2 de abril de 2008

No bar

– Olha só, eu não sou desses caras que se derretem por qualquer menina bonitinha.

– Tá bom, vou fazer de conta que acredito – respondeu Júnior, bebericando a Stella Artois gelada.

– Sério, cara! Comigo não tem isso de ficar olhando pros lados e procurando o peitinho mais bonito, a budinha mais redonda, os olhinhos mais azuis. Nina, nina, não, velho! Pra mim, a guria tem que ter substância.

– Tá bom, João. E você, claro, adivinha o quanto de "substância" ela tem, antes de chegar na menina – ironizou o amigo, fazendo o sinal de aspas no ar com os dedos.

– Ah, dá pra saber, sim. Aquela ali, por exemplo, é uma porta. Olha o jeito de ela rir com as amigas. E essas duas do lado, que se tratam de "miguxa". Puta que pariu, sair com uma "miguxa", nem pensar!

– Ih, cara, acho que a loirinha ouviu. Fala baixo, porra!

– Deixa quieto, tenho certeza que é uma dessas que confunde Stephen Hawing com Stephen King, que acha que Italo Calvino é espanhol para italiano careca.

– Não zoa com a gatinha, pô. É bem engraçadinha – retruca Júnior levantando a garrafa e sorrindo para a garota.

– Tu só quer saber de corpo, né? Tudo bem, tu é meio burrão mesmo.

– Pô, não precisa sacanear, cara! Tá, e aquela ali que tá olhando pra nós. Quer dizer, mais pra ti, pelo visto.

– Olha, parece que pode ser uma guria interessante – avalia João.

Ele levanta para ir ao banheiro e avaliar a situação. Na ida, dá um sorriso para a garota, linda nos seus 22 anos de idade. Morena com a pele branca e os olhos levemente esverdeados. Belo corpo, rosto bonito. Jeito meigo. "Dá pra chegar", raciocina João. E chega, na volta do banheiro.

– Oi, tudo bem?

– Tudo – responde a garota com um sorriso.

– Sou o João. Você?

– Adela.

– Nome incomum. Qual a origem?

– É o nome de uma santa da Romênia.

– Legal. Já esteve na Romênia? Ouvi dizer que Bucareste é muito bonita.

– Não, nunca. Nunca viajei para fora do Brasil.

– Se pudesse escolher um lugar para ir agora, para onde iria?

– Acho que Nova Iorque, sempre quis conhecer a Europa.

A frase doeu nos ouvidos de João. Ele fixou-se nos olhos esverdeados, avaliou o cabelo escuro, o rosto branco, os seios de 22 anos, a barriguinha lisa com um piercing dourado. Avaliou a situação e continuou batendo papo com Adela. Fazer o que. Ele era só discurso. Era homem e ponto final.

[Ouvindo: Southbound Again - Dire Straits - Dire Straits]

24 de março de 2008

Tem que ouvir: The Dark Side of the Moon

thedarksideofthemoon Meu primeiro disco do Pink Floyd foi o óbvio The Wall, comprado no Cine Foto Som Mazucco, uma loja de Araranguá em que meu pai tinha conta. Aos 14 anos eu descobri que bastava chegar lá, pegar um disco ou fita, dizer pra por na conta do seu João Proença e pronto. Comprei The Wall, The Final Cut, Led IV, um disco do RPM, um da Blitz e gravei algumas fitas. Claro que logo que a conta chegou nas mãos do meu pai, eu tomei uma baita bronca. Mas com a conta no Mazucco, consegui tomar contato com muita música boa.

The Dark Side of the Moon, o disco que eu considero o melhor do Pink Floyd e que faz hoje 35 anos de idade, eu só ganhei mais tarde, quando minha vó mandou escolher um disco de presente de aniversário na Hermes Macedo, a loja de departamentos que existia na época. Era meu terceiro do Pink Floyd. O quarto foi Ummagumma, também comprado na HM, e o quinto, Animals, trocado por um Kraftwerk que meu primo me deu.

O "disco do prisma", como The Dark... é mais conhecido, é praticamente unanimidade entre fãs do Floyd. Foi um dos primeiros álbuns temáticos que depois se tornaram a marca de qualquer banda de rock psicodélico que se preze. Lançado em 1973, os efeitos de relógios tocando, caixas registradoras, vozes entre as faixas, tudo contribuiu para que o disco se tornasse um marco do rock. As canções eram inovadoras, tinham letras inteligentes. A melhor definição dos britânicos, para mim, está em Time, a terceira faixa: "Hanging on in quiet desperation is the English way".

O set do álbum é:

  1. Speak to Me (Mason, Gilmour, Waters, Wright)
  2. Breathe (Mason, Gilmour, Waters, Wright)
  3. On the Run (Gilmour, Waters)
  4. Time (Gilmour, Waters, Wright, Mason)
  5. Breathe (Reprise) (Gilmour, Waters, Wright, Mason)
  6. The Great Gig in the Sky (Wright)
  7. Money (Waters)
  8. Us and Them (Wright, Waters)
  9. Any Colour You Like (Gilmour, Wright, Mason)
  10. Brain Damage (Waters)
  11. Eclipse (Waters)

Como baixista - ou pelo menos metido a baixista - acho a linha de baixo de Money uma das melhores e mais divertidas de tocar. O tempo é diferente e o baixo carrega a música toda, praticamente. Quando ouvir o álbum, vale prestar atenção nos vocais, sem letra, de The Great Gig in the Sky. Foram feitos pela cantora Clare Torry, convidada pelo produtor Alan Parsons para improvisar sobre a canção do tecladista Richard Wright. Ela achou que não ficou bom. Mas os membros da banda e o produtor discordaram, para nossa felicidade.

O link para baixar o álbum, via torrent:

The Dark Side of the Moon

[Ouvindo: Us And Them - Pink Floyd - Dark Side Of The Moon]

22 de março de 2008

"You underestimate the power of the dark side"

Dia 16 Lu e eu estivemos em São Paulo visitando a Exposição Star Wars Brasil, uma mostra de memorabilia dos seis filmes da série Guerra nas Estrelas. Obviamente, é coisa pra quem curte. É o nosso caso.

Entre as peças, havia a nave que Luke Skywalker usou para chegar ao planeta pantanoso em que conheceu o mestre Jedi Yoda. Impressionante como é fuleira. Toda mal ajambrada. Mas quando peguei a câmera para fazer uma foto e olhei no visor digital: o bagulho foi feito para aparecer bem nas câmeras, não ao vivo. Ao vivo é um monte de compensado, isopor, uns pedaços de engrenagens de motor. Na foto, é uma nave espacial rebelde.

Era a primeira peça da exposição e com "olhos de câmera" eu visitei o resto da mostra, no Porão das Artes do Ibirapuera. Maquetes, manequins com os trajes originais, bonecos de alienígenas, wookies e ewoks, modelos em escala e alguns em tamanho real. Tudo muito legal. Mas o que mais gostei foram os bonecos do R2D2 e do C3PO, junto com os storyboards originais de algumas cenas da série. Especialmente um da batalha entre Luke e Darth Vader, em O Império Contra-Ataca. Nas descrições das cenas, fala-se em "Laser Sword" (espada laser) e não em "Light Saber" (sabre de luz), como ficaram conhecidas as armas Jedi ao longo de toda a série.

Outro detalhe legal é o desenho original do C3PO, que lembrava muito mais o robô de Metrópolis, de Fritz Lang. A concepção original de R2D2 (ou Artoo, como estava referido em um dos storyboards) já ficou mais próxima da versão que todos conhecemos das telas.

[Ouvindo: Walkabout - Red Hot Chili Peppers - One Hot Minute]

20 de março de 2008

Os dias estão simplesmente lotados

O título eu emprestei de um livro de quadrinhos do Calvin, mas cai como uma luva para as últimas duas semanas. Desde o início de março, a correria é grande, tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

De mais interessante, algumas peculiaridades da uma viagem a trabalho para São Paulo, a trabalheira que foi minha última estada em Curitiba - também a trabalho -, o passeio que Lu e eu fizemos a São Paulo para um casamento e para ver a Star Wars Expo Brasil e os perrengues que ando passando com o apartamento.

Como nos jornais de tevê, eu dei a escalada. Mais detalhes depois dos comerciais.

12 de março de 2008

Cão na madrugada

As pálpebras de João pesavam dois quilos cada. Cada olho tinha um metro cúbico de areia arranhando a córnea. A cada piscada, os olhos se fechavam mais e mais tempo. A madrugada não era mais sua amiga. Talvez fosse o tema do trabalho, chato e pouco desafiante. Talvez fosse apenas sono.

Mas um ruído diferente no corredor chamou a atenção e descarregou um pouco de adrenalina no corpo de João. Um barulho de patas de cão no piso de cerâmica. As unhas compridas de um animal. Mas João vivia sozinho, nem cachorro, nem filhos, nem esposa. Ele e a madrugada e só.

Uma virada cautelosa na cadeira de espaldar alto, olhos fixos na porta do escritório para o corredor. Nada. O mesmo silêncio de sempre no apartamento vazio.

João volta a se concentrar na conta caixa, da DRE, no balanço da empresa fictícia. Os resultados foram satisfatórios? A lucratividade atingiu as metas? Perguntas chatas com respostas chatas. E o ruído de patas novamente no corredor.

Agora a cadeira se vira de sopetão para João dar de cara com um cachorro. Um doberman preto, quieto, olhando para João. Olhos avermelhados na escuridão do corredor.

O que esse cão faz ali, como entrou, será feroz? As perguntas já não são tão chatas. São altamente relevantes para João, que busca e busca as respostas sem sucesso.

– Pode voltar a trabalhar, não quero atrapalhar – diz o cachorro, com voz tranquila, que não parecia combinar com o porte do animal.

Um cachorro que fala? É só o que faltava para João, sempre acompanhado nas madrugadas por alucinações, anjos e demônios. Estava velho demais para cães que falam. Continuou olhando o doberman.

– Está estranhando minha voz? Bastante singular, porque essa voz foi você quem me deu.

"É claro", pensa João. "O cachorro que fala e está no meu corredor não fala e nem está no meu corredor. Está na minha cabeça".

– Exatamente – retruca o bicho, como se lesse o pensamento de João.

– Você ouviu o que eu pensei? – pergunta João em voz alta. Alta demais para a madrugada.

– Eu sou o seu pensamento. Estou em seu pensamento. Eu sou. Eu existo.

"É só que me falta. Além de falante, o cachorro é metido a filósofo", racionaliza João.

– O filósofo é você. É você quem fala, quem arrasta as unhas no corredor escuro. É você que tem os olhos vermelhos na escuridão. Você é eu, e eu, você. E ambos somos. Só.

– Escuta aqui, Rex, vê se me deixa em paz, então. Preciso terminar isso aqui. Xô, vai embora! Passa!

– Não funciona assim. Eu sou fruto do seu pensamento. Das sinapses cansadas de pensar em gestão, em planejamento estratégico, em propostas comerciais e retornos financeiros. Eu sou o seu eu mais sincero, o seu quadrúpede interior. A besta que estava adormecida no fundo do cérebro e que saiu quando a mente ameaçou dormir de tanto tédio e sono.

– Tá, e como eu faço para você ir embora? – João perguntou.

