22 de janeiro de 2008

Doze

Uma rua praticamente deserta, doze anos depois. Se encontraram por acaso. Não pensavam mais um no outro.

- Meu Deus, há quanto tempo?

- Muito - ele respondeu, a voz meio cansada, meio alterada pela ressaca.

- Muito - concordou ela.

- O que você faz por aqui?

- Vim para o show dos Stones. Você também?

- É. Mas foi meio fraco, não acha?

- Eu gostei.

- Pô, eles não tocaram nada mais antigo, do Beggar's Banquet, por exemplo.

- Você e as músicas antigas. Sempre um relógio analógico num mundo digital.

- Gostei disso. Inventou agora? - ele perguntou ironicamente, ofendido.

- Arrã. Tenho minhas tiradas.

- Todos têm o seu dia. Tá sozinha?

- Com meu marido.

- Casada? Não brinca!

- Claro que sim. Você não?

- Nem pensar.

- Nem pensou em amadurecer um pouco nesses onze, doze anos? - corrige ela rapidamente.

- Sei, casar é amadurecer. Claro.

- Não me venha com essas ironias. Pela roupa vejo que ainda sofre de Síndrome de Peter Pan. Essa camisetinha justa não fica bem na barriga de um coroa.

- Há quem goste.

- Claro, na Praça Mauá.

- Quem é o irônico, mesmo? - revida ele.

- Touché.

- E esse tal marido, te faz feliz?

- Sim, é claro.

- Como eu te fazia feliz?

- Você não me fazia feliz. Me deixava com tesão. No começo era bom, mas casal nenhum agüenta viver só trepando.

- Não me parece uma má idéia.

- Não foi a impressão que eu tive nas últimas vezes.

- Touché - ele sorriu.

Ela sorriu de volta e virou-se atendendo ao chamado de um homem mais velho, que acenava de dentro de uma minivan de luxo.

- Teu marido tá chamando. Carro de coroa o dele, hein?

- Esse é o meu. O dele é um 4x4 importado.

- Claro que é. E aposto que ele tem uma lancha também.

- Jet-ski.

- Seria minha segunda alternativa.

- Você ainda veleja?

- Cada vez mais. E ainda coleciono carros esportivos e ainda jogo videogame. Mais alguma pergunta para você medir o grau de maturidade?

- Não, nenhuma.

- E ainda trepo como quando tinha 25 anos - ele completou por conta própria no momento em que uma garota de 21 pendurou-se no braço dele, usando top e microssaia. Ela olhou com desdém para a menina, balançou um pouco a cabeça e despediu-se dos dois.

Ao entrar no carro, sentiu o gosto amargo de uísque que sempre sentia nos lábios dele, o cheiro do suor de seu umbigo, a textura de seu pêlos. Uma breve memória sensorial da vida que teve.

Ele, ao beijar a ninfetinha ao seu lado, sentiu o perfume importado que a ex-mulher usava, o gosto do seu batom e sentiu nas coxas da garota, a textura madura do passado. Lembranças da vida que não mais teria.

[Ouvindo: DownThe Road Apiece - Rolling Stones - Now]

18 de janeiro de 2008

Eita mundinho

Cá estou eu, distante 1150 quilômetros da minha casa, tomando um espresso dopio e comendo uma fatia de torta de chocolate na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, e cruzo com um colega dos tempos de faculdade. Luiz Fernando Pereira, que eu não via há pelo menos quatro anos, está morando no Rio de Janeiro. E eu, viajando para a cidade de vez em quando para estudar ou trabalhar. Nos encontramos numa livraria. Serendipity, diriam os gringos. Coincidência, complemento. Volta o blog do Nando para a lista de links.

11 de janeiro de 2008

Sobre a lista

Pertinentes os comentários dos amigos sobre a lista dos álbuns que todos deviam ouvir. Deixei Sabbath de fora, deixei Rick Wakeman de fora, Cure de fora, muita gente boa de fora. Vou dar uma reavaliada nessa lista.

Lembrei de mais alguns, como Like a Virgin, da Madonna. Tem que ter The Lamb Lies Down On Broadway, do Genesis. Algum do Yes. Tá faltando coisa boa ali. Outro dia eu complemento, com as sugestões dos amigos devidamente avaliadas, e mais alguns que eu lembrei depois.

