentar a velocidade.

Na mesma hora minha conexão parou de funcionar e não voltou mais. Fucei a manhã inteira, depois de pedir uma visita técnica da BrT. Mas lá pelo meio-dia consegui configurar o modem e a conexão para os novos parâmetros. Mas não senti muita mudança na velocidade. Só nos downloads mais longos, mesmo. Naquelas coisas do dia-a-dia, ficou igual. Mas va lá, economizo R$ 5,00 por mês.

[Ouvindo: Since I've Been Loving You - Led Zeppelin - Led Zeppelin III]

Tirando o pó

Cof, cof, cof... Como esse lugar tá empoeirado! Também, tinha meia tonelada de trabalho, um mês - 34 dias para ser exato - de tarefas acumuladas. Claro que o povo da empresa tocou bem sem mim. Deram um banho. Às vezes eu até acho que mais atrapalho que ajudo.

Mas, agora de volta ao Brasil e já num ritmo mais normal, dá pra postar de novo. Devagarinho vou contando o que vi, o que fiz e o que presenciei os outros fazerem.

Quem foi à China sabe: o outro lado do mundo é outro universo. O trânsito, os costumes, as pessoas na rua, os mercados. Tudo, absolutamente tudo diferente. Até o McDonald's. Até a Coca-Cola, sempre servida quente, sem gelo. Blergh!

[Ouvindo: Celebration Day - Led Zeppelin - Led Zeppelin III]

15 de junho de 2008

Troglodita

O Nano fez aniversário dia 11 deste mês e resolveu comemorar hoje conosco e um grupo de amigos. Está de enlouquecer. Há dez pessoas na mesa e a única língua em comum é o alemão. Em comum entre eles. Lu e eu conversamos com um ou outro em português - há mais dois brasileiros -, em espanhol - há uma espanhola - e em inglês. Um sarro.


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11 de junho de 2008

Até aqui!

O chinês é uma língua para lá de complicada. Comunicar-se com um chinês é tarefa bem dfícil para quem não fala a língua. Para terem uma idéia, até o jeito de contar os números nos dedos é diferente do nosso. Eles usam uma mão só, inclusive para os números maiores de seis.

No trem, indo de Luoyang para Xi'An, tentei comprar uma água, mas não consegui. Até usei a palavra chinesa para água, shui, mas não deu. O cara me indicou a caldeira que tem em cada vagão, com água fervendo para eles fazerem chá e noodles. Não houve jeito de eu explicar que eu queria água gelada. Até porque eles não usam isso. O humor do chinês do trem era do tipo "não me enche, gringo chato, e vai pra tua cabine". Não fez o menor esforço para me entender. Fomos dormir com sede. Paciência.

Pois ontem, aqui em Praga, na frente do hostel/pensão em que estamos, vi uns pêssegos lindos numa barraquinha da estação de metrô e resolvi comprar. Peguei meia dúzia de pêssegos e mais uns dez morangos. Coloquei nos saquinhos como o resto do povo estava fazendo e fui pra fila pagar.

Não é que atendente e provavelmente dona da barraquinha era oriental! Na hora em que a mulher pegou minhas coisas, começou a falar em tcheco, acho que reclamando de algo que eu fiz. Aí apontou para os pêssegos, para os morangos e o colocou os dois com força na frente da balança. Pelo que entendi, tinha feito algo fora do padrão local. Talvez tenha um mínimo para venda, não sei. Tentei me comunicar com ela, abri a carteira, tentei dar dinheiro, pensando que talvez ela estivesse dizendo o preço em tcheco. Nada. Ela, brava, tirou os pêssegos e morangos da minha frente e me mandou embora. Sonhei com frutas essa noite.

