29 de março de 2009

Mais blogs na lista

Desde a semana retrasada, estou postando também (também como, se não posto nem aqui direito?) num blog colaborativo chamado De Cabeceira. É um blog sobre livros escrito por muita gente boa, meus amigos do trabalho. Coloquei o link aí do lado. Por enquanto os dois únicos posts, embora sem assinatura (o Tossulino está trabalhando nisso), são meus.

Mas tem mais blogs novos na lista à direita da tela: Infinitomaizum, do Robson; The Lady Bug Blog, da Fefa; Coisas da Deda, da Andréia; Insert Code, do Xande, e Na Era da Informação, da Paula.

Dei até uma chance para o Alemão e coloquei o link do Nove um cinco dois setenta meia dois. Muito embora ele não tenha passado do primeiro post. Quem sabe com esse voto de confiança o cara vira 2.0 de vez.

[Ouvindo: New York - U2 - All That You Can't Leave Behind]

16 de março de 2009

Batizado incomum

Neste final de semana passado, Luciana e eu batizamos o nosso sobrinho Klaus. Ele é filho da Idiacuí, que eu considero como minha irmã. O pequeno, portanto, é meu sobrinho. Além de nós dois, meus pais também apadrinharam o garoto.

Estou longe de ser uma pessoa religiosa, portanto a Idi e o marido, Adilson, sabiam que o batizado com padrinhos como a Lu e eu não seria religioso. Ainda assim, preparei um ritual não religioso para marcar a ocasião. A Lu pesquisou na internet algumas alternativas de ritos de batismo feitos em casa e achou alguma coisa. Eu busquei mais algumas informações e montamos uma coisa legal.

Começamos preparando cinco velas coloridas para representar o que desejávamos para o Klaus. Enquanto a carne assava na churrasqueira dos meus velhos, na casa deles em Balneário Gaivota, fizemos a cerimônia.

Comecei falando um pouco sobre os batismos, a origem da palavra - grega, que significa imergir - e que deu origem ao antigo batismo cristão, de mergulhar as pessoas na água. Falei um pouco sobre o batismo hindu, que escreve "om", a sílaba da criação, na língua da criança com mel. Sobre como raspam os cabelos no ritual muçulmano e doam o peso em prata para os pobres. Sobre o bris e a mutilação do prepúcio entre os judeus homens. Mas usei esse discurso para dizer que começávamos a vida espiritual do Klaus dando a ele um presente que é um preceito comum a praticamente todas as religiões: o livre arbítrio.

Falei algo mais ou menos assim:

Pela crença judaico-cristã, que é a crença da maioria de nós aqui, Deus deu aos homens a faculdade de fazerem suas escolhas. No Budismo, a crença da avó materna e também madrinha do pequeno e de um de seus tios, esse livre arbítrio está representado pelas nossas ações, nosso Karma. Seguir ou não o Dharma, os ensinamentos de Buda, é prerrogativa de qualquer um. Todos nascem com a capacidade de se tornarem iluminados.

Ao fazermos uma cerimônia não religiosa para o Klaus, já damos um belo sinal, dizendo que não há uma “religião correta”. Uma verdade absoluta e inquestionável para todos. Mas que a resposta está em cada um de nós. E esse nosso pequerrucho, no momento, está mais preocupado com dormir, comer e ficar com as fraldas limpas. Não em que religião seguir. Essa decisão, fica para mais tarde.

Mas não é por isso que o Klaus vai crescer sem valores. Muito pelo contrário. Todas as pessoas aqui se preocupam com os valores que ele terá. Queremos que esse bebê fofinho se torne um homem honesto, respeitoso, esperançoso, educado, inteligente, trabalhador.

Embora os padrinhos sejam a Lu e eu, o João e a Berna, somos todos responsáveis por ensinar ao Klaus as escolhas que ele terá pela frente. E até ele ter idade suficiente para as próprias escolhas, fazer com que siga os valores que farão dele um homem exemplar.

Já que falamos em religião e espiritualidade, isso é algo que desejamos para nosso afilhadinho. A espiritualidade está representada pela cor violeta, por isso a Luciana vai acender essa vela violeta, que a irmã dele, a Manuela, vai levar para a Berna. Além da espiritualidade, o violeta está associado à sabedoria e a criatividade.

Já o azul é a cor da ciência e do conhecimento. Essa é uma coisa muito importante: desejamos que o Klaus seja estudioso, inteligente, tenha conhecimento para ser uma pessoa bem sucedida e feliz. Isso está representado nessa vela azul, que a Manu vai levar para o João.

O verde é a cor da esperança. Sabemos que o Klaus vai crescer num mundo diferente do que crescemos. E que a esperança é um componente forte para viver nesse novo mundo. Há muita tristeza e sofrimento e é preciso ser forte e poder contar com o apoio da família e dos amigos para reforçar nossa esperança. Por isso, o verde dessa vela, que a Manu entrega para mim.

O amarelo é a cor que representa a felicidade e o otimismo. Na sua cabecinha de nenê, ele é só felicidade e otimismo. É só ver o sorriso fofo nessa carinha gorducha. Mas quando ficar mais velho, com responsabilidades, o Klaus vai ter que ser otimista para enfrentar as dificuldades. E é por isso que a gente trouxe essa vela que fica acesa com a Luciana.