[Ouvindo: Universally Speaking - Red Hot Chili Peppers - By The Way]

10 de janeiro de 2008

Tem que ouvir: Thriller - Michael Jackson

thriller Muitos dos que comentaram no post abaixo vão torcer o nariz para esse primeiro álbum que escolhi para comentar. Michael Jackson é conhecido por sua síndrome de Peter Pan as acusações de pedofilia e tantas outras manchetes que esse astro mirim já rendeu. Mas, na minha opinião, ele é um dos maiores músicos do século passado.

Tá, o cara ainda tá vivo e é capaz de ter lançado alguma coisa recentemente. Porém, o que vale ouvir é velho. Coisa do tempo de Ben, ABC e outros singles de primeira linha. Jackson fez outras coisas boas depois de Thriller, seu álbum de 1982 e o que obteve o maior sucesso. Mas nada igual. O disco vendeu mais de 104 milhões de cópias. É o álbum mais vendido da história. Só isso já bastaria para fazê-lo figurar na minha seleção "tem que ouvir".

Esse disco foi um dos primeiros que ganhei dos meus pais, quando tinha 11 ou 12 anos, em Araranguá. Meu velhos recém haviam comprado um três-em-um da Sony, modelo HMK 339BS Gold. Todo em madeira e aço escovado, era uma beleza. Estávamos tão orgulhoso desse aparelho que alguém, acho que um tio, tirou uma foto minha e de meu irmão na frente do aparelho. Na minha mão, o encarte de Thriller. Na de Giuliano, o segundo disco do Balão Mágico. Pena que não tenho a foto aqui. Deve estar em alguma caixa na casa dos meus velhos.

Eu sabia (minto, eu sei) de cor todas as canções de Thriller. Ouvi à exaustão o álbum. E ainda hoje o considero um dos grandes discos jamais gravados. Entre as músicas mais conhecidas, dá pra citar a faixa título, Beat It, Billie Jean e Human Nature. Quem tem mais de 30 e não lembra dos clipes do álbum no Fantástico, os primeiros vídeos com enredo em vez de montagens desconexas de imagens?

A produção e arranjos do genial Quincy Jones são a polida que Jackson precisava para fazer o estrondoso sucesso. Isso, concatenado com maciços investimentos em publicidade (Michael virou garoto propaganda da Pepsi e aparecia em tevês de todo o mundo), criou um tremendo buzz em torno do álbum. Alguns singles de Thriller foram distribuídos no Brasil como brindes da Pepsi.

Das músicas desse disco, a minha favorita é Beat It, que tem a participação de Eddie Van Halen no riff de guitarra. Excelente, por sinal. Em segundo lugar, coloco Billie Jean. Como baixista, sou fissurado na levada de baixo que essa canção tem. Em terceiro, Human Nature, que tem uma letra de chorar e não é de Jackson. Steve Porcaro, tecladista do Toto (vocês lembrariam de Rosana, o único grande hit do Toto), compôs a música e John Bettis, letrista bastante ativo nos anos 1980, fez a letra.

As faixas de Thriller:

  1. Wanna Be Startin' Somethin' (Jackson)
  2. Baby Be Mine (Temperton)
  3. The Girl Is Mine (Jackson)
  4. Thriller (Temperton/Jackson)
  5. Beat It (Jackson)
  6. Billie Jean (Jackson)
  7. Human Nature (Porcaro/Bettis)
  8. P.Y.T. (Pretty Young Thing) (Ingram/Jones)
  9. The Lady In My Life (Temperton)

Se quiser baixar o álbum, use o link para o torrent abaixo (mas é preciso ter um programa compatível para baixar torrents).

Thriller_-_Michael_J

[Ouvindo: Beat It - Michael Jackson - Thriller]

Previsão de tempo

Chuvas para o final de semana, com queda brusca da temperatura.  Em Florianópolis, os termômetros não passam dos 26 graus no sábado e domingo.

Nada de vela nesse final de semana e tampouco de praia. Hora de assistir os mais de dez filmes que tenho gravados em casa e até agora não tive tempo.

Quem quiser ver as tabelas que consulto, o link é este.