3 de junho de 2008

Bye bye, Beijing

Ontem demos adeus a Beijing, ao Tonho e a Sonia (sorry, mas os acentos deste computador nao funcionam) depois de nove dias passeando pela cidade. Foi otimo! Visitamos tudo o que havia de mais relevante e fizemos compras adoidado. Do nosso roteiro, so nao deu para visitar o parque Beihai e o zoologico para ver os pandas. O dia em que nos programamos pra fazer isso, primeiro de junho, era dia das criancas na China. Ai nao tem condicoes.
Ontem os dois - ja estamos com saudade deles - nos levaram ate a estacao de trem para embarcarmos para Luoyang. Estamos viajando com muita bagagem e as estacoes tem um monte de escadas. Por ai ja da pra ter uma nocao da trabalheira que passamos. Tem uma sacola que esta cheia de presentes, pesada pra caramba. Dureza, mas conseguimos.
Depois de oito horas de viagem, contando com a ajuda de um chines prestativo e muito curioso - boa parte deles e assim - que viajava na mesma cabine que nos, chegamos a Luoyang. A guia estava nos esperando na plataforma, mas nao deu nem uma forcinha com a bagagem. O resultado foi uma mala maluca nas maos da Luciana e umas marcas roxas nas pernas dela. A cena da Lu descendo as escadas com a mala de rodinhas e coisa para filme de comedia, do tipo As Ferias de Mr. Bean.
O hotel aqui em Luoyang e coisa de primeira. Estamos tirando a maior onda de gringo rico, em hotel cinco estrelas e Breitling falso no pulso. A cama e enorme e o quarto super bem equipado. Tem ate HBO! Legendada em chines, mas tem. A vista do quarto e para um dos parques da cidade, que e bem grande e populosa - ate mesmo para os padroes da China. Sao 6 milhoes de habitantes na zona urbana. Nove milhoes se contar a zona rural.
Viemos para Luoyang especificamente para visitar as Grutas Longmen, um conjunto de cavernas esculpidas na rocha com milhares de imagens budistas. Estivemos la pela manha. Muito legal, mas fico devendo as fotos porque este computador do hotel nao tem drive e nao ha como eu colocar fotos no post.
A outra razao de vir para ca foi o Templo Shaolin, que originou o Kung-Fu que conhecemos no Ocidente. Dizem que e muito legal. Vamos visita-lo amanha, junto com o Templo do Cavalo Branco.
Na madrugada, saimos de trem para Xi'An para ver os guerreiros de terracota. Esse certamente sera um dos pontos altos do nosso passeio pela China. Depois de la, vamos para Hong Kong. Ai bate a febre das compras, eu meto o pe na jaca e compro um notebook novo. So entao e que ficara mais facil de postar fotos e manter um ritmo de postagem mais intenso. O que e um saco, porque eu preparei meu telefone para postar direto, mas a internet na China tem muitas coisas bloqueadas e mesmo para usar o Blogspot, tenho que fazer uma baita manobra. Mas Hong Kong e outro mundo e la vamos ver se consigo mandar noticias com maior frequencia.

28 de maio de 2008

No gouda

Não, este post não é sobre queijos. É que anteontem nós estivemos no Silk Market, em Beijing. Experiência fascinante. Eu estava precisando comprar um par de tênis porque só trouxe sapatênis para cá. Sônia e Tonho nos levaram, pacientemente, até esse centro comercial famoso na cidade. É um lugar para comprar coisas piratex xingling. Eu fui com tudo num, supostamente, Nike Shox branco com vermelho.
Quando a gente entra, as meninas das lojas já começam agarrando pelo preço: "Shoes, sir, very good price for you". Isso dito no maior sotaque chinesão. Algumas ainda complementam: "Come take a looka". Assim, com a no final. Também é comum que elas nos chamem de "my frienda"e digam que o preço é "very cheapa".
Comprei o tal Nike e a Lu um Puma por 185 yuans. Dá mais ou menos 45 reais. Baratinho, não? Mas tem que ter paciência e encarar a compra com humor. As meninas começam pedindo 400, 500 yuans. Depois de negociar, o tênis sai por 120. Uma doidêra, porque no processo de negociação, elas brigam com você, batem nas suas costas com o sapato, dizem que você é "no gouda", mas vendem. Eu comecei querendo pagar 80 no tênis e ela pedindo 400. Chegamos a 120.
Com um tênis confortável, estava preparado para os passeios mais "pesados". Ontem, fomos no Templo do Céu, um parque lindo feito pelos imperadores chineses para reverenciar o céu pedindo uma boa colheita. Caminhamos para caramba, andando por tudo quanto é lugar, pelos templos, pelos altares, num muro feito para reverberar os tambores e vozes da cerimônia de sacrifício de animais. E tiramos fotos, muitas fotos. Pena que não dá para publicar porque a internet aqui na China é cheia de restrições. Fico devendo.
Mas o que não fica devendo nada foi o restaurante que estivemos ontem. Com garotas de roupas típicas, lanternas chinesas, comida muito legal. Pasmem: a Lu comeu salada de flores. E com palitinho! Gostou mais ou menos. O que ela curtiu mesmo foi um arrozinho frito tipicamente chinês, mas que leva bacon e ovo. Aí até eu, né!
Na segunda, o esquema foi outro: ficamos andando de metrô para visitar atrações mais próximas do centro da cidade. Começamos pelo Templo do Lama, um baita parque, muito legal, bem no meio da cidade. Altares, arquitetura tradicional e muitas fotos. Como sobrou um tempinho, partimos para a Cidade Proibida. Cara, é gigante! Os espaços são muito amplos e a arquitetura de tirar o fôlego. Estava cheia de gente, claro. Na entrada, que tem como destaque uma foto gigante do camarada Mao, centenas de chineses tirando foto. Não tem muitas relíquias para ver na Cidade Proibida, mas a visita é imperdível. Só saber que boa parte da história da China aconteceu ali, já dá uma sensação diferente. Não tem como não lembrar do garotinho correndo no filme do Bernardo Bertolucci na hora em que a gente entra na praça principal, em frente ao primeiro prédio.
Mas, na minha opinião, o passeio mais bonito que fizemos até agora foi a visita de hoje ao Palácio de Verão. Emboa tenha sido construído na dinastia Qing, ele foi refeito no século 19 por ordem da imperatriz Cixi, regente poderosíssima da China e doida de carteirinha. Lá você tem uma noção do delírio da mulher: um barco de mármore, um lago artificial, uma colina de rochas montada por escravos e um conjunto de suntuosas construções, inclusive um palco artístico de quatro andares. Inúteis, já que só é possível enxergar o primeiro andar. Ainda assim, é um barato. Alugamos um barquinho elétrico por 60 yuans e navegamos livremente por uma hora no lago. Deu pra curtir muito o palácio.
Amanhã, quinta-feira, é dia de visitar a Grande Muralha e, se der tempo, fazer mais umas comprinhas. Isso é "no gouda" para o meu orçamento.