– Você acorda e pronto.

Foi a senha para João notar o óculos torto caído sobre o teclado do computador, sentir a dor das teclas F6, F7 e F8 que marcavam sua testa, o torpor no braço que esticava-se sobre o mouse pad de forma pouco natural.

Levantou-se, foi ao banheiro e para a cama. E sonhou com números, com contas caixa, DREs e planilhas. E, pela manhã, entre uma colherada e outra de granola, disse a si mesmo que era bem melhor sonhar com cães filósofos.

[Ouvindo: Ya no hay héroes - Loquillo y Trogloditas - Tiempos Asesinos]

4 de março de 2008

Estilo alternativo

Olha só, quem diria, estou fazendo yoga. Comecei na semana passada e tive aula agora há pouco. É no trabalho mesmo, com incentivo da empresa. Estou achando interessante. Pelo menos me mexo um pouco, me estico pra lá e pra cá e paro uns minutos pra relaxar entre as obrigações de trabalho, MBA e família.

Meus colegas que já fizeram yoga disseram que o professor tem um estilo bem "yoga fitness", que não envolve a bobagêra de não comer carne, de ficar ouvindo música indiana ou as Enyas da vida. Teve uma aula que ele até mandou ver num jazz levinho.

Mas alternativo mesmo foi a minha visita à homepata da Luciana. Fiz algumas consultas com otorrinos e alergistas para ver se me livro de uma rinite que me incomoda horrores e não tive resultado. Aí, resolvi apelar.

Ela me preguntou de tudo. Problemas de saúde, se eu já fui sonâmbulo, se tenho bruxismo, qual minha comida preferida, o que eu não como de jeito nenhum e o mais estranho de tudo: se eu tinha medo de monstros ou fantasmas quando era criança.

"Não, não tinha mais do que qualquer outra criança. Mas tinha pavor de Jesus Cristo". Isso certamente intrigou a mulher, mas aí eu contei a história de quando era pequeno e da aparição de Cristo no sótão da minha avó. Ela deve ter achado estranho, mas também quem mandou perguntar uma coisa esquisita dessas.

[Ouvindo: Sysyphus Part Four - Pink Floyd - Ummagumma - Studio Disk]

3 de março de 2008

Jogo interessante

Estou no final do meu MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro, e esta última disciplina é disparada a mais interessante. Chama-se jogo de negócios. Funciona assim: a turma foi dividida em oito equipes, cada uma responsável por dirigir uma indústria de computadores na época da reserva de mercado (lembram, quando não podíamos importar computadores?).

Eu sou o presidente e diretor de produção da minha equipe. Estamos em quatro pessoas e tomamos as decisões sobre quanto produzir, quanto cobrar por cada produto, quanto investir em marketing e pesquisa, aumentar ou reduzir a capacidade da fábrica, contratar ou demitir funcionários, aumentar salários, conceder bônus ou participação nos lucros. Em suma, decidimos quase tudo o que envolve a administração de uma indústria.

A cada três ou quatro dias, nossas decisões são alimentadas num simulador da FGV. O simulador compara as equipes, define a demanda por computadores no mercado, quanto um produto ficou mais atrativo que o outro e dá os resultados. Começamos em último no primeiro mês. Fechamos o primeiro quadrimetres e estamos em quarto. Não considero um bom resultado, mas dá pra encarar.

Nosso principal problema é o lucro. Muito baixo ou negativo. Sinceramente, estou com problemas para controlar os custos de produção, o que afeta os resultados drasticamente. Quanto mais a nossa empresa vende, pior o prejuízo. Mas, tudo bem. Não quebrando antes do final da disciplina, tá bom. Até porque quem falir é reprovado. E já deixei duas cadeiras para trás. Não dá pra ficar mais uma.

26 de fevereiro de 2008

Tempo de reforma

Minha relação com as reformas é de ódio e amor. Reformei um veleiro que estava bem judiado e deixei novinho. Comprei um apartamento detonado e deixei apresentável e agora estou às voltas com um Puma 76 que precisa de restauração.

A reforma do barco me deu um tremendo trabalho porque o cara que contratei era enrolado, não cumpria prazos, dava desculpas para não fazer o trabalho. Depois de muitas idas e vindas o Gostosa ficou pronto e bem reformado. Pelo menos isso.

Com o apartamento foi parecido. O eletricista simplesmente sumiu no meio da obra e a Lu e eu tivemos que terminar sozinhos a instalação elétrica. O encanamento foi muito mal feito e a parede da área de serviço precisou ser quebrada mais de uma vez para isolar um cano de esgoto que o primeiro encanador deixou aberto, vazando dentro da parede. Na verdade, fiquei tão estressado com a reforma que nunca terminei. Até hoje meu apartamento está inacabado.

Agora dei azar de novo com a mão-de-obra. João do Puma, o fibreiro que vai reformar o meu tubarão 76, quebrou o pé e vai ficar 60 dias sem trabalhar. Resumo: como viajamos de férias, Lu e eu, no final de junho, não vai dar tempo de restaurar o puminha até lá. Vai ter que ficar para a volta. Paciência.

[Ouvindo: She Loves You - The Beatles - Past Masters Vol 1]

20 de fevereiro de 2008

Dia importante

Hoje é um dia essencial na minha vida. Há (censurado) anos, nascia uma gauchinha morena. que Yeda e Adalgiso batizaram de Luciana. Certamente era um bebê bochechudo. Se não era, adquiriu essa qualidade na vida adulta.

Conheci-a quando, ainda estudante de engenharia elétrica, resolvi me meter no movimento estudantil da UFSC. O diretório central mantinha uma rádio pirata no campus e começamos a trabalhar juntos na emissora.

O primeiro contato foi coisa digna de Calvin e Susie. Numa reunião da rádio, Luciana, um pouco ressabiada com o risco de uma batida policial, perguntou o que faria com o transmissor num caso desses. A minha resposta foi 100% lageana: "Enfia na boca". Um lorde, como sempre.

Ainda assim, fomos juntos a uma festa do curso de jornalismo no Clube Penhasco (os mais velhos vão lembrar do lugar). Ela já estava na terceira fase, mas ainda assim deu uma chance pro engenheiro calouro. Felizmente.

Daquela noite em diante, 18 de maio de 1990, não vivemos mais um sem o outro. O período mais longo sem se ver foi quando o pai dela ficou doente e os planos de nos encontrarmos em Viena foram frustrados. Ficamos 26 dias falando apenas pelo telefone.

Hoje ela não vai ganhar presente nenhum. Não escolheu ainda o que quer. São tantas coisas. Pena que não posso bancar todas. Ela merece. Merece até muito mais. Merece muito mais do que eu. Mas, magnânima, escolheu um piá narigudo pra fazer feliz.

[Ouvindo: No Ordinary Love - Sade - The Best Of Sade]

19 de fevereiro de 2008

Férias

Pois é, meus caros leitores: estou em férias. Oito dias de folga para resolver pequenos problemas domésticos - tevê da cozinha que pifou, fogão que precisa de regulagem, lâmpadas que precisam ser trocadas, pequenos reparos no barco e no Puma. Mas, acima de tudo, uma semana para cuidar da minha mãe, que ontem fez uma pequena cirurgia no joelho. Estarei com meus velhos aqui em casa nesse período de recuperação da Berna.

14 de fevereiro de 2008

Platinado

Três semanas atrás, meu Puma resolveu parar de funcionar. Até levei o felino numa oficina aqui perto de casa, mas não resolveram. Não é todo mundo que mexe em carro antigo. O problema é que o mecânico que costuma mexer nele estava em férias, oficina fechada até depois do Carnaval..

Ontem consegui chamar um guincho e mandar o carro até Rui, o mecânico. O problema era com a ignição eletrônica. Uma modernidade adaptada ao antigo motor boxer de quatro cilindros opostos e dois carburadores que equipa o carrinho. Tá bom, é um motor de Brasília com pequenas modificações.

Bem, o fato é que pedi ao Rui que tirasse a ignição eletrônica e substituísse toda a distribuição pelo sistema original, de platinado e condensador. Foi barato e o carro tá rodando macio. Além disso, o fato da distribuição ser igual à original garante uns pontinhos a mais na vistoria para a placa preta.

[Ouvindo: Heroes - David Bowie - Heroes]

10 de fevereiro de 2008

Fim de semana comprido

O dia de todo mundo tem 24 horas. Um final de semana, portanto, 48 horas. Muitos finais de semana são desperdiçados. Este que está acabando daqui a duas horas, eu não desperdicei.

No sábado pela manhã fui ao RCFL, o clube de aeromodelismo de Florianópolis. Estou fazendo aulas de aeromodelismo para poder usar o presente de Natal que a Luciana me deu: um Cessna 182 radiocontrolado.

Ao meio-dia, almoço com os amigos Paulo e Renata, no Recanto das Sereias, em Itapema. Estava indo correr com o pessoal do trabalho no nosso campeonato interno de kart. Fiquei em terceiro nessa corrida. Melhor que o quarto lugar da bateria passada.

À noite, um cineminha com a Berna e a Lu para assistir Sweeney Todd. Recomendo. É um musical de humor negro, negríssimo. Mas dirigido pelo Tim Burton e estrelado por Johnny Depp e Helena Bonham Carter. E Tim Burton combinado com esses dois sempre vale a pena.

Domingão meio nublado, com pouco vento. Ainda assim pulei cedo, enchi o galão de gasolina e toquei pra Marina. Com o Carlito como proeiro, saí pra velejar no Gostosa. Erguemos os panos pouco depois das 10 horas e só fomos conseguir um ventinho às 12h45min. Mas valeu. Em menos de uma hora fomos da ilha de Ratones Pequeno até a Costeira da Armação, em Governador Celso Ramos. Vai ser fácil chegar até a Fazenda da Armação ou Tinguá.

Final de tarde do domingo, papo com os amigos na Lagoa da Conceição, tomando um Smoothie no Jungle Juice. O único porém é que, como não almocei por ter passado a manhã e parte da tarde no mar, enchi a pança de comida. Tudo bem: amanhã eu capricho nas pedaladas e fico mais leve. Pelo menos a consciência.

8 de fevereiro de 2008

Blogosfera

Essa história de reativar o blog fez com que eu voltasse à navegar em blogs sem interesse puramente profissional. Por conta disso, coloquei mais uns links aí ao lado. Um deles é o do meu irmão, Giuliano, falando sobre as viagens dele à Bósnia. Acho que é o país preferido dele, que mora em Viena, Áustria, há mais de oito anos.

Outro blog vocês notaram em função de uns posts abaixo. É o da Anacris, que eu já conhecia mas tinha perdido o endereço (um dos contras de não guardar o histórico do MSN). Vale a leitura.

Certamente a lista vai crescer à medida em que eu voltar a navegar com mais vontade pela blogosfera.

[Ouvindo: Jimmy Jazz - The Clash - London Calling]

7 de fevereiro de 2008

Tem que ouvir: Led Zeppelin IV

Folder Tá bom, tá bom... Há controvérsias sobre o melhor disco do Led Zeppelin. Tem gente que gosta mais do Led II. Quem curte performances ao vivo, vai dizer que é o The Song Remains The Same. Pois pra mim é o Led IV, que muita gente identifica como "o do velho". Ontem saí para pedalar e toquei esse disco no telefone. Perfeito! Começa com o maior gás, com Black Dog e Rock And Roll. Exatamente como eu pedalando: começo mandando ver, ultrapassando todo mundo até entrar num astral mais Stairway to Heaven. O disco casa perfeitamente com a pedalada.

