12 de janeiro de 2009

Não foi dessa vez

Juro que tentei, mas não deu para inaugurar a nova adriça, o controle da esteira da vela grande e o flutuador de tope do Gostosa. Sábado e domingo foram dias de clima incerto em Floripa. Nada recomendável para uma velejada. Vai ficar para o final de semana que vem.

Se der, porque preciso ir até a Costa da Lagoa procurar uma casa para alugar no carnaval e também a Blumenau, levar meus pais para conhecerem o chihuahua que a Lu e eu demos a eles de Natal. O bichinho está no canil ainda, mas minha mãe está morrendo de vontade de conhecê-lo.

Isso e mais uma viagem a Brasília e São Paulo no finalzinho da semana devem ocupar meus dias. 2009 começa a todo vapor. Isso é bom. No time to think stupid toughts.

Mais links

Dois links novos aí na modesta lista da direita. Nanda na Holanda é o blog de uma amigona que conheci há pouco, no trabalho. Mas já é amigona, porque a Fernanda é uma daquelas pessoas com quem a gente conecta num instante.

O outro é o blog da Adriane Canan. Ou Adri. Nos conhecemos há muito e desde que ela voltou para Floripa, temos nos visto com mais frequência. Agora, devo visitá-la mais. Se não ao vivo, pelo menos no blog Gato e Passarinho.

6 de janeiro de 2009

Primeiras postagens

Vinha preparando um continho de mais fôlego desde o início de dezembro e achei que valia o esforço de terminar essa noite para inugaurar o blog, versão 2009. Não muda nada, mas a gente tem essa mania de botar marcos nas coisas. O resultado da minha batalha contra o sono e o cansaço tá no post abaixo.

[Ouvindo: Woman - Wolfmother - Wolfmother]

5 de janeiro de 2009

Cinza

Quando a neblina chegou, o mar era seu único companheiro por dois dias. O cinza úmido engoliu o barco, adensando-se pouco a pouco. Para João, era só mais uma neblina forte, uma das muitas que ele havia pego nas suas aventuras. Vivia de navegar. Transportar veleiros de uma marina a outra. Dessa vez, era um belo barco. Dava gosto de navegar. Um Benetau Océanis 400. Um veleiro oceânico de 40 pés, fabricado em 1996, em estado de novo. Seu cliente havia comprado o barco na Argentina e contratado João para levá-lo a Florianópolis.

Cinco dias antes da neblina o engolir, ainda no Iate Clube de Puerto Madero, João fez uma revisão geral no Da Vina, o nome atual do veleiro. Ergueu o barco no travel lift, fez uma cuidadosa inspeção do casco, leme, hélice e quilha. Por dentro, observou qualquer sinal de osmose, de infiltração ou rachadura e deu uma geral no motor. Não queria ser pego de surpresa no caminho até Santa Catarina.

Bem equipado, o Da Vina contava com um completo sistema de navegação, com radar, sonda, GPS, piloto automático e anemômetro. Dois de cada um. O antigo dono era quase tão paranóico com segurança quanto João. Certamente devia ter feito longas travessias com o barco. Era a única razão para investir tanto em equipamentos.

Depois de se certificar que o veleiro suportaria bem a viagem, João tratou de torná-la confortável. Com o dinheiro que seu cliente lhe deu para despesas, comprou duas garrafas de um bom Malbec argentino, provisões secas e frescas e voltou para o hotel. Ia dormir bem essa noite, para estar atento durante toda a saída do Prata. Sonhou com tango e tangas. Em breve estaria em casa de novo, tomando sol na praia e com bons 30 mil reais a mais no bolso.

No dia seguinte, ao raiar do sol, João e Da Vina já estavam velejando. Os panos totalmente içados, caçados, aproveitando o pouco vento na saída do iate clube. Esperava mais vento ao seguir o curso do Prata rumo ao Atlântico. Menos de duas horas depois de sair, a velejada começou a ficar interessante: ventos de 30 a 35 nós e um bom rendimento do barco. Claro, era um Benetau, bem construído, bem equipado. Um barco como João teria um dia, tinha certeza.