[Ouvindo: Hino De Duran - Chico Buarque de Holanda - Chico 50 Anos - O Malandro]

9 de janeiro de 2008

Casa velha pra caramba

Fui vasculhar o meu disco para descobrir se tenho algum arquivo das versões anteriores do blog. Não é que tenho?! Olhando os arquivos em HTML (por muito tempo a Casa Proença foi feita na munheca, no Dreamweaver), descobri que o primeiro post do blog com esse nome é de 27 de janeiro de 2004. São quatro anos no final do mês, o que já é alguma coisa.

Já era blogueiro antes disso, mas o blog se chamava Odysseus e ficava hospedado no BrTurbo. Aqueles arquivos eu não tenho mais. Guardei só os contos e crônicas mais legais, em doc mesmo, que fui repostando na Casa Proença.

Vou ver se bolo um jeito de colocar os arquivos antigos no ar, para quem quiser relembrar o tempo em que eu postava quase todo dia, não quase toda semana.

[Ouvindo: Mommy, What's A Funkadelic? - Funkadelic - Funkadelic]

Tem que ouvir um dia

Hoje, pedalando na Beira Mar de São José e ouvindo Back in Black, do AC/DC, observei a faixa etária do povo que estava caminhando por ali e pensei: "Muitos desses caras nunca vai ouvir essas músicas". E comecei a imaginar e listar álbuns que as pessoas não poderiam deixar de ouvir.

"Pô, vou botar uns posts assim no blog", raciocinei. Pois bem, esse é o primeiro. Quer dizer, nesse eu vou listar 40 discos que ninguém que queira conhecer um pouco de música pop-rock de língua inglesa pode deixar de ouvir, pouco importa o gosto musical. É música boa. Claro que vou me ater a pop e rock, porque os eruditos eu deixo a cargo do meu irmão. Disso ele manja melhor que eu.

Na minha opinião, os primeiros 40 discos que valem a audição (e o download, nesses tempos tão MP3):

  • Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - The Beatles
  • Thriller - Michael Jackson
  • Beggar's Banquet - Rolling Stones
  • Rumours - Fleetwood Mac
  • A Night At The Opera - Queen
  • Back in Black - AC/DC
  • Nevermind - Nirvana
  • Breakfast in America - Supertramp
  • Dark Side Of The Moon - Pink Floyd
  • Disraeli Gears - Cream
  • The Queen Is Dead - The Smiths
  • Highway 61 Revisited - Bob Dylan
  • Led Zeppelin IV - Led Zeppelin
  • Introspective - Pet Shop Boys
  • Kind Of Blue - Miles Davis
  • London Calling - The Clash
  • Brothers In Arms - Dire Straits
  • Pablo Honey - Radiohead
  • Pet Sounds - The Beach Boys
  • Songs In The Key Of Life - Stevie Wonder
  • Goodbye Yellow Brick Road - Elton John
  • Stop Making Sense - Talking Heads
  • Surfer Rosa - Pixies
  • The Rise And Fall Of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars - David Bowie
  • Transformer - Lou Reed
  • (What's The Story) Morning Glory? - Oasis
  • Who's Next - The Who
  • Never Mind The Bollocks - Sex Pistols
  • Morrison Hotel - The Doors
  • Maxwell's Urban Hang Suite - Maxwell
  • Machine Head - Deep Purple
  • Love - The Cult
  • Interstate '76 - Bullmark
  • Hysteria - Def Leppard
  • Rocket To Russia - Ramones
  • Electric Ladyland - Jimi Handrix
  • Blood Sugar Sex Magik - Red Hot Chili Peppers
  • The Joshua Tree - U2
  • American Beauty - The Grateful Dead
  • Is This It - The Strokes

A lista não tem ordem alguma. São discos que têm, cada um, suas pérolas, nuances, importância para a história da música pop. Devagarzinho eu vou falando de cada um deles.

Se alguém notar uma ausência gritante, me avise nos comentários. Sempre gosto de conhecer boa música.

[Ouvindo: El parque de Cervantes - Loquillo y Trogloditas - Tiempos Asesinos]

6 de janeiro de 2008

Seis dias não é muito

Quem esteve nesse bloguinho nos primeiros seis dias de janeiro, pode ter notado que o navegador exibia "Casa Proença 2007" no título. Hoje atualizei o template, fiz umas pequenas mudanças e dei a partida na Casa Proença 2008.