Tá, mas não é isso que faz dele um "tem que ouvir". São as canções geniais e que todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida. Stairway to Heaven, claro, é o carro-chefe. Se o cara já sentou numa rodinha de violão, ouviu pelo menos a introdução. Eu ouvi milhares de vezes, quando era garoto.

Troquei esse disco por um do Kiss com um vizinho, lá por 1983, 1984. Passei tardes e tardes sentado em frente ao aparelho de som, tocando o comecinho de Stairway to Heaven à exaustão, tentando tirar de ouvido. Era uma época anterior às tablaturas na internet. O resultado é que todo mundo dessa época toca Stairway to Heaven de um jeito diferente. A minha, obviamente, é a mais fiel. Na real, qualquer dia eu ensino o Jimmy Page a tocá-la. Reza a lenda que ele não acerta mais o solo.

Além do hino dos violeiros, o disco tem Rock And Roll, que começa com a bateria mais endemonhada que existe. Uma bateção violenta no chimbal, meio aberto. Coisa de espantar os pais, mesmo. E uma guitarra irada pra caramba. Antes disso, o riff fantástico de Black Dog. Não tem como não se esmerar no air guitar ouvindo essas duas canções.

Mas não é só em escores conhecidos que o disco se sustenta. Going to California, a penúltima faixa, é a música mais bonita do Led, empatada com Tangerine. E depois vem outra grande canção: When the Levee Breaks. Esse é o set do álbum:

  1. Black Dog (Page/Plant/Jones)
  2. Rock and Roll (Page/Plant/Jones/Bonham)
  3. The Battle Of Evermore (Page/Plant)
  4. Stairway to Heaven (Page/Plant)
  5. Misty Mountain Hop (Page/Plant/Jones)
  6. Four Sticks (Page/Plant)
  7. Going To California (Page/Plant)
  8. When The Levee Breaks (Page/Plant/Jones/Bonham/Memphis Minnie)

Uma coisa interessante desse álbum de 1971 (mesmo ano do meu nascimento, por sinal) é que o disco não tem nome. Nos catálogos da Atlantic, as menções são para Quatro Símbolos (a capa mostra quatro ícones meio esotéricos), o Quarto Álbum ou ainda ZoSo (também por causa dos símbolos estranhos).

Para baixar é aquele esquema: tendo um cliente torrent instalado no computador, clique no link abaixo e mande abrir o arquivo.

Led_Zeppelin_IV

[Ouvindo: Misty Mountain Hop - Led Zeppelin - Led Zeppelin IV]

6 de fevereiro de 2008

RSS

rss Por sugestão da Anacris, do Suzanne Valadon, incluí um feed de RSS ao Casa Proença. A coisa funciona assim: você coloca o endereço do feed no seu leitor de RSS e a cada atualização do blog, um aviso aparece na sua tela. Como eu posto muito de vez em quando, o leitor fica poupado de visitas em que não encontra nada de novo para ler. O link tá no pé da página e também na coluna da direita, associado ao ícone do RSS. Valeu, Ana.

[Ouvindo: Pra Dizer Adeus - Titãs - Televisão]

29 de janeiro de 2008

Sunset

Sempre gostei do pôr-do-sol aqui. É clichê, mas uma volta pela Mulholland Drive no fim de tarde relaxa e aguça os sentidos. Faz esquecer a vida suja e doce de todo dia. Cara, tô virando um colecionador de clichês.

Ainda assim, aproveito o restinho de sol no rosto, o vento entrando pela janela aberta do Buick caindo aos pedaços. Fazer o quê. A vida é uma merda para um jornalista cucaracho em LA. Ou, poderia dizer que LA é uma merda. Jornalistas cucarachos são uma merda. A vida é uma merda.

Ainda bem que o pôr-do-sol na Mulholland Drive sempre estará aqui. Quer dizer, não se depender dos catastrofistas tipo Al Gore. Vai que estão certos. Melhor aproveitar agora. Nem que seja respirando esse ar inebriante. Efeito do dióxido de carbono, eu sei. Mas é mais barato que pó.

Aliás, uma carreira agora cairia bem. Mas nunca antes do trabalho. É bom estar esperto. Nunca se sabe o que vem pela frente. Quer dizer, eu até sei, mas melhor curtir o pôr-do-sol. Sei que quando entrar na Beverly Glen eu acordo do sonho e viro o mesmo bicho de sempre. Nojento, ao gosto do freguês.

Impossível não odiar essa cidade. Impossível não amá-la. O pôr-do-sol e junkies vagando nas ruas, as lambidas do pacífico e as lambidas de cachorros doentes. Tudo é LA. Eu sou LA. Sempre fui, desde pequeninho. Só não sabia. Vim descobrir aqui.

Uma última curva e cá estou. O pôr-do-sol, o ocaso, a última luz da minha vida. Taí, clichê atrás de clichê. Ainda bem que não ganho mais a vida vendendo palavras. Até elas se esgotaram. Que se foda. Paro o Buick numa transversal, caminho a até a Sunset e dou meu primeiro oi:

- Hi, gorgeous. Looking for a date?

[Ouvindo: Women - Def Leppard - Hysteria]

28 de janeiro de 2008

Tem que ouvir: A Night At The Opera - Queen

Folder Tenho um amigo, Jeferson, que gosta muito de Queen. Mas, interessante, não foi ele quem me apresentou esse álbum, que considero o melhor da banda. Foi na casa do Carlito, do Bobagêra, que ouvi A Night At The Opera pela primeira vez. Em vinil, num aparelho Samsung ou Aiwa que ele tinha. Levei para casa pra gravar. Em cassete, claro. Ouvi muito essa fita num Corsa 1.4 bordô 94 que a Lu e eu tivemos. Num toca-fitas Bosch Rio de Janeiro com o empurrãozinho de um amplificador/equalizador Tojo GR-100. Coisa bem velha mesmo.

Mas o álbum não envelhece. Pelo menos duas músicas desse disco, todo mundo conhece: Love of My Life e Bohemian Rapsody. Eu gosto muito também de You're My Best Friend. Mas há outras excelentes, só que não tão conhecidas.

O disco é o quarto dos britânicos do Queen e foi lançado em 1975. Foi produzido com muito esmero. Freddie Mercury fez questão de fazer algo até bastante usual hoje em dia, mas que foi considerado uma tremenda veadagem na época: gravar a bateria em um estúdio separado dos demais instrumentos. O set do álbum é:

  1. Death on Two Legs (Dedicated to...) (Freddie Mercury)
  2. Lazing on a Sunday Afternoon (Freddie Mercury)
  3. I'm in Love with My Car (Roger Taylor)
  4. You're My Best Friend (John Deacon)
  5. '39 (Brian May) Sweet Lady (Brian May)
  6. Seaside Rendezvous (Freddie Mercury)
  7. The Prophet's Song (Brian May)
  8. Love of My Life (Freddie Mercury)
  9. Good Company (Brian May)
  10. Bohemian Rhapsody (Freddie Mercury)
  11. God Save the Queen (Ludwig van Beethoven)

Todos os integrantes da banda compuseram para esse disco. Claro que há predominância de Brian May, o guitarrista, e Mercury, vocal e pianista. O que eu acho mais interessante são os toques de música barroca e romântica erudita ao longo do álbum. Como todo bom álbum de banda de rock inglês dos anos 70, tem pelo menos uma faixa que "chama" a outra. Nesse caso, The Prophet's Song é grudada em Love of My Life. A segunda é continuação da primeira.

Se quiser baixar o álbum em MP3, clique no link abaixo. Mas é preciso ter um cliente de torrents para o download funcionar.

A Night At The Opera - Queen

[Ouvindo: Bohemian Rhapsody - Queen - A Night At The Opera]

27 de janeiro de 2008

Quatro anos

Como escrevi alguns posts abaixo, hoje é o aniversário de quatro anos da Casa Proença. Comentando com uns amigos sobre isso, ouvi o seguinte comentário: "Quem tinha blog em 2004 é muito nerd". É verdade. Os blogs se popularizaram e hoje quem tem um já não é nerd ou geek. É normal.

Mas lá em janeiro de 2004, e até antes, na época do Odysseus, ter blog era coisa pra quem era muito viciado em computador. Tá, tudo bem, eu era bem viciadinho. Jogava Flight Simulator direto. Vivia navegando e descobrindo coisas na internet. Hoje, os amigos me contam das novidades da rede. No passado era eu quem apresentava as novidades a eles.

Essa história de blog começou para mim em junho de 2003, quando eu participava de uma lista de discussão de colegas jornalistas chamada "Salinha do CA". A galera da lista resolveu criar um blog coletivo e eu deixei uns poucos posts lá. Achei esse negócio de blog legal e criei um pra mim, o Odysseus, no servidor de blog do meu provedor na época.

Com o Odysseus e mais tarde nessa Casa, fiz o que passei a chamar de "amigos de blog". Georgia, Alicinha, Dellandréa, Stijn, Mauro, gente que nunca tinha visto na vida, mas que eu conversava diariamente, pelos posts e comentários. Alguns deles continuam postando prolificamente. Estrelinhas para Georgia e Dellandréa, principalmente.

Já a Casa Proença teve muitos altos e baixos. Momentos em que priorizei outras coisas, em que deixei os posts pra lá. Semanas e semanas sem dar notícia. Mas quando voltava, vinha pra valer. Um blogueiro bipolar.

O fato é que estou com uma pontinha de orgulho pelos quatro anos da Casa Proença. Não que tenha muitos leitores, visibilidade na net, nos Delicious ou Technoratis da vida, mas porque um cantinho da rede onde venho dizer minhas bobagens durou tanto tempo.

[Ouvindo: Da Ya Think I'm Sexy? - Rod Stewart - The Story So Far: The Very Best of Rod Stewart]

22 de janeiro de 2008

Desconforto

Senti a porta abrir e o ar frio entrar meio sem jeito, pedindo desculpas por atrapalhar. Uma virada na cama, um resmungo e a reclamação: "Fecha isso aí". O leite já tinha estragado e ela nem sabia. Suportar isso toda noite, sem exceção, era como carregar um cavalo nas costas no meio de um lamaçal. É o que dá quando não se pesa as conseqüências, quando a razão escapa rapidinho, no meio da vida da gente. Agora era tarde para voltar atrás e dizer: "Só fico com você se largar essa vida".

O pior é que nem dava pra reclamar. Ela punha o pó na mesa e o uísque no meu copo. Comida quando desse fome, cama quando desse sono. Nos intervalos, pó e uísque, talvez um pouco de tevê. Meu irmão diz que essa é uma vida chata. Nunca gostou de eu ter ido morar com Circe, não admite que o maninho mais novo é o gigolô de uma puta. Mas ele bem que olha pra ela com gosto. Todos olham. Eu nem ligo. É o trabalho dela. Só não agüento quando ela chega no meio da noite, cheirando a sexo, com jeito de cansada, ardida, não dá pra mim. Só de manhã. Mas aí quem não quer sou eu. Se pelo menos eu não me incomodasse com isso, até poderia ir tocando, pó, uísque e tevê, uma punheta de vez em quando.