Por fim, a vela de cor mais importante. Vermelho é a cor do amor e da energia. Todos que estão aqui amam muito o Klaus. E querem dar a ele muita energia para a longa vida que queremos que ele tenha. Amor é essencial na vida de qualquer um. Por isso, a vela vermelha, para lembrarmos que temos que dar muito amor para o pequeno Klaus. Essa vela fica com a Idiacuí e o Adilson, que amor de mãe e de pai é o mais importante que há.

Agora, que nós estamos já iluminados pelo amor, pela energia, pela felicidade, pelo otimismo, pela esperança, pelo conhecimento, sabedoria e espiritualidade, a Manu vai recolher o cartãozinho que cada um de vocês recebeu. Cada um deles tem uma coisa que vocês desejaram ao Klaus. Deve ter escrito por aí saúde, dinheiro, felicidade, sucesso, amor. A Lu vai fazer um álbum com as fotos do batizado e colar esses cartões para que o Klaus tenha sempre com ele os desejos dessas pessoas que estavam aqui nesse dia especial, os desejos nossos para o Klaus, de que ele seja o melhor que ele pode ser. Uma salva de palmas para o nosso pequenino batizado.

Depois fomos todos comer churrasco e tirar fotos com o pequenino. Outro dia eu posto o link para as fotos. É que ainda não deu tempo de baixar as imagens para o computador e selecioná-las.

[Ouvindo: Girls Just Want To Have Fun - Cyndi Lauper - The Essential Cyndi Lauper]

8 de março de 2009

Decepção total

Depois de contar os dias para a estréia de Watchmen nos cinemas, veio o desapontamento. Zack Snyder fez caca com um dos argumentos mais legais de todos os tempos. Assisti sexta com a Lu e voltamos decepcionados. Ela nem tanto, mas eu muito. Desde que li Watchmen - em 12 episódios emprestados do Pedro Valente ou do Giuliano Ventura, não lembro bem - que imagino como ficaria essa maravilha dos quadrinhos no cinema.

Anos mais tarde, quando comprei uma bela edição importada - Absolute Watchmen - li pensando em como o texto se sairia bem nas telas. Imaginei uma série de tevê, em película e muito bem realizada. Quando soube que Snyder estava cozinhando um filme baseado nos quadrinhos, me empolguei. O cara já tinha mostrado seu valor em adaptar a graphic novel de Frank Miller sobre a Batalha de Termópilas, 300 (em português, 300 de Esparta). O resultado de 300 ficou excelente e botei fé em Watchmen.

Tanto que fui assistir na estréia. Cinema não muito cheio, um monte de nerds e geeks na sessão e muita empolgação de minha parte. Ruim o filme não é. Tem uma boa trilha, é bem fotografado, os efeitos fazem jus aos desenhos de Dave Gibbons, a Silk Spectre é um arraso de mulher... Mas nada chega ao pé dos quadrinhos. Exceto pela beleza da atriz que faz a Silk Spectre.

Mas os demais atores são fracos. Ozymandias é fraquíssimo. Trata-se de um cara importante pra caramba na história e o papel não coube no ator. O melhrozinho é o cara que interpreta Rorschach. Enfim, se você não for fã dos quadrinhos de Moore, não vale a pena ver. Por outro lado, se nunca leu Watchmen, talvez goste do filme. As expectativas não estarão tão altas quanto estavam as minhas.

5 de março de 2009

Finalmente

Ontem o meu Puma foi para a restauração, finalmente. Depois de duas tentativas - uma antes de viajar para a China e outra logo na volta - consegui iniciar o processo de recuperação do carrinho. Em junho de 2008, procurei o João do Puma para tentar deixar o carro com ele enquanto eu viajava. Ele não tinha espaço na oficina para o meu carro e tive que trazê-lo de volta para a garagem. Na segunda visita ao João, em agosto, fiquei sabendo que ele havia sofrido um infarto e parara de trabalhar com a restauração dos puminhas.

Desde então, venho procurando um novo restaurador. Em meados de fevereiro, encontrei o Fausto, pumeiro que já restaurou alguns carros em sua oficina na Praia da Armação. Estive lá e gostei da oficina do cara. Parece fazer um bom trabalho. Bem, de qualquer forma não tenho muita alternativa. E além disso, ele veio indicado pelo próprio João do Puma.

Ontem ele e o filho, Felipe, estiveram no meu trabalho pegando o Puma. Levaram para a oficina e já iam começar o trabalho de desmontagem. Vou mexer com tudo, desta vez. Agora, só ligo o motor de novo e sento ao volante do carro com ele totalmente restaurado. Coisa que deve levar pelo menos quatro meses. Se ficar pronto mais ou menos na época do meu aniversário, será um belo presente.

Estagiários felizes

A minha empresa começou nesta semana um programa de estágio. O pessoal de marketing e RH veio com umas idéias bem legais. Fizeram um site divertido e um videozinho. Quem quiser dar uma olhada, acesse www.estagiosemsofrimento.com.br.