Ano novo mas uma casa antiga, com o mesmo espírito e o mesmo jeitão de sempre, imutável desde a época do Odysseus. Os leitores antigos vão lembrar.

30 de dezembro de 2007

A inevitabilidade

Dois ou três meses atrás, meu pai me disse ao telefone:

- Filho, tua avó tá ruinzinha, fraca, não quer comer nem tomar remédios. Temos que ir nos preparando.

Eu não estava pronto na manhã de sábado, dia 29.

Acho que ninguém se prepara para a morte. É sempre difícil encará-la. Talvez o moribundo, sabendo da iminência da morte, tenha uma certa clareza e encare-a de frente, com serenidade.

Mas a família, ah, essa é outro papo. Por mais que meu pai tivesse, ele mesmo, avisado da fragilidade da velha Elza, tomou um baque quando soubemos que ela havia morrido. Ele, minha mãe, minhas tias.

Um final de ano triste por aqui. Mas com uma certa paz para a minha avó, 89 anos sofridos, com cinco filhos criados e sete perdidos ainda crianças, no interior das Lages de antigamente.

A benção, vó Elza.

20 de dezembro de 2007

Lançamentos 2007

Tem dois discos deste final ano que merecem ser ouvidos. Um deles é o novo do Foo Fighters, Echoes, Silence, Patience and Grace. Discão, como quase toda a obra dos caras. Gostei especialmente de Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running, uma levadinha com guitarras distorcidas mas sem grande pancadaria.

O outro é In Rainbows, do Radiohead. Bem calmo, mas com suas levadas mais agitadinhas. Um típico disco da banda brit pop. Claro que só vai gostar quem curte Radiohead. Dã!

[Ouvindo: Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running - Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience and Grace]

17 de dezembro de 2007

Ready, set, go!

Neste último final de semana não deu para velejar, mas ainda assim estive na marina. Fui levar o motor, que havia passado duas semanas na oficina. Ficou muito bom. Pega na primeira, acelera bem e já não engasga com o acelerador todo aberto.

Diz o mecânico que o problema era apenas sujeira. Gasolina velha, especialmente depois de misturada com óleo, é uma desgraça. Vou começar a levar sempre combustível novo nas velejadas, mesmo que isso implique em gastar mais óleo náutico para motor dois tempos. No fim, é economia com revisão do motor.

Mas o importante é que o barquinho está em ponto de bala para a temporada de vela. Na real, me faltam duas coisas: um flutuador de tope e duas defensas. O flutuador é um balão que fica no topo do mastro e impede a capotagem do barco, no caso dele virar. Reza a lenda que, com o mar calmo, não molha nem a cabine. Já as defensas ajudam a proteger o casco nas ancoragens em trapiches. Esse ano pretendo sair para almoçar em São Miguel ou Fazenda da Armação e seria bom poder contar com as defensas para não arranhar o casco. Quem quiser me dar de natal, fique à vontade.

14 de dezembro de 2007

Cansei!

Não, não se trata de empresários paulistas e dondocas reclamonas fazendo manifestações. Estou cansado fisicamente mesmo, depois de pedalar mais de 12 km, da minha casa até a Ponta de Baixo, em São José.

Um bom modo de espantar o estresse e garantir que o colesterol não suba às alturas. Obviamente que a diminuição, ou pelo menos o controle da barriga também é um fator importante.

Quem pedala pra valer vai dar risada dos 12 km, mas calma, gente. Ganhei a bike de aniversário, no final de julho, e devo ter usado no máximo umas dez vezes. Cinco delas nas últimas duas semanas. Ainda estou nos primeiros estágios. Daqui pra frente só melhora. Se eu persistir, claro.

O trajeto foi (com a ressalva de que fiz o trecho marcado como Av. Presidente Kennedy pela Beira Mar de São José. O Google Maps ainda não sabe da existência da maior obra do ex-prefeito Dário Berger):


Exibir mapa ampliado

[Ouvindo: Vamos - Pixies - Surfer Rosa]

13 de dezembro de 2007

Idiotia latino-americana

Estou lendo e recomendo A volta do idiota (Odisséia Editorial, 240 p.), de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa. É uma visita à idiotia latino-americana dez anos depois do primeiro livro do trio - Manual do perfeito idiota latino-americano.