Até que, na quarta-feira, bem cedo, logo que acordou - ela tem essa mania ridícula de levantar cedo, antes das 11 horas - me disse com um sorriso: "Vou largar a vida". No início achei legal, finalmente teria a Circe pra mim e só pra mim. Mas a ficha caiu meio rápido, tanto que nem deu pra aproveitar o momento: "Porra, quem é que vai trazer grana pra essa casa?". O silêncio. Teria que ser eu. Bem feito. Você namora uma puta, ela te fode. É a lógica do jogo.

"Sem chance". Rompi a quietude do quarto, com um resmungo. Ela não retrucou. Apenas vestiu a calça e os tênis surrados e saiu pra rua: "Vou comprar camisinha". Por mim tudo bem, não quero nem saber. Pó, uísque, tevê, punheta. Deixo a porta do quarto aberta e sonho com os anjos a noite toda. Nada mais me incomoda.

(Publicado pela primeira vez em 23/06/2003 - veja post abaixo)

Aniversário

Dia 27, como já escrevi alguns posts abaixo, o Casa Proença faz aniversário. Quatro anos de blog com esse nome. Desde 2004 tem gente (pouca, mas de altíssimo nível) lendo as bobagens que escrevo.

Para comemorar, dei um jeito - e não foi difícil - de colocar os arquivos antigos do blog, da época em que ele tinha outro leiaute e era feito na mão, em puro html. Claro que os comentários foram apagados pelo Halo Scan, que era o sistema de comentário que eu usava antes de migrar para o Blogger/Blogspot. Os links para os arquivos estão na coluna da direita.

Antes da Casa Proença, houve o Odysseus. Ainda tô matutando quando comecei com esse negócio de blogs, mas não consigo achar nenhum traço do Odysseus no meu computador. Exceto por um continho que publiquei no blog e achei que valia a pena salvar antes do BrTurbo - o Odysseus ficava no The Blog - deletar tudo o que havia lá. É esse texto que republiquei aí em cima. A data é 23 de junho de 2003. Tá bom, vamos considerar essa como sendo a data oficial da minha entrada no universo blogueiro.

[Ouvindo: 2000 Man - Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request]

Doze

Uma rua praticamente deserta, doze anos depois. Se encontraram por acaso. Não pensavam mais um no outro.

- Meu Deus, há quanto tempo?

- Muito - ele respondeu, a voz meio cansada, meio alterada pela ressaca.

- Muito - concordou ela.

- O que você faz por aqui?

- Vim para o show dos Stones. Você também?

- É. Mas foi meio fraco, não acha?

- Eu gostei.

- Pô, eles não tocaram nada mais antigo, do Beggar's Banquet, por exemplo.

- Você e as músicas antigas. Sempre um relógio analógico num mundo digital.

- Gostei disso. Inventou agora? - ele perguntou ironicamente, ofendido.

- Arrã. Tenho minhas tiradas.

- Todos têm o seu dia. Tá sozinha?

- Com meu marido.

- Casada? Não brinca!

- Claro que sim. Você não?

- Nem pensar.

- Nem pensou em amadurecer um pouco nesses onze, doze anos? - corrige ela rapidamente.

- Sei, casar é amadurecer. Claro.

- Não me venha com essas ironias. Pela roupa vejo que ainda sofre de Síndrome de Peter Pan. Essa camisetinha justa não fica bem na barriga de um coroa.

- Há quem goste.

- Claro, na Praça Mauá.

- Quem é o irônico, mesmo? - revida ele.

- Touché.

- E esse tal marido, te faz feliz?

- Sim, é claro.

- Como eu te fazia feliz?

- Você não me fazia feliz. Me deixava com tesão. No começo era bom, mas casal nenhum agüenta viver só trepando.

- Não me parece uma má idéia.

- Não foi a impressão que eu tive nas últimas vezes.

- Touché - ele sorriu.

Ela sorriu de volta e virou-se atendendo ao chamado de um homem mais velho, que acenava de dentro de uma minivan de luxo.

- Teu marido tá chamando. Carro de coroa o dele, hein?

- Esse é o meu. O dele é um 4x4 importado.

- Claro que é. E aposto que ele tem uma lancha também.

- Jet-ski.

- Seria minha segunda alternativa.

- Você ainda veleja?

- Cada vez mais. E ainda coleciono carros esportivos e ainda jogo videogame. Mais alguma pergunta para você medir o grau de maturidade?

- Não, nenhuma.

- E ainda trepo como quando tinha 25 anos - ele completou por conta própria no momento em que uma garota de 21 pendurou-se no braço dele, usando top e microssaia. Ela olhou com desdém para a menina, balançou um pouco a cabeça e despediu-se dos dois.

Ao entrar no carro, sentiu o gosto amargo de uísque que sempre sentia nos lábios dele, o cheiro do suor de seu umbigo, a textura de seu pêlos. Uma breve memória sensorial da vida que teve.

Ele, ao beijar a ninfetinha ao seu lado, sentiu o perfume importado que a ex-mulher usava, o gosto do seu batom e sentiu nas coxas da garota, a textura madura do passado. Lembranças da vida que não mais teria.

[Ouvindo: DownThe Road Apiece - Rolling Stones - Now]

18 de janeiro de 2008

Eita mundinho

Cá estou eu, distante 1150 quilômetros da minha casa, tomando um espresso dopio e comendo uma fatia de torta de chocolate na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, e cruzo com um colega dos tempos de faculdade. Luiz Fernando Pereira, que eu não via há pelo menos quatro anos, está morando no Rio de Janeiro. E eu, viajando para a cidade de vez em quando para estudar ou trabalhar. Nos encontramos numa livraria. Serendipity, diriam os gringos. Coincidência, complemento. Volta o blog do Nando para a lista de links.

11 de janeiro de 2008

Sobre a lista

Pertinentes os comentários dos amigos sobre a lista dos álbuns que todos deviam ouvir. Deixei Sabbath de fora, deixei Rick Wakeman de fora, Cure de fora, muita gente boa de fora. Vou dar uma reavaliada nessa lista.

Lembrei de mais alguns, como Like a Virgin, da Madonna. Tem que ter The Lamb Lies Down On Broadway, do Genesis. Algum do Yes. Tá faltando coisa boa ali. Outro dia eu complemento, com as sugestões dos amigos devidamente avaliadas, e mais alguns que eu lembrei depois.

[Ouvindo: Universally Speaking - Red Hot Chili Peppers - By The Way]

10 de janeiro de 2008

Tem que ouvir: Thriller - Michael Jackson

thriller Muitos dos que comentaram no post abaixo vão torcer o nariz para esse primeiro álbum que escolhi para comentar. Michael Jackson é conhecido por sua síndrome de Peter Pan as acusações de pedofilia e tantas outras manchetes que esse astro mirim já rendeu. Mas, na minha opinião, ele é um dos maiores músicos do século passado.

Tá, o cara ainda tá vivo e é capaz de ter lançado alguma coisa recentemente. Porém, o que vale ouvir é velho. Coisa do tempo de Ben, ABC e outros singles de primeira linha. Jackson fez outras coisas boas depois de Thriller, seu álbum de 1982 e o que obteve o maior sucesso. Mas nada igual. O disco vendeu mais de 104 milhões de cópias. É o álbum mais vendido da história. Só isso já bastaria para fazê-lo figurar na minha seleção "tem que ouvir".

Esse disco foi um dos primeiros que ganhei dos meus pais, quando tinha 11 ou 12 anos, em Araranguá. Meu velhos recém haviam comprado um três-em-um da Sony, modelo HMK 339BS Gold. Todo em madeira e aço escovado, era uma beleza. Estávamos tão orgulhoso desse aparelho que alguém, acho que um tio, tirou uma foto minha e de meu irmão na frente do aparelho. Na minha mão, o encarte de Thriller. Na de Giuliano, o segundo disco do Balão Mágico. Pena que não tenho a foto aqui. Deve estar em alguma caixa na casa dos meus velhos.

Eu sabia (minto, eu sei) de cor todas as canções de Thriller. Ouvi à exaustão o álbum. E ainda hoje o considero um dos grandes discos jamais gravados. Entre as músicas mais conhecidas, dá pra citar a faixa título, Beat It, Billie Jean e Human Nature. Quem tem mais de 30 e não lembra dos clipes do álbum no Fantástico, os primeiros vídeos com enredo em vez de montagens desconexas de imagens?

A produção e arranjos do genial Quincy Jones são a polida que Jackson precisava para fazer o estrondoso sucesso. Isso, concatenado com maciços investimentos em publicidade (Michael virou garoto propaganda da Pepsi e aparecia em tevês de todo o mundo), criou um tremendo buzz em torno do álbum. Alguns singles de Thriller foram distribuídos no Brasil como brindes da Pepsi.

Das músicas desse disco, a minha favorita é Beat It, que tem a participação de Eddie Van Halen no riff de guitarra. Excelente, por sinal. Em segundo lugar, coloco Billie Jean. Como baixista, sou fissurado na levada de baixo que essa canção tem. Em terceiro, Human Nature, que tem uma letra de chorar e não é de Jackson. Steve Porcaro, tecladista do Toto (vocês lembrariam de Rosana, o único grande hit do Toto), compôs a música e John Bettis, letrista bastante ativo nos anos 1980, fez a letra.

As faixas de Thriller:

  1. Wanna Be Startin' Somethin' (Jackson)
  2. Baby Be Mine (Temperton)
  3. The Girl Is Mine (Jackson)
  4. Thriller (Temperton/Jackson)
  5. Beat It (Jackson)
  6. Billie Jean (Jackson)
  7. Human Nature (Porcaro/Bettis)
  8. P.Y.T. (Pretty Young Thing) (Ingram/Jones)
  9. The Lady In My Life (Temperton)

Se quiser baixar o álbum, use o link para o torrent abaixo (mas é preciso ter um programa compatível para baixar torrents).

Thriller_-_Michael_J

[Ouvindo: Beat It - Michael Jackson - Thriller]

Previsão de tempo

Chuvas para o final de semana, com queda brusca da temperatura.  Em Florianópolis, os termômetros não passam dos 26 graus no sábado e domingo.

Nada de vela nesse final de semana e tampouco de praia. Hora de assistir os mais de dez filmes que tenho gravados em casa e até agora não tive tempo.

Quem quiser ver as tabelas que consulto, o link é este.

[Ouvindo: Hino De Duran - Chico Buarque de Holanda - Chico 50 Anos - O Malandro]

9 de janeiro de 2008

Casa velha pra caramba

Fui vasculhar o meu disco para descobrir se tenho algum arquivo das versões anteriores do blog. Não é que tenho?! Olhando os arquivos em HTML (por muito tempo a Casa Proença foi feita na munheca, no Dreamweaver), descobri que o primeiro post do blog com esse nome é de 27 de janeiro de 2004. São quatro anos no final do mês, o que já é alguma coisa.

Já era blogueiro antes disso, mas o blog se chamava Odysseus e ficava hospedado no BrTurbo. Aqueles arquivos eu não tenho mais. Guardei só os contos e crônicas mais legais, em doc mesmo, que fui repostando na Casa Proença.