4 de março de 2009

Desisti

Não deu. Tá muito caro e me falta companhia para ir ao show do Deep Purple, amanhã, aqui em Floripa. Outra coisa que me desanimou um pouco foi saber que venderam mais ingressos do que estavam esperando. Muvuca não é comigo. Uma pena. Provavelmente a chance que eu tive de ver o Deep Purple passou - ou passará amanhã.

Não que eu seja um fã ardoroso dos caras. Gosto. Especialmente deste disco que estou ouvindo agora - Machine Head - que considero um dos melhores de rock de todos os tempos. Ainda assim, fico meio desanimado de não ir ao show. Paciência. Outros virão.

[Ouvindo: Highway Star - Deep Purple - Machine Head]

10 de fevereiro de 2009

A-E-I-O-U

Estou num treinamento de desenvolvimento de líderes a semana toda em São Paulo. Cheguei no domingo e só volto na sexta pra casa. Mas não é exatamente sobre o programa que quero falar. É sobre o que aconteceu hoje à noite.

Lá pelas cinco e meia da tarde, começou, dentro do evento, um show de palhaços chamado "Jogando no Quintal". Uns caras que fazem improviso teatral de comédia. Divertido, mas meio fora do contexto de um treinamento desses.

Mas o mais engraçado do negócio foi que o meu colega Moriael foi escolhido para ser parte da performance. Uma das garotas da trupe disse que ele era o homem das "vogais incertas".O nome incomum chamou a atenção dela. Só niso já rimos um bocado, mas me deitei de rir quando outro dos palhaços chamou o Mura de A-E-I-O-U. Putz, eu e os demais da nossa empresa que participam desse treinamento se dobraram de rir. Tomara que o apelido pegue.

7 de fevereiro de 2009

A chegada do Krampus

Primeiro, uma explicação: Krampus é o nome de um diabinho que atormenta as crianças antes do Natal. É um costume austríaco e tomei contato com essa tradição quando estive em Viena pela primeira vez. Até trouxe uns bonecos do Krampus de lá. Um deles enfeita a caminha do Xavier.

Mas Krampus também é o nome que sugeri para o chihuahua de meus pais. E eles aceitaram a idéia. O cachorrinho nos foi entregue hoje pelo criador, Vilmar, do Canil Lucesar e é o presente de Natal meu e da Luciana para minha mãe. O cãozinho tem apenas 64 dias mas mostrou que merece o nome. É um capetinha e certamente vai agitar a vida dos meus velhos lá em Balneário Gaivota.

Hércules, passeando no meu apartamento Eles já têm um chihuahua cruzado com pinscher, o Hércules. Um verdadeiro herói, o Hércules: quando tinha cerca de 30 dias, teve cinomose, uma doença canina com 95% de fatalidade. Sobreviveu, mesmo com sequelas. Há seis anos ele tem uma patinha paralisada e problemas neurológicos que o deixam bem pouco sociável e o fazem ter convulsões. É o linguarudo aí da foto ao lado.

Como seria de se esperar, Hércules é um cão apático. Não brinca, não pede carinho, não age como cachorro. Por isso, resolvemos dar um outro cachorrinho para meus pais. A escolha recaiu sobre um outro chihuahua. Dessa vez de pêlo longo. Nascido em 5 de dezembro, dia de Krampus na Áustria, o novo cãozinho é ativo e bagunceiro. Nesse momento, aquietou-se dormindo entre meu pai e minha mãe. Mas brincou a tarde toda. Dá pra ter uma idéia pelo vídeo abaixo.

2 de fevereiro de 2009

Tirando o atraso

Cara, foi lindo! Um final de semana de cinema aqui em Floripa. Solzão, céu claro, vento perfeito. Não queria mais nada. Era um final de semana que prometia uma bela velejada. Já na sexta à noite comecei a catar um proeiro para sair sábado com o Gostosa.

Giorgia foi a escolhida. Saímos da marina em torno de 10h30min e velejamos até às 14 horas, mais ou menos. O porém é que mais uma vez a vela não subiu totalmente. Mesmo trocando adriças, lubrificando roldanas, fazendo o que dava pra fazer.

Depois da velejada, que mesmo com a vela "rizada" foi excelente, eu subi a vela no seco. Com muita força - ajuda do pessoal da marina - conseguimos desobstruir o caminho da vela. Tinha alguma coisa trancando a calha do mastro.

Com isso resolvido, fiquei empolgado em repetir a dose no domingo. Dito e feito: convoquei o Carlito e o João Manoel, meu primo mais novo, para sair. Embarcamos às 14h30min e velejamos até 17h45min.

Vento forte até passarmos o Ratones Grande e nos aproximarmos um pouco do continente. Duas cambadas e rumamos para o finalzinho do Sambaqui, quase no mangue da Daniela. Uma parada para banho de mar e tocamos o barco de volta para a marina. Uns jaibes e um tempinho surfando em asa de pombo e chegamos de volta.

Duas saídas num único final de semana. Feito inédito que se reflete agora nos meus peitorais doloridos e nos abdominais cansados. Mas felizes.