A roda de leme respondia bem, as velas trimadas e as catracas ao alcance do timoneiro. Nesta travessia era essencial saber o papel de cada cabo, de cada moitão, de cada manilha. Sozinho, João não podia errar. E não iria. Para começar, nunca foi de arriscar. Correr regatas não era o seu forte. Não gostava de estressar os barcos, levá-los ao limite. E essa característica era justamente o que os clientes gostavam tanto em João. Contratá-lo para transportar um barco era seguro. Ele não ia exagerar, não ia "dar um pau" no barco.

Depois de quase 14 horas velejando, o Da Vina atracou no Yatch Club Uruguayo, em Puerto de Buceo, em Montevideo. João dormiu no barco mesmo, cansado da longa travessia entre as capitais. Tinha muita água pela frente, mas estava contente. Sonhou com carros velozes, bons vinhos e belas mulheres.

Sorria ao acordar, já com o sol alto no horizonte. Estava tarde para vencer mais uma etapa de sua viagem, mas não se importou com isso. Fez uma boa refeição, se despediu dos marinheiros uruguaios que conhecera e partiu novamente. Faltava pouco para sentir o cheiro de maresia.

Quando finalmente passou pela Isla de las Flores, três horas depois de partir, sentiu a brisa marinha no rosto, acompanhada de uma sensação de estar em casa, no seu elemento. Havia uma neblina leve, típica da região. Para ganhar velocidade, João moveu a roda do leme, ajustando o curso para Este-nordeste. As velas encheram mais e o barco começou a se comportar como o excelente cruzeirista que era, enterrando a proa nas ondas mais altas, singrando até as vagas mais violentas.

Com o piloto automático ajustado, João entrou na cabine para preparar algo para comer e ler um pouco. Descansar da roda do leme, do sal, do sol e do sereno. Sentou-se, comeu com calma e pensou em quão fácil seria a travessia. Mais um dia inteiro de velejada e estaria no Brasil. Ficaria feliz em ver o Farol da Barra do Chuí, o primeiro sinal brasileiro visível do mar para quem vem do Sul.

A noite daquele dia foi tranquila. Bons ventos, o barco quase que o tempo todo em piloto automático, nenhum sinal de risco no radar - João tinha muito receio de encontrar um navio grande na sua rota e a possibilidade de colisão, ainda que ínfima, era assustadora.

O dia seguinte teve um pouco de neblina ao amanhecer, que logo se dissipou. Da roda do leme, foi possível ver baleias e um cardume de pinguins. Ao longe, avistava a bela paisagem do nordeste uruguaio. O Farol de La Paloma, já bem próximo à fronteira com o Brasil. Mas os ventos amainaram e o Benetau perdeu rendimento. O Nordeste que tocava o barco numa orça apertada, obrigando João a cambar constantemente se transformou num Sul razoavelmente fraco. Tão fraco que nem parecia Sul. Coisas do aquecimento global, pensou o marinheiro.

João caminhou até a proa, armou o balão assimétrico, recolhendo a genôa no enrolador. Agora o barco era um ponto vermelho e laranja para quem olhasse de terra. Toda atenção era necessária. A grande área vélica da vela de proa poderia causar um acidente numa rajada mais forte ou numa alteração brusca de rumo. João seguiu assim, cansado de tanta concentração, até começar a entardecer. O pôr-do-sol veio encontrá-lo na proa do Da Vina, recolhendo o balão e desenrolando a genôa. Agora, durante a noite, o piloto automático iria tocar o barco. Melhor descansar.

No cockpit, um piquenique: uma garrafa de Malbec, torradas com caviar. Sevruga, claro. Cortesia do cliente, que concordara em bancar as despesas de alimentação da viagem. Depois de três taças, João sentia o efeito entorpecedor do vinho argentino, mas ainda assim reagiu à nova mudança na direção do vento. O Sul fraco virou um Nordeste fraco. Pequeno ajuste no rumo, na trimagem das velas e o barco estava pronto para seguir sozinho.

Seguiu, sozinho, rumo à neblina. João sentiu a umidade quando se despia para dormir. Uma neblina forte, estranha. Fechando a cabine hermética, João se separou da umidade e dormiu um sono inquieto. Sonhou com escuridão, com brigas e que caia do céu no meio de nuvens que não acabavam mais.

Acordou cansado e abriu a gaiúta e a porta para o cockpit. A neblina estava forte lá fora e a umidade invadiu a cabine. Era dia, mas tudo estava tão cinza que podia ser noite. João podia ver piscar as luzes de navegação no meio da umidade cinza. Mais nada. Não enxergava o Farol de Chuí, embora o GPS indicasse que estava bem próximo dele.