26 de maio de 2008

Amsterdam é o canal!

Infame essa, hein? Mas não pude me conter, até porque é verdade. Passamos poucas horas numa das capitais da Holanda (a outra, política e sede do governo, é Haia) porque o aeroporto local, Schipol, é o hub da KLM, empresa que nos trouxe à China. Nos atrapalhamos um pouco para comprar tickets do trem que vai de Schipol até o centro, mas conseguimos passear por lá.
Almoçamos, tomamos café à beira de um canal, entramos numas lojinhas, vimos os principais pontos turísticos do centro e voltamos para o aeroporto. Ficou a sensação de que vale uma visita com mais calma. Quem sabe na próxima viagem em que a KLM tenha a passagem mais em conta.

Uma cidade em obras

A coisa que mais me chamou atenção em Beijing foi a poluição. Logo que o avião pousou, achei que fosse neblina, mas depois de recolhermos as malas - a minha com as rodas tortas graças à delicadeza dos carregadores do Hercílio Luz, Schipol ou Beijing - o Tonho e a Sônia nos explicaram que a névoa cinza que cobre toda a cidade é pura poluição. Nos disseram também que o governo está tentando mudar isso, mas é complicado. A energia da China vem quase toda de termelétricas, a maioria a carvão. Ou seja, é poluição pra caramba.
Ainda ontem, quando chegamos, passeamos um pouco numa rua de arte e artesanato no centro da cidade. Foi legal, mas gostei mesmo quando, no final dessa rua para turistas, nos embrenhamos num hutong. O mais próximo disso que temos no Brasil é favela. Mas não é bem isso. São casinhas pequenas, grudadas umas nas outras, com uma cozinha e um banheiro comunitário. Tem uns pequenos comércios, açougue, mercearia, conserto de bicicletas, tudo na comunidade. E vielas, muitas vielas estreitas, onde só passam pedestres, bicicletas e motonetas. O mais interessante é que esse traço da China antiga está a 500 metro de um movimentada avenida, cheia de Starbucks, KFC e shopping centers.
Essa dualidade está em tudo. Tem gente jovem com cabelo pintado, garotas com microssaias, engraçadinhas, caminhando pela cidade, e velhinhos com uniformes da época da revolução cultural. Tudo junto. E funcionando! É impressionante, mas a China funciona. Pode ser meio aos trancos e barrancos, mas funciona. O trânsito é caótico, com os carros disputando espaço entre si, com os pedestres e com as bicicletas. O metrô é uma massa de gente, todo mundo embarca e desembarca sem fazer fila, num empurra-empurra. Mas embarcam e desembarcam.
Hoje nós visitamos o Templo do Lama, muito interessante e bonito. Grandes estátuas de budas, entidades diversas, muita simbologia do budismo tibetano. Uma pena que o Nano não estivesse conosco. Uma pena também que não pude tirar fotos de alguns lugares. Era proibido em muitos locais do templo - que na verdade é um complexo com um monte de templos. Os monges estavam de olho e de vez em quando, ao me ver de câmera na mão diziam: "No photo".
Depois fomos na Cidade Proibida. Como aquilo é grande! Quer dizer, eu sabia que era grande, mas ainda assim, impressiona muito. É algo gigante mesmo. Pode se passar um dia ali, mas nós visitamos numa tarde. Há muitas casas fechadas e tantas outras vazias. O que vale é pela beleza arquitetônica e pela amplitude dos espaços.
E também pela história, claro. Mas isso você tem que descobrir sozinho ou contratar um guia, porque as instruções e orientações em inglês são poucas e incompletas. A Sônia, cunhada da Lu que está tendo a paciência de ser nossa guia aqui, disse que os audioguides são muito ruins e não dizem quase nada a respeito da história e da importância da cidade proibida para a China. Ainda assim, é linda, maravilhosa mesmo. Os telhados são muito legais e a Lu se encantou da fila de animais entalhados que há nos beirais. Quanto mais bichinhos, mais importante o dono da casa. Obviamente na Cidade Proibida, morada do imperador, tem bichinho no telhado que não se acaba mais.