Carlito (esq.) e João Manoel tomando banho de mar com as ilhas de Ratones ao fundo

[Ouvindo: Teenage Lobotomy - Ramones - Hey! Ho! Let's Go - Anthology (Disc 1)]

28 de janeiro de 2009

Seis segredos

Atendendo a convocação do Maurício, listo seis coisas sobre mim. O Maurício encarou como segredos, mas as blogueiras que o convocaram para essa brincadeira, pensaram diferente. Eu vou no espírito delas. Segredos são segredos, melhor não mexer.

Primeiro, as regras para o jogo:

  • Colocar o link de quem te indicou para a brincadeira. Check!
  • Escrever as regras para deixar o jogo mais claro. Check!
  • Contar seis fatos aleatórios sobre você. Listo abaixo.
  • Convocar seis blogueiros para fazerem o mesmo. Os convocados estão no pé do post.
  • Avisar os convocados. Vou avisar pelos comments.

Agora, tchan-tchan-tchan, vamos às revelações:

  1. Estou fazendo tratamento para queda de cabelo. Sabem como é: até a Mona Lisa fica velha.
  2. Rôo os cantos dos dedos, às vezes até sangrar. Disgusting, eu sei.
  3. Já fui apaixonado pela mãe de um amigo meu. Faz tempo, portanto sosseguem o facho.
  4. Gosto de música "gay", tipo Village People, Gloria Gaynor e afins.
  5. Ronco. Às vezes bastante.
  6. Não sei a tabuada.

É isso. Nada escabroso, né? Agora, vamos lá, dona Carol, seu Marcelo, mestre Rafa, gaudério Palermo, afilhado Magoo e dom Marquito. A bola tá com vocês.

[Ouvindo: I Will Dare - The Replacements - Let It Be]

27 de janeiro de 2009

Céu do cerrado

Ontem, quando cheguei a Brasília, estranhei a cor do céu. O azul da época da seca foi substituído por uma interessante variação de tons de cinza, laranja e azul. O clima aqui no Planalto Central é estranho. No verão chove e fica mais frio do que no inverno. O azulão do céu vai embora e fica essa imagem aí embaixo. Como eu gosto de coisas diferentes, gosto mais do céu assim do que aquele azul bidimensional de alguns meses atrás.

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25 de janeiro de 2009

O curioso filme de David Fincher

Nos créditos finais de O Curioso Caso de Benjamin Button, eu descobri o porquê do filme ser tão bom. Lá está o nome do cara: David Fincher. Explico: um dos filmes preferidos é Clube da Luta, também dele. O cara não é muito prolífico, fez poucos filmes ao longo da carreira de cineasta, mas quando trabalha, mostra a que vem.

Benjamin Button, com Brad Pitt e Cate Blanchett nos papéis principais, é excelente. Teve gente - não vou dizer quem - que chorou do começo ao fim do filme. Mas realmente, a história toda é tocante e muito bem contada. Não tem o ritmo alucinante de Clube..., mas ainda assim passa longe da monotonia. Recomendo assistir.

Como em Clube, Fincher foi atrás de uma boa história para realizar um bom filme. Da novela de Chuck Palahniuk, o diretor fez um filme que é um tapa na cara do espectador. A idéia de um clube de homens brigando que depois se torna uma espécie de seita ou grupo paramilitar para derrubar o sistema financeiro é doida e foi contada de forma maluca no filme.

Já com Benjamin, Fincher adaptou um autor mais clássico: F. Scott Fitzgerald. De lá saiu o belo filme que tanto me emocionou. Ainda não li esse conto, mas vou procurar para fazer a comparação. Agora pára de ler e vai assistir, vai.

17 de janeiro de 2009

100 discos muito legais

Ganhei do Mau e da Cris um livro muito legal: "100 Greatest Albuns". Editado pelo VH1, um canal de tevê com foco em rock e pop do século passado, é uma compilação de votação realizada com 700 artistas norte-americanos, que montaram uma lista com seus discos preferidos de rock e pop.

Da lista, tenho apenas 38. Achei meu aproveitamento pífio. Claro que a lista não reflete meus gostos pessoais. Há uns quatro ou cinco álbuns de rap ou hip-hop. Não gosto desse estilo de música. Mas, ainda assim, tem muita coisa que me interessou ouvir.

Mas, ainda mais interessante, me empolguei a escrever de novo sobre música. Os que acompanham a construção dessa casa a mais tempo, talvez lembrem que andei postando minha própria lista e alguns comentários sobre álbuns. Devo baixar ou comprar (mais provável: baixar) alguns dos discos sugeridos pelo livro do VH1 e dar um "tapa" na minha seleção. Portanto, aguardem mais opiniões musicais por aqui.

14 de janeiro de 2009

Single serving friend

Flying is getting harder and harder. My flight to Sao Paulo was scheduled to leave Florianopolis today at 4:40 pm, but a heavy rain closed Congonhas airport. After I and the other passengers already got into the plane, we were asked to get back to the gate and wait for a new call.

Ten minutes after we've boarded for the first time, a baby started to cry. I was seated in 1C and the baby was on the second row. Once the doors were closed, she asked to seat next to me, in 1B. By that time I foresaw a long journey, with a baby kicking and screaming by my side.

However, the baby, Davi, and his mom, Pabline, were really nice. After we started talking, I remembered a passage from Fight Club, that movie with Brad Pitt and Edward Norton. When the characters of the two actors met, Norton tells Pitt that he's a good "single serving friend". He uses this expression as a way to express how everything in a plane is single serving.