João seguiu navegando pelo GPS, torcendo para a neblina dissipar o suficiente para enxergar Santa Vitória do Palmar, a Praia do Hermenegildo, alguma coisa que fosse familiar. Mas nada. A neblina seguia ficando mais densa, mais densa, mais cinza, mais úmida.

Pelo seu relógio, já seria meio-dia, mas o disco do sol não vencia a neblina. João não vencia a neblina, por mais que apertasse os olhos, franzisse o cenho para enxerga um pouco mais que os enroladores na proa. No relógio, o tempo foi passando devagar. No oceano, mais devagar ainda, numa calmaria irritante.

Mas o velejador sabia se controlar. Não era a primeira vez em que ficava sozinho e entediado no mar. Bastava não brigar com o mar. Ninguém ganha essa briga. Entrou na cabine, pegou um livro e começou a ler, tentando despreocupar-se. Contudo, de vez em quando, olhava para o GPS e o radar. O barco avançava lentamente. Lento demais para o seu tamanho. Lento demais para os ventos que normalmente sopram naquela região.

O dia passou devagar, mais devagar do que o avanço do barco no meio da densa neblina. João foi dormir preocupado. Era seu terceiro dia no mar, o quarto velejando e mal havia chegado ao Brasil. Se o vento tivesse ajudado, já estaria passando a divisa entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na Barra do Mampituba. Estava longe, ainda.

Depois de um sono nada reparador, João acordou mais cansado do que o dia anterior. Abriu a porta da cabine para o cockpit e a neblina invadiu o interior do barco, como se fosse uma entidade com vida própria. Tudo ficou acinzentado aos olhos de João. As telas dos eletrônicos, o inox do fogão, a sua própria pele. A umidade forte demais incomodava os olhos, como se João estivesse tentando mergulhar sem cerrar as pálpebras.

João podia sentir a neblina. Entendeu a velha hipérbole: aquela era uma neblina que se podia cortar com uma faca. E o Benetau começou a cortá-la mais e mais. O vento começou a soprar com mais força, o suficiente para João ouvir o barulho do casco singrando o mar. O suficiente para o barco adernar à sotavento e o velejador sentir o caturro.

Em vez de animar-se, João preocupou-se. Não havia modo de enxergar à frente. Aproximou o rosto dos eletrônicos. Sabia que eles funcionavam pelo calor que o LCD emitia, mas não conseguia ver nada. Nem colando os olhos no display era possível enxergar algo. Nada era visível agora. Só um cinza que cobria tudo. Tudo mesmo.

A impressão que João tinha era de que havia ficado cego. Tateou pelo barco, procurando as catracas. Encontrou a que julgava ser do grande e seguiu o cabo até o stopper para soltar a vela. Recolheu o pano completamente, e, sempre tateando, fechou a capa. Fez o mesmo com a genôa. Estava sem velas. Não podia ficar assim, à deriva. A neblina estava deixando ele nervoso. Jamais, em todos os seus anos de vela, tinha feito isso: baixado todas as velas sem ligar o motor. Felizmente, depois da segunda tentativa, o ronco e o cheiro do diesel encheram o ar.

Mas, ir para onde? Não tinha como se orientar, como seguir navegando. João tinha certeza de que os eletrônicos estavam em modo de alarme. Ou seja: se algum obstáculo aparecesse no radar, um sinal sonoro o avisaria. Se a profundidade chegasse próxima a três metros, também soaria um alarme. Com o motor na velocidade mínima, João continuou avançando. Muito, mas muito devagar. Cortando o cinza.

Seguiu nessa faina, cego, por sabe-se lá quantas horas. Não tinha como enxergar o relógio e perdeu a conta dos bips que o Omega dava nas horas cheias e meias-horas. Ligou todas as luzes. Caso fosse noite, seria mais fácil de um navio ou outro barco notá-lo assim. Tudo o que as luzes faziam era colorir um pouco o cinza. De azul, de verde, de vermelho, de amarelo. Dependendo do tipo da lâmpada.