Desta vez, os três "quase liberais" se debruçam sobre os anacrônicos líderes de esquerda que comandam nações abaixo do trópico de câncer. Claro que a estrela do livro é o comandante Chavez, que divide com Castro a simpatia dos saudosistas de esquerda no continente. Sobra também para Morales, claro.

O interessante é observar que os autores chegam a quase simpatizar com outros esquerdistas no poder, como Michelle Bachelet, Alan García, Tabaré Vázquez e, quem diria, Lula.

Essa turma, classificada como de esquerda por liberais mais ferrenhos e conservadores de direita, são uns sociais-democratas disfarçados. Mais ou menos como a China, que é uma economia de mercado com o mínimo de regulação estatal disfarçada de nação socialista.

Mas isso não invalida o livro, que é escrito com ironia e bom humor. Para quem quer pensar um pouco, mas não muito.

12 de dezembro de 2007

Muitos porteiros e pessoas normais

Uma reclamação recorrente de quem visita Brasília é que o clima é seco demais. Eles dizem isso porque nunca pegaram dias de chuva na cidade. Se Brasília é ruim quando está seca, quando chove é pior. A terra vermelha vira uma argila que gruda em tudo. Sapatos ficam com as solas avermelhadas, as barras das calças cheias de respingos vermelhos.

Mas o pior é que apesar da chuva, o clima ainda é seco. Não há aquela umidade de uma cidade à beira mar, como Floripa ou Rio. Minha rinite piora em Brasília. Meu humor piora em Brasília. Mas, pior, Brasília não fica.

10 de dezembro de 2007

Ah, uma mega sena...

Que dia, meus caros. Um daqueles em que a gente sonha com a Mega Sena. Depois de uma bela pedalada, subindo morros em São José, indo e voltando na Beira Mar. E ouvindo Nirvana.

Mas ainda estou meio agitado. Contrafeito por ter que viajar para a capital federal e meio cansadão de estudar e fazer trabalhos do MBA. Não aguento mais o logo da FGV na minha frente.

Agora é deitar na cama e terminar de ler Dracula, de Bram Stoker. Escrevo mais do Planalto Central.

[Ouvindo: Cars (MPH Mix) - Fear Factory - Nascar - Crank It Up]

6 de dezembro de 2007

Não é só no Brasil

Temos nossos Enéas, nossos Clodovils, nossos candidatos esquisitos e sem propostas. Nossos políticos apenas com imagem e nada mais. Mas os norte-americanos também têm os seus. Um desses, bem singular, é Michael Huckabee.

O governador do Arkansas (o estado de Clinton, lembram?) quer ser indicado candidato à sucessão de Bushinho. Um dos seus comerciais mostra ele sendo apoiado por ninguém menos do que Chuck Norris. Ou, para os íntimos, Xúqui Nórris. Vejam o vídeo.

[Ouvindo: Chainsaw Times - Killer Barbies - Only For Freaks!]

4 de dezembro de 2007

O porquê do retorno

Logo Os dois ou três amigos que visitaram esse bloguinho desde ontem devem ter notado que repentinamente o volume de posts por semana aumentou. A razão é simples: achei um software para me ajudar nessa tarefa de blogueiro.

Nunca gostei das interfaces online dos blogs. Acho que sou meio coroa mesmo, não gosto de escrever usando ferramentas de internet. Prefiro trabalhar num arquivo offline e depois postar no blog.

Usava o w.bloggar, até que o desenvolvedor parou de dar suporte à ferramenta. O Blogspot mudou um par de configurações e fiquei largado a minha própria sorte.

Mas ontem comecei a pesquisar na internet e ver se havia algum novo programa que pudesse suprir essa demanda. Achei o Zoundry Blog Writer. Foi com ele que postei o comentário sobre a velejada, alguns posts abaixo. Fácil de notar porque o tamanho está fora do padrão do blog.

Mas não gostei muito da ferramenta e segui na busca. Lendo nos fóruns, cheguei no Windows Live Writer, que é o software que estou usando para esse post. É gratuito e bem interessante. Tem uma boa interface com o usuário, um bom sistema de postar imagens e criar tabelas, como podem ver pelo topo do post e uma funcionalidade que considero essencial: faz a integração com o que estou ouvindo no Media Player e o blog.