Pabline, a young widow, only 26 years old, and his son 11 months old were my single serving friends during this ordeal that has not ended yet.

13 de janeiro de 2009

Yoga não é mole não

Essa semana eu viajo para Brasília e São Paulo. Saio amanhã à tarde e volto na sexta à noite. Por causa disso, fiz yoga dois dias seguidos, para compensar a aula que vou perder na quinta. Segunda, fiz na empresa. P1030580 Hoje, na Praia Mole. Terça-feira passada tinha ido na Mole para a prática, já que é meu professor, o Ricardo Melo, quem dá as aulas de yoga no Floripa Tem. Naquele dia deu um baita dia de sol e a prática foi ótima. Hoje, infelizmente, a chuva atrapalhou, mas ainda assim deu para fazer uma boa parte da aula. Além de mim, estavam lá a Cris e a Nanda. A fotinho taí (by Nanda) e não me deixa mentir.

Mas é dureza fazer dois dias seguidos. Na semana passada, também chutei o balde. Depois da aula de quinta, resolvi recuperar o squash de quarta-feira na quinta, depois do yoga. Joguei 20 minutos e não conseguia mais erguer o braço ou os pés. Não adianta. Por mais que eu tente, aquele pique de antigamente não volta jamais.

12 de janeiro de 2009

Livros e música dizem muito sobre você

Li no Vida de Frila, do Mau, umas perguntinhas sobre que tipo de literatura marcou sua vida. Seguem as minhas respostas. Comentários seguem depois.

1. Livro que marcou sua infância: A Volta ao Mundo em 180 Dias (Jules Verne)
2. Livro que marcou sua adolescência: Histórias de Cronópios e de Famas (Julio Cortázar)
3. Autor que mais admira: Cortázar
4. Autor contemporâneo: Cortázar
5. Leu e não gostou: Diário de um Mago (Paulo Coelho), O Segredo (Rhonda Byrne), um do Lair Ribeiro que já nem lembro o nome. Bem, tem que ler pra conhecer, né? 
6. Lê e relê: Histórias de Cronópios e de Famas. Releio direto, sempre que preciso de um pouco de inspiração para escrever. Funciona.
7. Mania: Não consigo anotar nada num livro. Se tiver que ler algo e ir marcando nas margens ou grifando o que for relevante, tiro xerox da parte que preciso, mas não escrevo nas páginas.

Bem, como dá pra notar, Cortázar é o cara, pra mim. Mas não é bem isso que eu queria comentar. Lendo a lista do Mau, me dei conta de que dá pra fazer o mesmo com músicas. O pessoal lá na empresa estranhava - agora já acostumaram - com o fato de eu perguntar aos candidatos a uma vaga na minha equipe que tipo de música eles curtem. Dá pra se saber um pouco sobre a pessoa sabendo o que ela escuta e o que lê.

Então, a versão musical pop do mesmo questionário:

1. Música que marcou sua infância: Verde Vinho (Roberto Leal). Cantava essa música nas festas da família. Se bobear ainda sei a letra.
2. Música que marcou sua adolescência: Tempo Perdido (Legião Urbana). Era pegar o violão e alguém puxava essa música. Aprendi fácil e toco até que direitinho, então passou a fazer parte do repertório. 
3. Intérprete ou banda que mais admira: The Beatles
4. Intérprete ou banda contemporânea: Foo Fighters
5. Ouviu e não gostou: Osvaldo Montenegro (chato), Kraftwerk (repetitivo), além de sertanejos pop e pagodes em geral
6. Ouve sempre: The Beatles 
7. Mania: Organizar os cds e os discos de vinil em ordem de lançamento, por bandas ou temas. A Luciana odeia. Nunca sabe que a trilha de ET (1982) vem antes de Uma Secretária de Futuro (1988), dentro das trilhas de cinema, que fica logo na frente dos discos dos Beatles. Fácil.

Não foi dessa vez

Juro que tentei, mas não deu para inaugurar a nova adriça, o controle da esteira da vela grande e o flutuador de tope do Gostosa. Sábado e domingo foram dias de clima incerto em Floripa. Nada recomendável para uma velejada. Vai ficar para o final de semana que vem.

Se der, porque preciso ir até a Costa da Lagoa procurar uma casa para alugar no carnaval e também a Blumenau, levar meus pais para conhecerem o chihuahua que a Lu e eu demos a eles de Natal. O bichinho está no canil ainda, mas minha mãe está morrendo de vontade de conhecê-lo.

Isso e mais uma viagem a Brasília e São Paulo no finalzinho da semana devem ocupar meus dias. 2009 começa a todo vapor. Isso é bom. No time to think stupid toughts.

Mais links

Dois links novos aí na modesta lista da direita. Nanda na Holanda é o blog de uma amigona que conheci há pouco, no trabalho. Mas já é amigona, porque a Fernanda é uma daquelas pessoas com quem a gente conecta num instante.

O outro é o blog da Adriane Canan. Ou Adri. Nos conhecemos há muito e desde que ela voltou para Floripa, temos nos visto com mais frequência. Agora, devo visitá-la mais. Se não ao vivo, pelo menos no blog Gato e Passarinho.