Ele nunca havia visto uma neblina assim tão densa. Ninguém havia visto uma neblina assim. João só sentia o barulho do motor e do casco, o cheiro do diesel e o tato de suas mãos na roda de leme. Não via nada, não ouvia outra coisa. Manteve o barco no rumo com um cabo amarrado num dos raios do timão e foi dormir. Ou tentar dormir. Passou a noite em claro. Mesmo com os olhos fechados, o cinza úmido lhe perseguia.

Não conseguiu dormir, mas manteve-se no camarote de popa por quatro horas, descansando o corpo. Precisaria do descanso quando saísse da neblina. Agora, João contava os bips do relógio. Oito bips depois de ter deitado, levantou-se para o cinza lá fora. Nenhuma mudança na situação.

Ao longo do dia, ou da noite, não sabia ao certo, os ruídos foram ficando mais fracos. Como se a neblina engolisse até mesmo os sons. O ronco do motor foi ficando fraco, a ponto de João se perguntar se ele estava ligado. Uma leve vibração no cockpit indicava que sim. O barulho do casco nas ondas também foi diminuindo de intensidade até sumir completamente. João não via e não ouvia.

Ele se perguntava o que estava acontecendo. Se estava louco, doente, se fora acometido por cegueira e surdez inexplicáveis. Se a neblina não tivesse chegado devagar, acreditaria nessa hipótese. Mas não. O mundo não era negro e sem luz, como o mundo dos cegos. Era cinza e úmido. E quieto, assustadoramente quieto.

O silêncio e a cegueira cinza foram tomando conta de tudo à volta de João. Mesmo o tato nas coisas era embotado pela umidade cinza. João começou a bater-se nas anteparas, a tropeçar nos cabos. Sabia que o diesel não duraria para sempre. Se estivesse avançando a meio nó, já deveria estar em Florianópolis, caso tivesse tomado o rumo correto. Mas aquela neblina tão densa parecia acompanhar o barco onde quer que fosse. João tentou acelerar ao máximo o motor e seguiu assim por dois dias, tentando escapar da umidade gris. Sem sucesso.

Depois de sete dias sem dormir, sem comer direito por não conseguir encontrar as coisas, sem ver, ouvir e sem poder sequer tatear, João encontrou uma solução: amarraria uma bóia na cintura e pularia ao mar, para, dentro da água, abrir os olhos e ver alguma coisa ou ouvir o barulho do motor, sentir a água fria no seu corpo. Ele precisava disso, de ter a certeza de havia algum sentido funcionando. Tato, visão, audição. Qualquer deles servia.

João colocou o plano em execução. Arrastou-se pelo cockpit até o lugar onde achava que haveria uma bóia circular de resgate. Não conseguiu sentir nada, mas agarrou um cabo ou algo que parecia cilíndrico e maleável e seguiu até a borda do barco. Seu corpo chocou-se contra o que pareceu ser o guarda-mancebo. Passou um pé e depois o outro e pulou. Sentiu um choque leve nos pés e depois no resto do corpo. Abriu bem os olhos, mas não havia nada ali. Nenhum ruído, nenhuma cor senão o cinza. A umidade era maior, era verdade. Mas era como se ainda estivesse no meio da neblina, e não imerso no mar. Abriu a boca e sentiu um leve gosto de salgado. Mas era cinza. Tudo cinza.

João largou o cabo que tinha nas mãos e deixou-se afundar devagar. Primeiro abriu bem a boca e tentou respirar. O cinza úmido e agüado entrou boca adentro, invadiu a garganta e a traquéia, encheu os pulmões. Foi ficando mais e mais cinza. Por dentro e por fora. Agora, tudo era cinza. Ou quase tudo. As sinapses e os neurônios, antes de desligarem por falta de ar, se rebelaram contra o cinza. E dispararam informações para todos os lados. Formas, sensações, cores. Sonhos vermelhos, verdes, azuis, amarelos. Calor, frio, choques elétricos, cheiros e sons. Tudo ao mesmo tempo. Afundando no meio do cinza sem fim, João sorriu um sorriso colorido e morreu feliz.

[Ouvindo: White Unicorn - Wolfmother - Wolfmother].

A Casa é 2009

Muito bem, 2008 se foi e 2009 chegou. Como diz uma amiga, chegou "causando". Em vez de retrospectiva do ano que passou, tenho expectativas para o que vem. Quero finalizar meu MBA - ficaram duas matérias para trás -, ganhar novas responsabilidades e conquistar espaço na vida profissional, passar com louvor no checkup anual de saúde, estar por perto das pessoas que amo e continuar com as atividades e hobbies que cultivo. Se fizer isso, tá de bom tamanho.