13 de maio de 2008

Dia mais que longo

Hoje acordei cedo, muito cedo. Pulei às 4h30min para viajar para o Rio à trabalho, no vôo das 6h10min. Mas o pior é a volta, saindo do Galeão às 22h05min, passando por Curitiba e chegando em Floripa - previsto, claro - às 0h50min. Não vejo a hora de chegar o dia 22.


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11 de maio de 2008

Feliz dia das mães

Hoje foi a última vez que vi os meus velhos aqui no Brasil. A próxima vez que nos encontrarmos será em Viena. Vou ficar com saudades dos dois, mas pelo menos consegui dar um bom abraço de dia das mães na Berna.


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E as imagens, como ficam?

Primeiro post que eu faço do HTC Touch usando uma imagem para ilustrar. Vamos ver como vai ficar.


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7 de maio de 2008

O rolo

Prometi contar do rolo. Bem, a Lu e eu estamos planejando uma viagem para a China desde o ano passado, juntando grana, preparando tudo direitinho para não haver problemas. Mas algumas coisas nós não podemos controlar. As férias da Lu eram uma dessas coisas.

A princípio, viajaríamos no dia 27 de junho, mas pintou um evento para ela assessorar na primeira semana de julho. Ferrou com nossos planos. Acontece que as passagens já estavam compradas.

A agência de viagem nos desenganou dizendo que seria difícil trocar. Felizmente a KLM, emissora dos bilhetes, fez a troca com a gente pagando a diferença. Agora é correr para ajeitar tudo, já que a viagem está marcada para o dia 23 de maio. Tá em cima da hora!

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2 de maio de 2008

Acho que deu certo

Estou feliz. Estamos em Guarulhos e conseguimos trocar nossa passagem para à China. Conto sobre o rolo todo em outro post.

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Going mobile

Estou postando do meu fone novo,um HTC Touch. Uso a rede do café Suplicy, em SP. Gostei disso.

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27 de abril de 2008

Odeio esse leão

Acabei de fazer a declaração do IR e pagar o imposto pela internet. Coisa irritante, você ver o quanto foi recolhido pelo governo ao longo do ano. O IR é mais nocivo para o próprio governo que os demais impostos. Dá a chance para o cidadão sentir o peso do estado nas costas, de uma vez só. Uns trocados no almoço, mais um pouco no supermercado, na bomba de combustível. Esses passam batidos, mas quando é de uma vez só, a gente fica muito puto.

26 de abril de 2008

A primeira a gente não esquece

Apesar de velejar desde 2003, só fui participar de minha primeira regata hoje. Mas, quem diria: fui o primeiro a chegar de volta na marina! Com motor, claro. O dia foi lindo, mas infelizmente sem vento. Tínhamos, os tripulantes do Gostosa e dos demais 22 barcos participantes, três horas e meia para completar o percurso. Ninguém conseguiu.

Alguns, seis se não me engano, até esperaram até o último momento para ligar os motores e voltar. Eu e Rafael, meu valoros proeiro, não tivemos tanta paciência. Após fazer papel de rolha no meio da Baía Norte por uma hora e meia, lançamos ferro, demos um mergulho e ligamos o motor para voltar à marina Santo Antônio e a um delicioso carreteiro, chope à vontade (para o Rafa) e coca-cola de graça (para mim).