6 de janeiro de 2009

Primeiras postagens

Vinha preparando um continho de mais fôlego desde o início de dezembro e achei que valia o esforço de terminar essa noite para inugaurar o blog, versão 2009. Não muda nada, mas a gente tem essa mania de botar marcos nas coisas. O resultado da minha batalha contra o sono e o cansaço tá no post abaixo.

[Ouvindo: Woman - Wolfmother - Wolfmother]

5 de janeiro de 2009

Cinza

Quando a neblina chegou, o mar era seu único companheiro por dois dias. O cinza úmido engoliu o barco, adensando-se pouco a pouco. Para João, era só mais uma neblina forte, uma das muitas que ele havia pego nas suas aventuras. Vivia de navegar. Transportar veleiros de uma marina a outra. Dessa vez, era um belo barco. Dava gosto de navegar. Um Benetau Océanis 400. Um veleiro oceânico de 40 pés, fabricado em 1996, em estado de novo. Seu cliente havia comprado o barco na Argentina e contratado João para levá-lo a Florianópolis.

Cinco dias antes da neblina o engolir, ainda no Iate Clube de Puerto Madero, João fez uma revisão geral no Da Vina, o nome atual do veleiro. Ergueu o barco no travel lift, fez uma cuidadosa inspeção do casco, leme, hélice e quilha. Por dentro, observou qualquer sinal de osmose, de infiltração ou rachadura e deu uma geral no motor. Não queria ser pego de surpresa no caminho até Santa Catarina.

Bem equipado, o Da Vina contava com um completo sistema de navegação, com radar, sonda, GPS, piloto automático e anemômetro. Dois de cada um. O antigo dono era quase tão paranóico com segurança quanto João. Certamente devia ter feito longas travessias com o barco. Era a única razão para investir tanto em equipamentos.

Depois de se certificar que o veleiro suportaria bem a viagem, João tratou de torná-la confortável. Com o dinheiro que seu cliente lhe deu para despesas, comprou duas garrafas de um bom Malbec argentino, provisões secas e frescas e voltou para o hotel. Ia dormir bem essa noite, para estar atento durante toda a saída do Prata. Sonhou com tango e tangas. Em breve estaria em casa de novo, tomando sol na praia e com bons 30 mil reais a mais no bolso.

No dia seguinte, ao raiar do sol, João e Da Vina já estavam velejando. Os panos totalmente içados, caçados, aproveitando o pouco vento na saída do iate clube. Esperava mais vento ao seguir o curso do Prata rumo ao Atlântico. Menos de duas horas depois de sair, a velejada começou a ficar interessante: ventos de 30 a 35 nós e um bom rendimento do barco. Claro, era um Benetau, bem construído, bem equipado. Um barco como João teria um dia, tinha certeza.

A roda de leme respondia bem, as velas trimadas e as catracas ao alcance do timoneiro. Nesta travessia era essencial saber o papel de cada cabo, de cada moitão, de cada manilha. Sozinho, João não podia errar. E não iria. Para começar, nunca foi de arriscar. Correr regatas não era o seu forte. Não gostava de estressar os barcos, levá-los ao limite. E essa característica era justamente o que os clientes gostavam tanto em João. Contratá-lo para transportar um barco era seguro. Ele não ia exagerar, não ia "dar um pau" no barco.

Depois de quase 14 horas velejando, o Da Vina atracou no Yatch Club Uruguayo, em Puerto de Buceo, em Montevideo. João dormiu no barco mesmo, cansado da longa travessia entre as capitais. Tinha muita água pela frente, mas estava contente. Sonhou com carros velozes, bons vinhos e belas mulheres.

Sorria ao acordar, já com o sol alto no horizonte. Estava tarde para vencer mais uma etapa de sua viagem, mas não se importou com isso. Fez uma boa refeição, se despediu dos marinheiros uruguaios que conhecera e partiu novamente. Faltava pouco para sentir o cheiro de maresia.

Quando finalmente passou pela Isla de las Flores, três horas depois de partir, sentiu a brisa marinha no rosto, acompanhada de uma sensação de estar em casa, no seu elemento. Havia uma neblina leve, típica da região. Para ganhar velocidade, João moveu a roda do leme, ajustando o curso para Este-nordeste. As velas encheram mais e o barco começou a se comportar como o excelente cruzeirista que era, enterrando a proa nas ondas mais altas, singrando até as vagas mais violentas.

Com o piloto automático ajustado, João entrou na cabine para preparar algo para comer e ler um pouco. Descansar da roda do leme, do sal, do sol e do sereno. Sentou-se, comeu com calma e pensou em quão fácil seria a travessia. Mais um dia inteiro de velejada e estaria no Brasil. Ficaria feliz em ver o Farol da Barra do Chuí, o primeiro sinal brasileiro visível do mar para quem vem do Sul.

A noite daquele dia foi tranquila. Bons ventos, o barco quase que o tempo todo em piloto automático, nenhum sinal de risco no radar - João tinha muito receio de encontrar um navio grande na sua rota e a possibilidade de colisão, ainda que ínfima, era assustadora.