Vou ver se bolo um jeito de colocar os arquivos antigos no ar, para quem quiser relembrar o tempo em que eu postava quase todo dia, não quase toda semana.

[Ouvindo: Mommy, What's A Funkadelic? - Funkadelic - Funkadelic]

Tem que ouvir um dia

Hoje, pedalando na Beira Mar de São José e ouvindo Back in Black, do AC/DC, observei a faixa etária do povo que estava caminhando por ali e pensei: "Muitos desses caras nunca vai ouvir essas músicas". E comecei a imaginar e listar álbuns que as pessoas não poderiam deixar de ouvir.

"Pô, vou botar uns posts assim no blog", raciocinei. Pois bem, esse é o primeiro. Quer dizer, nesse eu vou listar 40 discos que ninguém que queira conhecer um pouco de música pop-rock de língua inglesa pode deixar de ouvir, pouco importa o gosto musical. É música boa. Claro que vou me ater a pop e rock, porque os eruditos eu deixo a cargo do meu irmão. Disso ele manja melhor que eu.

Na minha opinião, os primeiros 40 discos que valem a audição (e o download, nesses tempos tão MP3):

  • Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - The Beatles
  • Thriller - Michael Jackson
  • Beggar's Banquet - Rolling Stones
  • Rumours - Fleetwood Mac
  • A Night At The Opera - Queen
  • Back in Black - AC/DC
  • Nevermind - Nirvana
  • Breakfast in America - Supertramp
  • Dark Side Of The Moon - Pink Floyd
  • Disraeli Gears - Cream
  • The Queen Is Dead - The Smiths
  • Highway 61 Revisited - Bob Dylan
  • Led Zeppelin IV - Led Zeppelin
  • Introspective - Pet Shop Boys
  • Kind Of Blue - Miles Davis
  • London Calling - The Clash
  • Brothers In Arms - Dire Straits
  • Pablo Honey - Radiohead
  • Pet Sounds - The Beach Boys
  • Songs In The Key Of Life - Stevie Wonder
  • Goodbye Yellow Brick Road - Elton John
  • Stop Making Sense - Talking Heads
  • Surfer Rosa - Pixies
  • The Rise And Fall Of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars - David Bowie
  • Transformer - Lou Reed
  • (What's The Story) Morning Glory? - Oasis
  • Who's Next - The Who
  • Never Mind The Bollocks - Sex Pistols
  • Morrison Hotel - The Doors
  • Maxwell's Urban Hang Suite - Maxwell
  • Machine Head - Deep Purple
  • Love - The Cult
  • Interstate '76 - Bullmark
  • Hysteria - Def Leppard
  • Rocket To Russia - Ramones
  • Electric Ladyland - Jimi Handrix
  • Blood Sugar Sex Magik - Red Hot Chili Peppers
  • The Joshua Tree - U2
  • American Beauty - The Grateful Dead
  • Is This It - The Strokes

A lista não tem ordem alguma. São discos que têm, cada um, suas pérolas, nuances, importância para a história da música pop. Devagarzinho eu vou falando de cada um deles.

Se alguém notar uma ausência gritante, me avise nos comentários. Sempre gosto de conhecer boa música.

[Ouvindo: El parque de Cervantes - Loquillo y Trogloditas - Tiempos Asesinos]

6 de janeiro de 2008

Seis dias não é muito

Quem esteve nesse bloguinho nos primeiros seis dias de janeiro, pode ter notado que o navegador exibia "Casa Proença 2007" no título. Hoje atualizei o template, fiz umas pequenas mudanças e dei a partida na Casa Proença 2008.

Ano novo mas uma casa antiga, com o mesmo espírito e o mesmo jeitão de sempre, imutável desde a época do Odysseus. Os leitores antigos vão lembrar.

30 de dezembro de 2007

A inevitabilidade

Dois ou três meses atrás, meu pai me disse ao telefone:

- Filho, tua avó tá ruinzinha, fraca, não quer comer nem tomar remédios. Temos que ir nos preparando.

Eu não estava pronto na manhã de sábado, dia 29.

Acho que ninguém se prepara para a morte. É sempre difícil encará-la. Talvez o moribundo, sabendo da iminência da morte, tenha uma certa clareza e encare-a de frente, com serenidade.

Mas a família, ah, essa é outro papo. Por mais que meu pai tivesse, ele mesmo, avisado da fragilidade da velha Elza, tomou um baque quando soubemos que ela havia morrido. Ele, minha mãe, minhas tias.

Um final de ano triste por aqui. Mas com uma certa paz para a minha avó, 89 anos sofridos, com cinco filhos criados e sete perdidos ainda crianças, no interior das Lages de antigamente.

A benção, vó Elza.

20 de dezembro de 2007

Lançamentos 2007

Tem dois discos deste final ano que merecem ser ouvidos. Um deles é o novo do Foo Fighters, Echoes, Silence, Patience and Grace. Discão, como quase toda a obra dos caras. Gostei especialmente de Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running, uma levadinha com guitarras distorcidas mas sem grande pancadaria.

O outro é In Rainbows, do Radiohead. Bem calmo, mas com suas levadas mais agitadinhas. Um típico disco da banda brit pop. Claro que só vai gostar quem curte Radiohead. Dã!

[Ouvindo: Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running - Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience and Grace]

17 de dezembro de 2007

Ready, set, go!

Neste último final de semana não deu para velejar, mas ainda assim estive na marina. Fui levar o motor, que havia passado duas semanas na oficina. Ficou muito bom. Pega na primeira, acelera bem e já não engasga com o acelerador todo aberto.

Diz o mecânico que o problema era apenas sujeira. Gasolina velha, especialmente depois de misturada com óleo, é uma desgraça. Vou começar a levar sempre combustível novo nas velejadas, mesmo que isso implique em gastar mais óleo náutico para motor dois tempos. No fim, é economia com revisão do motor.

Mas o importante é que o barquinho está em ponto de bala para a temporada de vela. Na real, me faltam duas coisas: um flutuador de tope e duas defensas. O flutuador é um balão que fica no topo do mastro e impede a capotagem do barco, no caso dele virar. Reza a lenda que, com o mar calmo, não molha nem a cabine. Já as defensas ajudam a proteger o casco nas ancoragens em trapiches. Esse ano pretendo sair para almoçar em São Miguel ou Fazenda da Armação e seria bom poder contar com as defensas para não arranhar o casco. Quem quiser me dar de natal, fique à vontade.

14 de dezembro de 2007

Cansei!

Não, não se trata de empresários paulistas e dondocas reclamonas fazendo manifestações. Estou cansado fisicamente mesmo, depois de pedalar mais de 12 km, da minha casa até a Ponta de Baixo, em São José.

Um bom modo de espantar o estresse e garantir que o colesterol não suba às alturas. Obviamente que a diminuição, ou pelo menos o controle da barriga também é um fator importante.

Quem pedala pra valer vai dar risada dos 12 km, mas calma, gente. Ganhei a bike de aniversário, no final de julho, e devo ter usado no máximo umas dez vezes. Cinco delas nas últimas duas semanas. Ainda estou nos primeiros estágios. Daqui pra frente só melhora. Se eu persistir, claro.

O trajeto foi (com a ressalva de que fiz o trecho marcado como Av. Presidente Kennedy pela Beira Mar de São José. O Google Maps ainda não sabe da existência da maior obra do ex-prefeito Dário Berger):


Exibir mapa ampliado

[Ouvindo: Vamos - Pixies - Surfer Rosa]

13 de dezembro de 2007

Idiotia latino-americana

Estou lendo e recomendo A volta do idiota (Odisséia Editorial, 240 p.), de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa. É uma visita à idiotia latino-americana dez anos depois do primeiro livro do trio - Manual do perfeito idiota latino-americano.

Desta vez, os três "quase liberais" se debruçam sobre os anacrônicos líderes de esquerda que comandam nações abaixo do trópico de câncer. Claro que a estrela do livro é o comandante Chavez, que divide com Castro a simpatia dos saudosistas de esquerda no continente. Sobra também para Morales, claro.

O interessante é observar que os autores chegam a quase simpatizar com outros esquerdistas no poder, como Michelle Bachelet, Alan García, Tabaré Vázquez e, quem diria, Lula.

Essa turma, classificada como de esquerda por liberais mais ferrenhos e conservadores de direita, são uns sociais-democratas disfarçados. Mais ou menos como a China, que é uma economia de mercado com o mínimo de regulação estatal disfarçada de nação socialista.

Mas isso não invalida o livro, que é escrito com ironia e bom humor. Para quem quer pensar um pouco, mas não muito.

12 de dezembro de 2007

Muitos porteiros e pessoas normais

Uma reclamação recorrente de quem visita Brasília é que o clima é seco demais. Eles dizem isso porque nunca pegaram dias de chuva na cidade. Se Brasília é ruim quando está seca, quando chove é pior. A terra vermelha vira uma argila que gruda em tudo. Sapatos ficam com as solas avermelhadas, as barras das calças cheias de respingos vermelhos.

Mas o pior é que apesar da chuva, o clima ainda é seco. Não há aquela umidade de uma cidade à beira mar, como Floripa ou Rio. Minha rinite piora em Brasília. Meu humor piora em Brasília. Mas, pior, Brasília não fica.

10 de dezembro de 2007

Ah, uma mega sena...

Que dia, meus caros. Um daqueles em que a gente sonha com a Mega Sena. Depois de uma bela pedalada, subindo morros em São José, indo e voltando na Beira Mar. E ouvindo Nirvana.

Mas ainda estou meio agitado. Contrafeito por ter que viajar para a capital federal e meio cansadão de estudar e fazer trabalhos do MBA. Não aguento mais o logo da FGV na minha frente.

Agora é deitar na cama e terminar de ler Dracula, de Bram Stoker. Escrevo mais do Planalto Central.

[Ouvindo: Cars (MPH Mix) - Fear Factory - Nascar - Crank It Up]

6 de dezembro de 2007

Não é só no Brasil

Temos nossos Enéas, nossos Clodovils, nossos candidatos esquisitos e sem propostas. Nossos políticos apenas com imagem e nada mais. Mas os norte-americanos também têm os seus. Um desses, bem singular, é Michael Huckabee.

O governador do Arkansas (o estado de Clinton, lembram?) quer ser indicado candidato à sucessão de Bushinho. Um dos seus comerciais mostra ele sendo apoiado por ninguém menos do que Chuck Norris. Ou, para os íntimos, Xúqui Nórris. Vejam o vídeo.

[Ouvindo: Chainsaw Times - Killer Barbies - Only For Freaks!]

4 de dezembro de 2007

O porquê do retorno

Logo Os dois ou três amigos que visitaram esse bloguinho desde ontem devem ter notado que repentinamente o volume de posts por semana aumentou. A razão é simples: achei um software para me ajudar nessa tarefa de blogueiro.

Nunca gostei das interfaces online dos blogs. Acho que sou meio coroa mesmo, não gosto de escrever usando ferramentas de internet. Prefiro trabalhar num arquivo offline e depois postar no blog.

Usava o w.bloggar, até que o desenvolvedor parou de dar suporte à ferramenta. O Blogspot mudou um par de configurações e fiquei largado a minha própria sorte.