[Ouvindo: Love So Right - Bee Gees - Greatest Hits [Special Edition] CD1]

26 de dezembro de 2008

Holiday weight

Quem fala inglês razoavelmente bem conhece essa expressão americana. Significa peso de feriado. Pois já no início, senti que se não der uma observada mais de perto no que estou comendo, vou sair dessas festas com um tremendo holiday weight.

Ontem comecei a almoçar às 15 horas e só parei quando era quase seis. Belisca dali, experimenta de lá e a pança vai crescendo. Pra compensar, voltei para casa e saí pra pedalar. Fiz 12,3 km em 40 minutos. Se não tirou um pouco do peso do feriado, certamente tirou um pouco do peso da consciência.

[Ouvindo: You've Got To Hide Your Love Away - The Beatles - Help!]

8 de dezembro de 2008

Dando um trato na Gostosa

O sabadão foi dedicado à Gostosa. Acordei já meio tarde e toquei direto pra marina, no Santo Antônio de Lisboa. Levei duas horas para chegar lá por conta da fila na SC-401. Sabem, o lance do desvio pelo Caminho dos Açores? Pois é.

Cheguei lá sem almoçar, às duas e alguns minutos. Comi uns pedaços de galinha assada que alguns colegas velejadores haviam comprado e meti a mão no barco. Tinha duas tarefas mais "emergenciais": colocar o flutuador de tope que chegou nesta semana e descobrir porque a vela grande não estava subindo até o topo.

Com a ajuda dos dois rapazes da Marina e do Lídio, parceiro velejador, consegui descer o mastro e facilmente instalei o flutuador de tope. Para quem não sabe, trata-se de uma espécie de balão de plástico rígido que fica no topo do mastro. O objetivo é impedir que o barco capote caso vire. A ponta do mastro sempre ficará fora d'água e com mar calmo não chega nem a molhar a cabine com o barco virado. Isso vai me dar mais segurança para explorar os limites do Day Sailer em termos de desempenho.

Com o mastro baixo, pude ver que a adriça do grande - o cabo usado para içar a vela principal - estava meio maltratado pelo sol. Resolvi trocar. Além disso, as roldanas que ajudam a subir a vela estavam precisando de uma lubrificação. Fiz isso também. Claro que eu não tinha 15 metros de cabo pré-estirado à mão para substituir a adriça, mas deixei um cabo fino como guia para passar a nova adriça no final de semana que vem. Nesta semana eu passo no Armazém Náutico do Veleiros da Ilha e compro o cabo novo. Espero que isso resolva a encrenca de subir a vela.

Mas aproveitei o tempo lá para dar mais uma mexida na Gostosa. Uma das coisas que me incomodavam há tempos é que não tinha como regular a esteira da vela grande. A esteira é a parte que encaixa na retranca, perpendicular ao mastro. Já vi, em outros barcos, um mecanismo em que, usando cabos, é possível folgar ou caçar a esteira. Fiz uma coisa assim, usando um cabo de 3mm e um moitão pequeno. Ficou legal, mas ainda não está 100%. Vou ver se acho peças mais adequadas e troco o sistema no próximo sábado, quando for instalar a nova adriça.

Depois de tanto tempo trabalhando no barco, a fome veio com tudo. Botei pilha nos "velejadores de poita" que estavam pela marina e fizemos umas lingüiças na churrasqueira. Muito pão com lingüiça e coca-cola depois, voltei pra casa, já lá pelas seis e meia da tarde. Um baita dia.

[Ouvindo: Smaller And Smaller - Faith No More - Angel Dust]

6 de dezembro de 2008

Conde Giordano

O mais perto que eu cheguei de um nobre, até hoje, foi dos corte nobres de carne que vende no Angeloni. Mas hoje conheci um conde. Fomos, Lu e eu, num jantar harmonizado na Expand do centro e um dos participantes era o conde Giordano Emo de Capodilista, do Veneto, Itália. Além dele, estava a filha de Nino Franco, um dos maiores e mais importantes produtores de prosecco da Itália. Silvia Franco é o nome da moça, uma morena de olhos claros com a maior cara de italiana.