O dia seguinte teve um pouco de neblina ao amanhecer, que logo se dissipou. Da roda do leme, foi possível ver baleias e um cardume de pinguins. Ao longe, avistava a bela paisagem do nordeste uruguaio. O Farol de La Paloma, já bem próximo à fronteira com o Brasil. Mas os ventos amainaram e o Benetau perdeu rendimento. O Nordeste que tocava o barco numa orça apertada, obrigando João a cambar constantemente se transformou num Sul razoavelmente fraco. Tão fraco que nem parecia Sul. Coisas do aquecimento global, pensou o marinheiro.

João caminhou até a proa, armou o balão assimétrico, recolhendo a genôa no enrolador. Agora o barco era um ponto vermelho e laranja para quem olhasse de terra. Toda atenção era necessária. A grande área vélica da vela de proa poderia causar um acidente numa rajada mais forte ou numa alteração brusca de rumo. João seguiu assim, cansado de tanta concentração, até começar a entardecer. O pôr-do-sol veio encontrá-lo na proa do Da Vina, recolhendo o balão e desenrolando a genôa. Agora, durante a noite, o piloto automático iria tocar o barco. Melhor descansar.

No cockpit, um piquenique: uma garrafa de Malbec, torradas com caviar. Sevruga, claro. Cortesia do cliente, que concordara em bancar as despesas de alimentação da viagem. Depois de três taças, João sentia o efeito entorpecedor do vinho argentino, mas ainda assim reagiu à nova mudança na direção do vento. O Sul fraco virou um Nordeste fraco. Pequeno ajuste no rumo, na trimagem das velas e o barco estava pronto para seguir sozinho.

Seguiu, sozinho, rumo à neblina. João sentiu a umidade quando se despia para dormir. Uma neblina forte, estranha. Fechando a cabine hermética, João se separou da umidade e dormiu um sono inquieto. Sonhou com escuridão, com brigas e que caia do céu no meio de nuvens que não acabavam mais.

Acordou cansado e abriu a gaiúta e a porta para o cockpit. A neblina estava forte lá fora e a umidade invadiu a cabine. Era dia, mas tudo estava tão cinza que podia ser noite. João podia ver piscar as luzes de navegação no meio da umidade cinza. Mais nada. Não enxergava o Farol de Chuí, embora o GPS indicasse que estava bem próximo dele.

João seguiu navegando pelo GPS, torcendo para a neblina dissipar o suficiente para enxergar Santa Vitória do Palmar, a Praia do Hermenegildo, alguma coisa que fosse familiar. Mas nada. A neblina seguia ficando mais densa, mais densa, mais cinza, mais úmida.

Pelo seu relógio, já seria meio-dia, mas o disco do sol não vencia a neblina. João não vencia a neblina, por mais que apertasse os olhos, franzisse o cenho para enxerga um pouco mais que os enroladores na proa. No relógio, o tempo foi passando devagar. No oceano, mais devagar ainda, numa calmaria irritante.

Mas o velejador sabia se controlar. Não era a primeira vez em que ficava sozinho e entediado no mar. Bastava não brigar com o mar. Ninguém ganha essa briga. Entrou na cabine, pegou um livro e começou a ler, tentando despreocupar-se. Contudo, de vez em quando, olhava para o GPS e o radar. O barco avançava lentamente. Lento demais para o seu tamanho. Lento demais para os ventos que normalmente sopram naquela região.

O dia passou devagar, mais devagar do que o avanço do barco no meio da densa neblina. João foi dormir preocupado. Era seu terceiro dia no mar, o quarto velejando e mal havia chegado ao Brasil. Se o vento tivesse ajudado, já estaria passando a divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na Barra do Mampituba. Estava longe, ainda.

Depois de um sono nada reparador, João acordou mais cansado do que o dia anterior. Abriu a porta da cabine para o cockpit e a neblina invadiu o interior do barco, como se fosse uma entidade com vida própria. Tudo ficou acinzentado aos olhos de João. As telas dos eletrônicos, o inox do fogão, a sua própria pele. A umidade forte demais incomodava os olhos, como se João estivesse tentando mergulhar sem cerrar as pálpebras.

João podia sentir a neblina. Entendeu a velha hipérbole: aquela era uma neblina que se podia cortar com uma faca. E o Benetau começou a cortá-la mais e mais. O vento começou a soprar com mais força, o suficiente para João ouvir o barulho do casco singrando o mar. O suficiente para o barco adernar à sotavento e o velejador sentir o caturro.

Em vez de animar-se, João preocupou-se. Não havia modo de enxergar à frente. Aproximou o rosto dos eletrônicos. Sabia que eles funcionavam pelo calor que o LCD emitia, mas não conseguia ver nada. Nem colando os olhos no display era possível enxergar algo. Nada era visível agora. Só um cinza que cobria tudo. Tudo mesmo.

A impressão que João tinha era de que havia ficado cego. Tateou pelo barco, procurando as catracas. Encontrou a que julgava ser do grande e seguiu o cabo até o stopper para soltar a vela. Recolheu o pano completamente, e, sempre tateando, fechou a capa. Fez o mesmo com a genôa. Estava sem velas. Não podia ficar assim, à deriva. A neblina estava deixando ele nervoso. Jamais, em todos os seus anos de vela, tinha feito isso: baixado todas as velas sem ligar o motor. Felizmente, depois da segunda tentativa, o ronco e o cheiro do diesel encheram o ar.