Esse foi o 2º Passeio das Cracas que a marina Santo Antônio, onde deixo meu barco, promove. No ano passado, quem ganhou foi um colega de lá, Carlos, com um Day Sailer muito parecido com o Gostosa. Um pouco mais novo, mas tão competitivo quanto o meu barco. Por causa desse histórico, Rafa e eu estávamos empolgados para disputar. Mas o vento não ajudou.

[Ouvindo: Think For Yourself - The Beatles - Rubber Soul]

19 de abril de 2008

Best episode ever

Quem gosta de South Park - e até quem não gosta muito, mas curte uma piadinha bem feita - não pode deixar de assistir o último episódio exibido nesta semana nos EUA: Over Logging. É o sexto desta 12ª temporada.

A história começa com as famílias de South Park ficando sem internet. O desespero que toma conta da cidade é hilário. Exatamente o que acontece, guardadas as proporções, quando eu fico sem rede na empresa. Muito engraçado, com citações a filmes conhecidos, como Vinhas da Ira e Independence Day. Eu baixei via torrent do Mr. Twig.

[Ouvindo: Let's Go Crazy - Prince - The Very Best Of Prince]

8 de abril de 2008

Conto com instruções didáticas

"Puta que pariu" foi a primeira frase que veio à cabeça do autor para começar o conto. O importante é ganhar o leitor na primeira frase, com impacto. Então:

– Puta que pariu – exclamou com um sorriso o personagem de nome comum que é para o leitor se identificar mais fácil. João ainda era um gurizote, mas nunca tinha visto mulher tão linda. E ainda mais sorrindo pra ele.

João começou a derreter dentro da camiseta bege escrito "Ratos de Praia", uma marca de surf famosa na época, porque é importante ser preciso para  dar veracidade à história. Além disso, os pequenos detalhes ajudam a definir situação e tempo do conto. Com as costas já empapadas de suor, mais por causa do sorriso da morena alta, de olhos verdes e corpo perfeito do que pelo esforço de jogar pacau com Adroaldo, Lin e Sandro. O nome dos personagens secundários não é tão importante, mas também não precisa exagerar. Um nome estranho basta. O resto tem que ser verossímil.

O bolinho de fichas diminuía ao lado da mesa e nada dela ou da amiga se afastarem. João criou coragem e olhou para a garota, se esforçando para concentrar o foco no rosto, e não no decote ou na pele branca dos seios.

– Cansei de jogar. Vamos tomar um sorvete?

Ele mesmo ficou impressionado com a atitude e o autor também, embora soubesse que esses pequenos clímax são importantes para manter o leitor atento na história.

Mas atento mesmo estava João, mergulhando no verde dos olhos de Priscilla, assim com dois eles. Era de Florianópolis e estava na casa de parentes, passando duas semanas em Balneário Gaivota. Estava gostando, sim, mas o mar era muito bravo e ela pouco ia à praia, dados importantes para se definir a personalidade do personagem e que explicam um pouco o porquê da bancura da pele da garota. É parte do jogo de texto fazer o leitor entender por si as conexões entre uma parte e outra do conto.

– Durante o dia eu prefiro as praias de Floripa, mas a noite aqui é mais legal, mais tranquila – completou a garota, querendo parecer cosmopolita.

"Se ela tá querendo impressionar, é um bom sinal", pensou João, enquanto pagava as duas casquinhas de sorvete. Isso num tempo em que Balneário Gaivota não tinha brigas de rua, não sofria com gangues vindas da região metropolitana de Porto Alegre para atazanar os moradores. Era populada, basicamente, por gente que morava nas cidades próximas e isso já diz bastante sobre a diegese da história.

Os dois subiram a rua sem destino certo, tomando seu sorvete e conversando. Coisas bobas, que fazem todo o sentido quando se é adolescente. João, destro, terminou primeiro a casquinha de chocolate. A mão esquerda de Priscilla, nessa altura já chamada de Pri, deu bobeira e foi engolfada pela mão de João, sem resistência. Num momento assim é que o autor pensa: "Como é que eu termino essa merda de conto? Tenho que dar uma dica de como essa história acaba". Mas os três seguem em frente – João e Priscilla passeando e o autor escrevendo.