Agora, devidamente reequipado, podem contar com mais posts e novidades nessa casa, que andava tão entregue às moscas.

[Ouvindo: Heroes - David Bowie - Heroes]

Um dia de Papai Noel

O grupo de ação social da empresa em que trabalho foi até o Correio e coletou uma série de cartas escritas por crianças pedindo presentes para o Papai Noel. Eu peguei uma delas para responder e mandar um presente.

O nome do garoto que escolhi é José. Ele mora no Rio Vermelho, tem seis anos e pediu um carrinho de controle remoto.

Tem tanta coisa que eu queria escrever para ele que nem sei por onde começar. Queria recomendar que o José estudasse bastante, que não aceitasse ser mandado para lá e para cá pelos outros, que se dedicasse a tudo o que faz, que pensasse duas vezes - ou até mais - antes de votar, de criticar alguém, de escolher uma carreira. Isso se ele puder escolher uma carreira.

Mas provavelmente não vou escrever tudo isso. José tem apenas seis anos. O que ele quer agora é uma cartinha do Papai Noel e um carrinho de controle remoto. E é isso que ele vai ganhar.

2 de dezembro de 2007

Começo da temporada de vela


Hoje, Jefe e Max me acompanharam na primeira velejada deste verão. O Gostosa está em boa forma, velejou muito bem e muito rápido num vento picado de 8-10 nós com rajadas, mas infelizmente não posso dizer o mesmo do motor. Já na saída, o Johnson 3.3 HP nos deixou na mão, obrigando os dois desafortunados tripulantes a darem uma bela remada até safarmos os barcos apoitados perto da marina. Sabem como é: capitão não rema, fica timoneando. Espero que no próximo final de semana o problema com o motorzinho esteja resolvido, já que deixei marcado para o mecânico pegá-lo na marina na terça-feira. De qualquer forma, o tempo estando bom, saio com motor ou sem motor.


25 de abril de 2007

Alice

O coelho já estava sangrando quando Alice passou pela rua. Agachou-se.
- O que houve? - Alice perguntou, amparando a cabeça do coelho com a mão esquerda, os olhos cheios de lágrimas.
- Um motoqueiro e me baleou. Já passou um monte de gente por aqui e ninguém me atendeu. Só você parou - falou, agonizante, o coelho.
- Meu Deus, ninguém parou?
- Ninguém. País das Maravilhas uma ova. Desde que aquela rainha maldita assumiu o poder, as coisas só pioram.
- Não fale, não fale. Você vai piorar. Uma ambulância, por favor! - Alice gritou, sem resultado.
- Ninguém liga para um coelho. Maldita a hora em que desafiei o Chapeleiro Maluco. O cara manda nas bocas de chá por aqui.
- Meu Deus, você trabalhar pro Chapeleiro Maluco? - horrorizou-se Alice, seus dedos de classe média largando rapidamente o coelho ferido.
- Não, moça. Eu sou de outra facção. A gente tava tentando tomar uma das bocas dele, no morro do Ás de Paus. Aí deu essa merda braba. É por isso que eu vou morrer.
- Meu Deus, e a rainha não faz nada? Os traficantes de chá se matando nas ruas e ninguém faz nada?
- Liga não, moça - diz o coelho, tossindo uma bola de sangue - É assim mesmo. Na hora que a violência bate na porta, as meninas riquinhas que nem você se apavoram. Mas depois de umas passeatas, umas palestras e umas prisões, todo mundo se esquece do problema.
- Eu não sou ass...
- Claro que não - interrompe o coelho, condescendente.
Com uma olhada final para Alice, o coelho sorri, os dentes cheios de sangue, e abaixa lentamente as orelhas. Os olhos vermelhos ficam opacos e o corpo amolece na calçada da Zona Sul do País das Maravilhas.
Alice levanta e olha para os lados, atrás de um soldado da Rainha de Copas. Ninguém parece dar bola para a cena. Alice segue até a delegacia mais próxima e avisa do corpo. Tomam seu depoimento, anotam seu dados, endereço, telefone. Alice se sente uma cidadã que cumpriu com o dever de qualquer cidadã.
Quando volta para casa, tem uma história e tanto para contar às amigas. Enquanto tomam um belo chá, comprado no morro do Ás de Paus.