Mas, ir para onde? Não tinha como se orientar, como seguir navegando. João tinha certeza de que os eletrônicos estavam em modo de alarme. Ou seja: se algum obstáculo aparecesse no radar, um sinal sonoro o avisaria. Se a profundidade chegasse próxima a três metros, também soaria um alarme. Com o motor na velocidade mínima, João continuou avançando. Muito, mas muito devagar. Cortando o cinza.

Seguiu nessa faina, cego, por sabe-se lá quantas horas. Não tinha como enxergar o relógio e perdeu a conta dos bips que o Omega dava nas horas cheias e meias-horas. Ligou todas as luzes. Caso fosse noite, seria mais fácil de um navio ou outro barco notá-lo assim. Tudo o que as luzes faziam era colorir um pouco o cinza. De azul, de verde, de vermelho, de amarelo. Dependendo do tipo da lâmpada.

Ele nunca havia visto uma neblina assim tão densa. Ninguém havia visto uma neblina assim. João só sentia o barulho do motor e do casco, o cheiro do diesel e o tato de suas mãos na roda de leme. Não via nada, não ouvia outra coisa. Manteve o barco no rumo com um cabo amarrado num dos raios do timão e foi dormir. Ou tentar dormir. Passou a noite em claro. Mesmo com os olhos fechados, o cinza úmido lhe perseguia.

Não conseguiu dormir, mas manteve-se no camarote de popa por quatro horas, descansando o corpo. Precisaria do descanso quando saísse da neblina. Agora, João contava os bips do relógio. Oito bips depois de ter deitado, levantou-se para o cinza lá fora. Nenhuma mudança na situação.

Ao longo do dia, ou da noite, não sabia ao certo, os ruídos foram ficando mais fracos. Como se a neblina engolisse até mesmo os sons. O ronco do motor foi ficando fraco, a ponto de João se perguntar se ele estava ligado. Uma leve vibração no cockpit indicava que sim. O barulho do casco nas ondas também foi diminuindo de intensidade até sumir completamente. João não via e não ouvia.

Ele se perguntava o que estava acontecendo. Se estava louco, doente, se fora acometido por cegueira e surdez inexplicáveis. Se a neblina não tivesse chegado devagar, acreditaria nessa hipótese. Mas não. O mundo não era negro e sem luz, como o mundo dos cegos. Era cinza e úmido. E quieto, assustadoramente quieto.

O silêncio e a cegueira cinza foram tomando conta de tudo à volta de João. Mesmo o tato nas coisas era embotado pela umidade cinza. João começou a bater-se nas anteparas, a tropeçar nos cabos. Sabia que o diesel não duraria para sempre. Se estivesse avançando a meio nó, já deveria estar em Florianópolis, caso tivesse tomado o rumo correto. Mas aquela neblina tão densa parecia acompanhar o barco onde quer que fosse. João tentou acelerar ao máximo o motor e seguiu assim por dois dias, tentando escapar da umidade gris. Sem sucesso.

Depois de sete dias sem dormir, sem comer direito por não conseguir encontrar as coisas, sem ver, ouvir e sem poder sequer tatear, João encontrou uma solução: amarraria uma bóia na cintura e pularia ao mar, para, dentro da água, abrir os olhos e ver alguma coisa ou ouvir o barulho do motor, sentir a água fria no seu corpo. Ele precisava disso, de ter a certeza de havia algum sentido funcionando. Tato, visão, audição. Qualquer deles servia.

João colocou o plano em execução. Arrastou-se pelo cockpit até o lugar onde achava que haveria uma bóia circular de resgate. Não conseguiu sentir nada, mas agarrou um cabo ou algo que parecia cilíndrico e maleável e seguiu até a borda do barco. Seu corpo chocou-se contra o que pareceu ser o guarda-mancebo. Passou um pé e depois o outro e pulou. Sentiu um choque leve nos pés e depois no resto do corpo. Abriu bem os olhos, mas não havia nada ali. Nenhum ruído, nenhuma cor senão o cinza. A umidade era maior, era verdade. Mas era como se ainda estivesse no meio da neblina, e não imerso no mar. Abriu a boca e sentiu um leve gosto de salgado. Mas era cinza. Tudo cinza.

João largou o cabo que tinha nas mãos e deixou-se afundar devagar. Primeiro abriu bem a boca e tentou respirar. O cinza úmido e agüado entrou boca adentro, invadiu a garganta e a traquéia, encheu os pulmões. Foi ficando mais e mais cinza. Por dentro e por fora. Agora, tudo era cinza. Ou quase tudo. As sinapses e os neurônios, antes de desligarem por falta de ar, se rebelaram contra o cinza. E dispararam informações para todos os lados. Formas, sensações, cores. Sonhos vermelhos, verdes, azuis, amarelos. Calor, frio, choques elétricos, cheiros e sons. Tudo ao mesmo tempo. Afundando no meio do cinza sem fim, João sorriu um sorriso colorido e morreu feliz.

[Ouvindo: White Unicorn - Wolfmother - Wolfmother].