Mas ontem comecei a pesquisar na internet e ver se havia algum novo programa que pudesse suprir essa demanda. Achei o Zoundry Blog Writer. Foi com ele que postei o comentário sobre a velejada, alguns posts abaixo. Fácil de notar porque o tamanho está fora do padrão do blog.

Mas não gostei muito da ferramenta e segui na busca. Lendo nos fóruns, cheguei no Windows Live Writer, que é o software que estou usando para esse post. É gratuito e bem interessante. Tem uma boa interface com o usuário, um bom sistema de postar imagens e criar tabelas, como podem ver pelo topo do post e uma funcionalidade que considero essencial: faz a integração com o que estou ouvindo no Media Player e o blog.

Agora, devidamente reequipado, podem contar com mais posts e novidades nessa casa, que andava tão entregue às moscas.

[Ouvindo: Heroes - David Bowie - Heroes]

Um dia de Papai Noel

O grupo de ação social da empresa em que trabalho foi até o Correio e coletou uma série de cartas escritas por crianças pedindo presentes para o Papai Noel. Eu peguei uma delas para responder e mandar um presente.

O nome do garoto que escolhi é José. Ele mora no Rio Vermelho, tem seis anos e pediu um carrinho de controle remoto.

Tem tanta coisa que eu queria escrever para ele que nem sei por onde começar. Queria recomendar que o José estudasse bastante, que não aceitasse ser mandado para lá e para cá pelos outros, que se dedicasse a tudo o que faz, que pensasse duas vezes - ou até mais - antes de votar, de criticar alguém, de escolher uma carreira. Isso se ele puder escolher uma carreira.

Mas provavelmente não vou escrever tudo isso. José tem apenas seis anos. O que ele quer agora é uma cartinha do Papai Noel e um carrinho de controle remoto. E é isso que ele vai ganhar.

2 de dezembro de 2007

Começo da temporada de vela


Hoje, Jefe e Max me acompanharam na primeira velejada deste verão. O Gostosa está em boa forma, velejou muito bem e muito rápido num vento picado de 8-10 nós com rajadas, mas infelizmente não posso dizer o mesmo do motor. Já na saída, o Johnson 3.3 HP nos deixou na mão, obrigando os dois desafortunados tripulantes a darem uma bela remada até safarmos os barcos apoitados perto da marina. Sabem como é: capitão não rema, fica timoneando. Espero que no próximo final de semana o problema com o motorzinho esteja resolvido, já que deixei marcado para o mecânico pegá-lo na marina na terça-feira. De qualquer forma, o tempo estando bom, saio com motor ou sem motor.


25 de abril de 2007

Alice

O coelho já estava sangrando quando Alice passou pela rua. Agachou-se.
- O que houve? - Alice perguntou, amparando a cabeça do coelho com a mão esquerda, os olhos cheios de lágrimas.
- Um motoqueiro e me baleou. Já passou um monte de gente por aqui e ninguém me atendeu. Só você parou - falou, agonizante, o coelho.
- Meu Deus, ninguém parou?
- Ninguém. País das Maravilhas uma ova. Desde que aquela rainha maldita assumiu o poder, as coisas só pioram.
- Não fale, não fale. Você vai piorar. Uma ambulância, por favor! - Alice gritou, sem resultado.
- Ninguém liga para um coelho. Maldita a hora em que desafiei o Chapeleiro Maluco. O cara manda nas bocas de chá por aqui.
- Meu Deus, você trabalhar pro Chapeleiro Maluco? - horrorizou-se Alice, seus dedos de classe média largando rapidamente o coelho ferido.
- Não, moça. Eu sou de outra facção. A gente tava tentando tomar uma das bocas dele, no morro do Ás de Paus. Aí deu essa merda braba. É por isso que eu vou morrer.
- Meu Deus, e a rainha não faz nada? Os traficantes de chá se matando nas ruas e ninguém faz nada?
- Liga não, moça - diz o coelho, tossindo uma bola de sangue - É assim mesmo. Na hora que a violência bate na porta, as meninas riquinhas que nem você se apavoram. Mas depois de umas passeatas, umas palestras e umas prisões, todo mundo se esquece do problema.
- Eu não sou ass...
- Claro que não - interrompe o coelho, condescendente.
Com uma olhada final para Alice, o coelho sorri, os dentes cheios de sangue, e abaixa lentamente as orelhas. Os olhos vermelhos ficam opacos e o corpo amolece na calçada da Zona Sul do País das Maravilhas.
Alice levanta e olha para os lados, atrás de um soldado da Rainha de Copas. Ninguém parece dar bola para a cena. Alice segue até a delegacia mais próxima e avisa do corpo. Tomam seu depoimento, anotam seu dados, endereço, telefone. Alice se sente uma cidadã que cumpriu com o dever de qualquer cidadã.
Quando volta para casa, tem uma história e tanto para contar às amigas. Enquanto tomam um belo chá, comprado no morro do Ás de Paus.

20 de fevereiro de 2007

MBA em Gestão

Voltando dos Ingleses, agora há pouco, passamos, Lu e eu, por um outdoor que oferecia um MBA em "Gestão para Excelência". Isso nos fez pensar: é preciso colocar o objetivo das técnicas de gestão? Seria possível uma "Gestão para Mediocridade"? Claro que muitas empresas praticam isso, se retendo em picuinhas e desmotivando o grupo achando que está exercendo liderança. Mas o comentário é sobre os MBAs estranhos que estão aparecendo por aí. Aqui em Floripa tem um que é Gestão dos Negócios do Surfe. Isso que eu chamo de foco! Bem, pelo menos a universidade que oferece esse curso está na cidade certa. Especialmente nessa época do ano, Florianópolis tem surfistas saindo pelo ladrão.

4 de fevereiro de 2007

Enjôo

Luciana foi velejar comigo hoje pela primeira vez. Com essa experiência, descobrimos duas coisas: não consigo subir a vela grande do Gostosa sozinho e a Lu enjoa no barco. Até tentamos, acompanhados da amiga Michelle, velejar apena com a buja. E até íamos bem. Mas o enjôo da Lu começou a piorar e tive que ligar o motor para voltar até a marina, já que o Gostosa não orça sem a mestra, só com a buja.

Não sei bem se o enjôo se repetiria em condições ideais de equipamento, mar e vento. Ou seja, se eu conseguisse subir a vela mestra, o mar menos picado e o vento constante em cinco ou seis nós. Como agravante, Lu se recupera de uma crise de esofagite. Não sei se isso contribuiria para o enjôo. Mas vamos tentar de novo, num dia com mais um par de braços masculinos, que possam me ajudar a subir a vela, melhores condições climáticas e de saúde. Até porque a decisão de trocar o Day Sailer II por um barco maior vai depender muito, muitíssimo, do gosto que ela adquirir pela vela.

31 de janeiro de 2007

Rato de ferro-velho

Quem acompanha esse bloguinho há algum tempo já sabe que estou restaurando um Puma GTE 1976. Desde que comecei a fazê-lo, virei rato de ferro-velho. Sábado passado, estive na meca dos pumeiros. O lugar que 10 entre 10 "pumeiros" indicam para buscar peças usadas originais. Ilhota. Sim, Ilhota, a 13 quilômetros da BR-101, seguindo pela SC-470 rumo Oeste a partir de Itajaí.

Lá, há o ferro-velho do Sérgio, com pelo menos 10 carcaças de Pumas GTE, GTS, GTB e até um ocasional AM. Infelizmente, não havia nada que me servisse. Quer dizer, até havia, mas nada que o Sérgio pudesse me vender, já que ele também está restaurando um Puma semelhante ao meu, modelo "tubarão".

Sigo, portanto, na procura de sinaleiras traseiras (as mesmas da Variant e do TL), de quadros de porta, de console e painel, entre outros pequenos detalhes. Carros antigos são assim: sempre falta um detalhe.

Por isso passei a viajar olhando as margens das estradas, procurando por carcaças infestadas de ferrugem, por aglomerados de lata ao lado de casebres sem pintura. Aprendi a ver beleza nesses lugares. Em Araranguá, por exemplo, vi num ferro-velho um Gurgel X-12, perfeitamente recuperável. Com um pouco de dinheiro e paciência, claro. Em Balneário Camboriú, há um Maverick GT com algumas peças originais. O próprio Sérgio de Ilhota tinha um Aero Willys com a lata ainda inteira. Se tivesse dinheiro, comprava todos.

Assim, amigos, se nas suas andanças virem algum ferro-velho meio escondido, com uma carcaça de carro nacional antigo (Variant, TL, Zé do Caixão, Karmann-Ghia, Interlagos...) me avisem. Como recompensa, uma volta de Puma. Depois de pronto, é claro.

25 de janeiro de 2007

Google

Não vou dizer novidade alguma se escrever que nós, usuários medianos de computador, não usamos metade dos recursos do sistema operacional, dos aplicativos de processamento de texto, dos editores de planilha. É lugar comum. Quantos menus do Word você não sabe para que serve? E botões? E janelas? No meu caso, um monte.

Mas que eu não aproveitava o Google, isso é novidade! Fazendo uns cálculos de câmbio para planejar uma viagem, descobri que o Google faz, direto na barra de busca, conversão de moedas. Basta colocar o valor, o código da moeda de origem, o "comando" to e o código da moeda de destino. Exemplo: para converter 1.200,00 yuans chineses em reais, basta escrever 1200 CNY to BRL. O Google responde para você que o valor corresponde a "329.375458 Brazil reais".

Além disso, é possível fazer cálculos. Raiz quadrada, cubos, somas, multiplicações. Para quem está sempre com o navegador aberto, como eu, isso é uma mão na roda. Ainda mais prático se tiver a Barra do Google ou o Google Desktop. Para saber o que mais o Google faz, visite o próprio site.

[Ouvindo: Coração Tranqüilo - Pato Fu - Houve Uma Vez Dois Verões]

12 de janeiro de 2007

Anticlímax

Essa é uma história sem desfecho surpreeendente. O leitor não deve esperar surpresas, viradas, hábeis jogos de palavras no final. Aliás, se estiver lendo atrás de algo do gênero, desista. Vá procurar os demônios e assombrações de Stephen King, as engendradas revelações de Hercule Poirot ou Miss Marple nos livros de Agatha Christie, as emoções de frases curtas e parágrafos mínimos de Dan Brown ou seus genéricos.

Isso não é sequer um conto. Não tem estranhamento, não tem dicas de como a história se resolve. Ou tem? Já não sei. Se quiser descobrir o que é um bom conto, encontrar seus elementos literários, vá afundar os olhos em um bom Cortázar, em García Márquez. Ou pegue um bom brasileiro: Rubem Braga, Machado, Veríssimo, o filho. Só não leia mais desse texto. Não vá adiante.

Só prossiga se sofre do coração, não lida bem com emoções, acabou de sair da terapia e quer calma e quietude. Se seu tempo vale pouco ou nada, siga adiante. Uma palavra após a outra, esse texto se repete, vai ficando mais chato e mais sem graça. Depois não diga que não avisei.

Anderson é estúpido. Atravessa seus dias numa vidinha medíocre que podia muito bem ser encerrada por um Volvo N10 carregado de melancias ou um câncer terminal sem que alguém desse pela sua falta. Mas seria demais, muitas emoções. Portanto, tedioso, Anderson prosseguia existindo. Ia aos mesmos lugares, sempre. Com as mesmas pessoas, sempre. Falava as mesmas coisas, sempre.