Já no final da rua, próximo do bar onde João e os amigos jogavam pacau até agora há pouco, seis parágrafos acima, os dois pararam como que combinados sobre o que fazer. Devagarinho foram aproximando os rostos e se beijaram de leve, nos lábios. Uma, duas, três vezes. Na quarta, as línguas se enrolaram, João sentindo o gelado do sorvete na boca de Priscilla. Encostaram em um muro qualquer e ficaram por ali mesmo por alguns minutos, até que a garota deu a deixa, que, no fundo no fundo, entrega o final do conto:

– Preciso ir pra casa. Minha tia deve estar esperando. Além disso, minha prima ficou sozinha no bar – disse Priscilla (o autor não esqueceu da personagem sem nome que acompanhava a protagonista e que ainda pode ter um papel importante).

– Vou te ver de novo?

– Claro, estou toda noite por aqui, até ir embora.

Priscilla se virou para encontrar a prima e João foi-se faceiro, orgulhoso de si mesmo, ao encontro dos amigos. Contou que ela era de Florianópolis, que era maravilhosa, tinha uns peitinhos lindos, uma bundinha firme, uma boca quente e beijava muito bem. Era perfeita e podia muito bem ser sua namorada. Quem sabe na noite seguinte.

Priscilla foi caminhando para casa da prima comentando a noite. Disse que João era desajeitado com as mãos, suarento, tinha o hálito meio esquisito e uns papos nada a ver.

– Saco, não posso mais vir para esse lado da praia ou esse chato vai grudar no meu pé – completou a menina, a título de estranhamento, que normalmente é o clímax de um conto, o ponto onde a história dá uma virada e surpreende o leitor. "Esse ficou fraco", pensa o autor. "Mas o leitor dará um desconto, afinal não é mole escrever um bom conto em menos de uma hora", completa, olhando para a morena de olhos verdes e pele branca que ressona suavemente ao seu lado na cama.

[Ouvindo: Royal Orleans - Led Zeppelin - Presence]

6 de abril de 2008

Viajandão

São Paulo seria uma excelente cidade se tivesse o trânsito de Jacinto Machado. Tenho ido bastante para lá - São Paulo, não Jacinto Machado. Desde o início de março foram três viagens para a maior cidade da América Latina. Uma trabalho e duas para passear.

Cheguei de Sampa agora há pouco, pela Varig. Desta vez, consegui comprar umas passagens baratinhas, 48 pilas, e fui para o aniversário da Fernanda, sobrinha mais nova da Lu. Fomos passear também, claro.

Na feirinha da Benedito Calixto, consegui comprar algo que eu ando atrás há um bom tempo: um Ray-Ban Bausch & Lomb estilo aviador com armação dourada, no desenho tradicional dos anos 1970. Achei um em bom estado e arrematei depois de pechinchar um pouco com o feirante. Vou levar amanhã na ótica para colocar lentes de grau e dar uma limpada geral na armação. Vamos ver como vai ficar o resultado final.

Passear em SP sempre é legal. Tem muita coisa para fazer e excelentes opções gastronômicas. Uma coisa que não contei ainda aqui foi a nossa visita - da Lu e minha - a uma lojinha na região dos Jardins em Sampa que se chama O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Pretensiosa, não? Eu também achei, mas o bolo é realmente muito bom. Recomendo uma passada. Fica na Oscar Freire, perto da Alameda Casa Branca. Fomos lá na outra vez que estivemos em São Paulo.

Desta vez, a pedida foi tomar um café na Vila Mariana, numa patisserie que se chama Delícias de Paris. Muito boa. Tão boa que exageramos um pouco no café no sábado e só fomos sentir fome à tarde. Eu almocei às 15 horas. A Lu só foi comer no aniversário da sobrinha.

O nome da patisserie lembra o de outra em Curitiba, também muito boa: Delícias da França. Há duas semanas estive na capital paranaense a trabalho e tive uma reunião ao lado da padaria. Infelizmente, não me dei conta antes, ou não teria tomado café no hotel.

Nesta viagem a Curitiba, passei um trabalho do cão. Dirigindo um Gol alugado, dei uma esbarrada de leve numa picape Corsa. Para o seguro da locadora valer, tive que fazer um boletim de ocorrência. Mas em Curitiba, acidentes sem vítima não são atendidos pela polícia. Eles não fazem o B.O. O motorista tem que ir ao batalhão de trânsito e registrar a ocorrência. O problema é que eu, meio perdido na cidade, tive que ir até o bairro Tarumã, sozinho e com pressa por causa de uma reunião. Trabalheira, mas que acabou não tendo outros desdobramentos. A locadora não me cobrou nada pelo conserto.

[Ouvindo: Sílvia - Camisa de Vênus - Viva]