Até que num desses lugares de sempre, com as pessoas de sempre e falando as coisas de sempre, ele viu Daniella. Um observador mais atento notaria o brilho no olhar de Anderson. Mas teria que ser muito sensitivo para notar, no meio de tanta pequenez. Daniella não era, e não deu bola para os olhares de Anderson.

Ele, na sua pasmaceira usual, nada fez por exatos 118 minutos. Mas quase ao cabo de duas horas desde que notara a garota ruiva, de nariz levemente arredondado e bochechas rosadas pelo álcool, ele levantou da mesa em que estava e sentou ao seu lado. Balbuciou uma dúzia de palavras que sequer lembra quais foram e esperou a reação a garota. Ouviu em resposta um "vê se se toca", seguido de um "me erra, mané". Anderson voltou para sua mesa e tudo seguiu exatamente igual.

Eu avisei.

[Ouvindo: Fascination Street - The Cure - Disintegration]

10 de janeiro de 2007

Eu quero dois

Um pra Lu, outro pra mim. Estou falando do iPhone que o Steve Jobs, CEO da Apple, lançou oficialmente ontem. Estive olhando o bichinho no site da empresa e fiquei de queixo caído.

Tem algo inovador na junção de telefone celular com mp3 player e acesso à internet? Não, nada. Sim, tudo. Toda ou quase toda a tecnologia usada no iPhone está em outros aparelhos disponíveis no mercado. Até o meu tijolão da Nokia tem mp3 player, toca vídeos e usa um sistema operacional bastante amigável, com interface gráfica. A Apple, mais uma vez, ganha pontos pelos seus desenvolvedores "pensarem fora da caixa", para usar uma expressão norte-americana e certamente cara a Jobs.

O resultado é um telefone que não tem teclas ou botões, roda o sistema operacional dos Macintosh (OS X), memória de 4 ou 8 gigabytes, câmera de 2 megapixels e conectividade sem fio via wi-fi, bluetooth e EDGE. E, marca registrada da Apple, um design fantástico.

Resta saber se o iPhone conseguirá manter-se sempre atraente num mercado dinâmico como o de telefones celulares de ponta. Um estudo do Yankee Group diz que o ritmo de troca de equipamento nesse nicho específico é de três aparelhos por ano. Se eu tivesse um iPhone certamente ia passar mais de um ano com ele. Quando será que esse brinquedinho chega no Brasil?

[Ouvindo: Life On Mars - David Bowie - Best Of David Bowie 1969-1974]

1 de janeiro de 2007

Nº 7

Já estava usando no notebok e gostei. Agora, instalei no desktop também e recomendo para os amigos: o Internet Explorer 7 é bem melhor do que a versão anterior. Vale a pena a atualização. Claro que os fãs aguerridos do Firefox vão dizer que a Microsoft chegou atrasada e que o browser da raposinha já tem abas de navegação há tempo (no IE7 são "guias"), bem como o terceiro colocado na corrida pela preferência dos usuários, o Opera. Mas, ainda assim, eu vou de IE porque é padrão de mercado. Como creio muito na força do mercado, prestigio o produto líder, hehehehe. Ah, um toque importante: é preciso usar um Windows XP legalmente registrado com o Service Pack 2 para poder instalar o browser. Até dá para instalar nos piratas, mas envolve mexer nas entranhas do sistema.

[Ouvindo: Kooks - David Bowie - Hunky Dory]

19 de dezembro de 2006

Recomendo

Quem vem aqui atrás de ficção e sai decepcionado (me falta tempo, pessoal), recomendo a leitura de "A Ilha", no Bobagêra, de Carlito Costa. Coisa de primeira. Vai lá!

18 de dezembro de 2006

Videozinho

Lauro Maeda fez um vídeo/slide show da velejada de que falo dois posts abaixo. Clique aqui para ver (executável - 15 MB). Observem a esteira deixada pelo Gostosa com o vento batendo de popa. Nunca tinha surfado com ele, mas se mostrou um barco bom para isso. Agora, com as funções de final de ano, só em 2007. Amigos proeiros, até lá!

[Ouvindo: Roberto Carlos - Por Isso Corro Demais - Em Ritmo de Aventura]

13 de dezembro de 2006

Bíblias

Religião não é meu forte. Nem meu fraco. Não dou bola para religiões. Mas tenho alguns livros "santos" na minha vida. Histórias de Cronópios e de Famas, de Julio Cortázar, é um. Outro é Manual de Vela, da Federação Espanhola de Vela. Mas ontem comprei mais um título que será minha bíblia por um bom tempo, pelo menos um ano e meio: Catálogo de Peças - Puma GTE-GTS 1970 a 1975. Havia achado esse catálogo por R$ 90,00 mais o frete no Mercado Livre. Mas pelo Orkut, na comunidade de pumeiros, recebi a dica de um paulista que vende o mesmo material por um preço mais camarada. Vai custar R$ 28,00 mais o valor do Sedex.
[Ouvindo: Whipping Boy - Ben Harper - Welcome To The Cruel World]

10 de dezembro de 2006

A primeira da temporada

Desde o outono não saía para velejar. Tentei por algumas vezes desde que o tempo começou a esquentar aqui por Florianópolis, mas sem sucesso. Hoje fui à forra. Com um ventinho bom de Nordeste, em torno de 10 nós com rajadas de 12 a 13 nós, fomos - o camarada Lauro Maeda e eu - em uma hora e meia até a Praia da Daniela, no Norte da Ilha. A marina onde guardo o Gostosa, meu Day Sailer II de 16 pés, fica em Santo Antônio de Lisboa. Até que fomos rápido.

Mas a volta, com o vento de popa e as velas em "asa de pombo", foi ainda mais rápida: meia hora. Surfávamos as ondas maiores, o que sempre é um pouco de adrenalina porque se perde momentaneamente o controle do barco. Voltamos a tempo de desmontar e guardar as tralhas ainda com sol. Logo depois, a chuva apareceu, tímida e perfeita para molhar velejadores bobos. Mas já não nos incomodava mais.

[Ouvindo: Lugar Nenhum - Titãs - Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas]

7 de dezembro de 2006

Velhinhos conectados

Minha mãe e meu pai têm 59 e 64 anos, respectivamente. Pessoas dessa idade usualmente não são muito afeitas a tecnologia. Os dois não são exceção. Mas ainda assim, se viram. Têm computador em casa, banda larga e nesse mês ganharam uma webcam da minha prima. Ontem me diverti com os dois, vendo eles pela cam. Minha mãe levanta a cabeça e baixa os óculos para olhar para a tela. Já meu pai estava indignado com a qualidade da imagem. Achava tudo muito borrado e com cores estranhas. Mas já é alguma coisa os dois usarem o MSN, ainda por cima com uma webcam. Ambos gostaram da experiência e acho que desse jeito vamos diminuir as contas de telefone. A minha e a deles.

5 de dezembro de 2006

Descobri a Antártica

Para quem não sabe, eu velejo. Não corro regatas nem tenho um barco grande que se possa levar família e amigos para passear nas dezenas de ilhas que circundam a porção insular de Florianópolis. Mas, ainda assim, velejo. E só agora descobri Amyr Klink.

Nunca tinha lido um livro dele, até o amigo Carlito, do Bobagêra, me dar Mar Sem Fim de presente. Li num fôlego. Aí o grande Marcelinho, aquele Da Poltrona, me emprestou Paratii - Entre Dois Pólos. Levei um pouco mais de tempo, mas comi o livro.

O fato é que estou numa fase "aventuras no mar". Vou atrás das aventuras do Endurance, o navio que Shackleton usou para tentar chegar ao pólo (agora não lembro se o Sul o Norte). Já havia lido a Expedição Kon-Tiki, sobre uns malucos nórdicos que resolveram chegar numa ilhota do Pacífico usando uma jangada pré-histórica. E tinha gostado. Mas lendo sobre as velejadas de Klink, vi que aventuras não precisam ser tão ousadas.

Assim, tracei a minha "Antártica" para esse verão. Chama-se Governador Celso Ramos. Vou sair com meu veleirinho num dia de bom vento e seguir até a Fazenda da Armação. Não é longe, é bem tranquilo chegar lá. Mas é uma mudança de foco nas minhas velejadas. É um objetivo.

Aceito candidatos a proeiro.

Sem compromisso

Nada de "que bom, o blog voltou", "ah, resolveu escrever" ou coisas do gênero. Não quero compromisso. Talvez passe mais seis meses sem dar as caras por aqui. Mas falei pelo MSN com o colega Carlito agora há pouco e deu na telha instalar o w.bloggar no notebook e escrever uma meia dúzia de obviedades sentado na cama e vendo tevê. Uma desgraça esse problema de concentração. Não fazer uma coisa por vez. E fazer tudo meia-boca.

1 de outubro de 2006

Declarando o voto

Acabei de teclar o 12 na urna eletrônica. Um pouco por desprezo à falta de idéias e ao arremedo de plano de governo que o principal candidato de oposição lançou à míseros 11 dias do pleito. Um pouco pelas alianças condenáveis desse mesmo candidato com coronéis atrasados politicamente e responsáveis pelo mesmo atraso desse nosso belo país. Por outro lado, teclei 12 um pouco também pela ojeriza à lambança administrativa do atual governo, pela incompetência em somar 4,5% mais 4,5% e pelo discurso vazio e despreparado do atual presidente.

Um, depois dois e firmei minha posição. Não por achar que as idéias ditas neo-liberais, a privatização e a responsabilidade fiscal foram erros dos oito anos de FHC no poder, nem por acreditar que o período lulista tenha sido tão pior. Não. Nem um nem outro. Dadas as condições de temperatura e pressão, suas alianças necessárias para governar, sua própria capacidade em enxergar além do próprio umbigo, eles não se saíram tão mal.

Não foi só por isso que digitei 12 agora há pouco, nessa tarde chuvosa na capital catarinense. Foi porque o monotema de Cristovam Buarque seria meu primeiro passo para tentar arrumar essa nação, caso fosse presidente. Não concordo com todas as idéias que o candidato do PDT tem para a área - acho-o por demais estatista -, mas ainda assim, acredito que educar é o único caminho. Outro dia conto sobre minhas idéias para essa área. Hoje não é dia de colocar opiniões valiosas ao sol: está chovendo.

Independente de quem ganhar, espero que ouça os conselhos do professor Buarque. E que os 3% ou 4% que ele alcançará sirvam para mandar um sinal ao vencedor: há gente no Brasil preocupada com educação.

[Ouvindo: California Sun - Ramones - Hey! Ho! Let's Go - Anthology (Disc 1)]

20 de setembro de 2006

Memorias

El cuarto se quedó sereno. Sin barullos ni lloros o sollozos. Solo la quietud. Yo podía escuchar el alma creciendo, la sangre cargando mis angustias, mis lágrimas que no salieron. Pasé los ojos por todo el cuarto y dijo adiós. Más no podía hacer.

Toda mí vida tendría las memorias de estos días. Toda mí vida me olvidaría de sus ojos, su pelo, su olor. Y mí olor sería su olor por dos o tres días. Solo quería que fuera más. Ahora, solo las memorias.

Pero mis memorias no serían más tus memorias. Ella me olvidaría. Pero yo no. No la olvidaría jamás. Por más que yo quisiera, no pudiera. Y yo quiero. Cuando envejecer, tendré la garantía que mi cerebro la olvidará.

[Ouvindo: Kiss To Build A Dream On - Louis Armstrong - All Time Greatest Hits]

10 de setembro de 2006

Um pouco de política

Política é assunto que evito nesse blog. Já preciso pensar muito nisso no trabalho, então tento desligar nas horas de lazer. E é isso que o blog é pra mim:lazer. Mas tem vezes que o cérebro insiste em pensar em eleição. Aí o melhor é não brigar com ele. Preciso demais do bichinho para me indispor de graça.

Pois meu cérebro pensou, dia desses, na bobagem que era a aposta de Luiz Gonzales, o marqueteiro de Alckmin, e dos cabeções da coligação PSDB-PFL. Eles acreditavam, ou pelo menos diziam que acreditavam, numa virada depois que o programa eleitoral gratuito fosse ao ar. Iriam tornar o tal Geraldo (quem?) conhecido, desconstruir o governo Lula (essa parte, colaboração das raposas pefelistas) e virar o jogo eleitoral, amplamente favorável ao indigitado que ocupa o Alvorada.

Pensando friamente, os escândalos envolvendo a petezada que se apoderou da máquina governamental não poderiam ganhar mais publicidade do que durante seu auge, na época do caseiro Francenido, da queda de Dirceu e Palocci, do mensalão. A imprensa toda, até a Globo, divulgou amplamente o rolo todo. E muito mais gente assiste aos telejornais nacionais das grandes redes do que aos programa eleitorais. O formato jornalístico é mais familiar, tem mais credibilidade. Programa eleitoral é pregação para o vazio, na maior parte dos lares brasileiros.

Por isso me custa a crer que profissionais de comunicação sérios e políticos matreiros e escolados realmente apostassem numa virada sustentada pelo programa eleitoral gratuito. Acho que jogavam para a torcida. Para não entregar os pontos.

Agora o tal Geraldo diz que nos últimos quinze dias é que a campanha começa pra valer. Só se for pra ele. FHC - aquele, vocês lembram - já entregou o jogo com uma cartinha. Até Jorge Bornhausen foi pego admitindo a vitória de Lula. Ao Globo, disse hoje que o PFL fará a maior bancada do Senado e a segunda será do PSDB. E em seguida emendou: "A oposição será maioria". Até o velho kaiser anda tomando lições de realismo.

[Ouvindo: Won't Get Fooled Again - The Who - Who's Next Deluxe CD1]

3 de setembro de 2006

Luão

Porra, eu tô seco. Uma trepada, uma cana, uma briga com um playboyzinho, qualquer coisa pra me tirar desse tédio sem fim. Um nada a fazer, olhando o reflexo da lua no mar com um John Player Special entre o indicador e o médio da mão direita. Merda. Isso é viver numa prainha fodida dessas, sem nada pra fazer. Uns amigos imbecis, que só querem andar de carro pra cima e pra baixo. Acham que tão impressionando, os manés. Gastando gasolina com nada, borracha no asfalto, fumaça no ar. Puta que pariu, nem um baseado pra me acalmar. Uma merda.

Uma praia que não se acaba mais. Cinquenta quilômetros de água e areia pra cada lado. A única coisa interessante deve ser um casal ou outro trepando entre as dunas. Quem não tem carro se vira assim. E eu que nem carro nem mulher tenho? O máximo que posso fazer é tocar uma punheta nas dunas. Não deve ser a mesma coisa. Também, nem tô com vontade mesmo. Tô seco mesmo é por uma cana ou um baseado.

Nada de grana. Se pelo menos rolasse um troquinho, se o meu velho não fosse tão regulão. Liberasse umas notinhas pra eu comprar umas doses de vodca. Aí pintava alegria. Mangüaçado eu descolava uma briga com um mauricinho metido e pronto, ia-se o tédio pras cucuias. Ou melhor, descolava uma vadiazinha, caçadora de surfistas. Se não pra trepar, pelo menos pra dar uns malhos, uns chupões bem dados nos peitos. Já tava bom. Mas nessa praia de merda não rola nada pra mim. Que se fodam todos.

O negócio é ficar aqui, sentado, deixando a areia entrar bermuda e cueca adentro, a umidade da noite se depositando no cabelo enquanto a lua sobe e se despede do mar, roubando o reflexo que ela mesma deu às águas. Indo embora devagar. Um halo redondo e amarelado no céu, pintando o céu ao redor, iluminando a espuma das ondas. Brilho estranho, como se exposto à luz negra da boate.

Se pelo menos a música bate-estaca parasse já era um ganho. Mas não, ainda é cedo pra que o bando de idiotas pare de dançar e suar. Não tenho nem dinheiro pra entrar naquela porra. Não ia adiantar muito, mesmo. Sem dançar, com cara de otário, economizando os cigarros e encostado num canto. Não ia pegar ninguém. Sem uma vodcazinha não ia chegar em mulher nenhuma.

Aí é que tá: não sei se a cana faz eu ganhar coragem ou embebeda a parte do meu cérebro responsável pela noção do ridículo. Assim, sóbrio, eu acho que é a segunda opção. Meio alto eu chego em qualquer mulher gostosa. Não tem stress. Se levar um corte, sem problema. Não vou nem notar que é um corte. Toca pra frente e faz andar a fila. Se não pegar nem um dragão até o fim da noite, tudo bem. Pelo menos eu tomei um porrete de esquecer tudo. E cheguei numas gostosas. É algo pra contar depois.

Falar em gostosa, quem é essa caminhando nas dunas? Nunca vi essa guria aqui. Deve ser mais uma dessas gauchinhas que vem passar o final de semana com a prima e os tios. Tá sozinho. O que te parece? Que você tá sozinho. É, tô. Tá a fim de um gole? O que é? Cuba.

Como eu precisava daquela cuba. Preferia sem a Coca, mas já servia. Fiquei um pouco menos seco. Pode me dar um cigarro. Nada mais justo, já que eu quase matei tua cuba. Qual teu nome? Martina. Nome incomum, hein? Minha mãe quem escolheu; leu num livro, não lembro qual. Mas é legal. É, eu também gosto. O meu é Jonas. Tu mora aqui? Morar não moro, só passo o verão. Eu sou de Porto. Nem precisava dizer, tinha adivinhado pelo teu sotaque. Xarope, né? Eu até que gosto na voz das gurias, mas não suporto um cara falando assim. Brigado. De nada.

Se eu dissesse tudo o que poderia elogiar nela, ia esgotar o estoque de obrigados. Definitivamente seis pontos na escala "ão": pernão, peitão, bundão, bocão, cabelão, olhão. Verdes. Nunca tinha visto assim, tão de perto, uma gauchinha morena com olhos verdes. Ainda mais bonita e gostosa como essa. E dessa vez eu tava sóbrio. Não era o Drury's nem a Orloff que tavam projetando aquela imagem no meu cérebro como o reflexo que a lua projetava no mar. Luão, hein? É, precisava ter visto quando ainda tava pertinho do mar: um reflexo bonito pra caralho. Imagino. Assim, comigo deitado, você fica na frente da lua e também dá um efeito massa. É? Teu cabelo fica mais bonito, teu perfil, a cor da tua pele. Pára que eu fico envergonhada. Que é isso, vai dizer que nunca te disseram o quanto você é bonita?

A olhadinha pra baixo. Ah, essa olhadinha eu conheço. Se faz de tímida, mas tá acostumada. Só reage assim porque sabe que eu quero que reaja assim. Mulher gostosa é fogo. Sabe como manipular o cara. Mas nessa ela se fodeu. Eu sei o que tô fazendo. Por que você veio sentar aqui comigo? Tu tava aqui sozinho, fumando, longe das conversas e da música, sem bebida, sem nada. E daí? Pensei: taí um cara diferente, interessante. Agora passou a impressão, ou ainda tá achando interessante. Tô te achando um cara até mais interessante. Isso porque nem comecei a falar de filosofia, de marxismo e religião. Ainda bem. Não gosta de nada disso? Não é que não goste; só não entendo. Então não vou falar. Agora fui eu quem pareceu desinteressante, meio burrinha, né?

Ela havia se tornado interessante pra mim desde o momento em que sentou a bundinha linda na areia. Foi só passar o braço por trás dela que tava dada a deixa. Agora erámos nós e o luão já a meio céu. Eu tava bem menos seco do que no início da noite. Talvez a vida não fosse uma merda, a praia não fosse uma merda, dinheiro não fosse tudo e eu não precisasse de um carro, cana ou baseado pra dar uns malhos numa guria gostosa. Duvido, mas é melhor aproveitar a sorte.

[Ouvindo: Le Grand Tango - Yo-yo Ma - The Music Of Astor Piazzolla]

2 de setembro de 2006

Que semanas!

Ah, meus caros, foram três semanas daquelas. Viajei a trabalho ou estudo seguido. Pilhas de coisas por fazer se acumularam no meu e-mail (ninguém mais usa papel, não é verdade?) e corri como louco. Mas agora acalmou um pouco. Nesse final de semana dá até pra blogar.

Ficou mais fácil postar por aqui depois de eu conseguir uma cópia de um programinha que sou fã, o w.bloggar. Infelizmente, o site do desenvolvedor está fora do ar e não pude baixar o software de novo depois que troquei minha máquina. Mas consegui num CD de backup antigo uma versão que me serve bem. Uso-a para escrever agora.

[Ouvindo: Neighborhood #1 (Tunnels) - The Arcade Fire - Funeral]

3 de agosto de 2006

Brrrrrrrrrr

Ontem foi o segundo dia que dormi com o lençol térmico ligado a noite toda. Impressionante como esfriou. Até quinta-feira passada, eu pensava seriamente em velejar durante o final de semana. Mas no sábado já deu pra sentir que um respingo de água do mar com o ventinho que estava soprando ia gelar até os ossos. Que falta me faz um neoprene.

O frio aqui é tanto que eu, que nem gosto de sopa, tomei dois dias seguidos os caldinhos de pacote que a Lu adora fazer à noite. Bacon com ervas finas na terça e carne desfiada com batatas na quarta. E vinho, claro. Porque se há alguma vantagem no frio, é o vinho.

Essa semana, a vítima da minha sede é uma garrafa de Fortaleza do Seival Tannat 2004, presente do Carlito e da Cléia pelo meu aniversário. Bom vinho. Uma pena eu ter aberto ele agora - apressadinho, né? Pelo corpo e pelos taninos, era um vinho que podia crescer um pouco por pelo menos uns seis meses a um ano.

É o que estou fazendo com outra garrafa de Fortaleza do Seival que comprei em Bento Gonçalves. Vai ficar na adega por um ano ou dois, para ver o quanto evolui. É de um assemblage diferente que a Miolo começou a produzir não faz muito tempo. São castas portuguesas que os italianos começaram a plantar na campanha gaúcha e apostam que dá um bom vinho. Vamos ver. Conto pra vocês daqui a 18 ou 24 meses.

[Ouvindo: The Great Gig In The Sky - Pink Floyd - Dark Side Of The Moon]