Foi um jantar legal, embora a Lu não tenha gostado muito. Obviamente, o foco era nos vinhos, e não na comida. Como ela não bebe, fica meio sem graça. Mas tudo bem: o jantar saiu de graça pra Lu. No sábado passado, fui comprar uns vinhos na Expand do centro. O casal que é dono ou franqueador das lojas de Floripa estava atendendo - fica a dica: nos sábados é quando o atendimento é melhor nas lojas de vinho - e aí deram a letra do jantar desta sexta. Eu falei que era legal, e tal, mas que tinha que achar um parceiro ou parceira - fica o convite para eventos futuros. Candidatos, usem o espaço de comentários - porque a Lu não bebe. Aí o cara ofereceu uma cortesia para ela. Topamos.

Mas acho que perdi a parceira, porque serviram salmão cru com rúcula de entrada, uma massinha com camarão de segundo prato e um filé com purê de batata baroa como prato principal. Tirando o filé e a massa - o primeiro estava muito cru e o segundo sem gosto, na opinião da Lu - ela não gostou de mais nada. Para sobremesa, serviram um bolinho. Que a Lu obviamente odiou.

Mas os vinhos eram bons. O espumante eu já conhecia. Serviram o prosecco e um rosé muito gostoso. Já o tinto produzido pelo conde eu achei bem razoável. Mas o vinho de sobremesa, também da vinícola do tal conde, é um espetáculo. Não é pra menos: tá saindo por R$ 198,00 na Expand. Acabei comprando uma garrafa de um late harvest botritizado da Concha y Toro por bem menos que isso. Mais para fins de comparação. Como sugeriu o rapaz do atendimento: "Namore um pouco o vinho. Depois de um tempo, você vem e compra". Que comece a temporada de namoro!

[Ouvindo: Charlie Brown - Wynton & Ellis Marsalis - Joe Cool's Blues]

5 de dezembro de 2008

Mulher semáforo

O povo aqui da empresa se mata de rir com as minhas comparações. Dessa vez, ao responder a um comentário de uma colega que reclama de homens enrolados, que ficam cercando, cercando e não pegam ninguém, criei a idéia da mulher que parece um semáforo quebrado.

Explico: trata-se de uma garota que manda sinais aparentemente aleatórios para os caras. Num dia, sinal verde total. Ofuscante. Algo do tipo: "Vem em mim que eu tô facinha". Meia hora depois, vermelhão. Um "sai fora, vê se te enxerga". É hilário. Quem ainda sai à noite, vai pras baladas e tal - gente nova, não um coroa como eu - pode observar esse fenômeno. Aí fica o cara ali, parecendo um motorista chinês. Não sabe se vai, se fica, se arrisca, se disputa. É um jogo, claro. Mas bem que elas podiam colaborar e dar um manual com as regras para os meus colegas homens.

Dá gosto de trabalhar

Como muitos de vocês sabem, eu trabalho numa empresa de inteligência competitiva chamada Knowtec (o site está em reformulação. Fica pronto em janeiro). A sede é em Florianópolis, mas temos escritórios em Brasília, São Paulo e Seattle, nos EUA.

"Tá, e eu com isso", você deve estar pensando. Pensei em postar algo a respeito porque trabalhar na Knowtec tem uma implicação grande pra caramba na minha vida. Não só pelo fato de passar oito a dez horas na empresa, mas porque hoje eu faço muitas coisas não relacionadas ao trabalho por conta do modelo de valorização dos talentos humanos adotado pela empresa.

Por exemplo: duas vezes por semana eu pratico yoga. Temos um professor de yoga que vem até a empresa e dá aulas para duas turmas. Uma pela manhã, bem cedo, outra no final da tarde. É ótimo. Além de mexer e alongar o esqueleto, tira um pouco da tensão e do estresse de ocupar uma posição de liderança de projetos e equipes.

Além do yoga, eu fazia aulas de espanhol pagas integralmente pela Knowtec. Também in-company. Dois anos depois de começar a estudar consegui obter uma boa pontuação no exame de proficiência de espanhol do Instituto Cervantes, o DELE (Diploma de Español como Lengua Extrangera). Tem um povo que faz inglês, com forte ajuda de custo da empresa.

Depois do almoço, dá pra relaxar uns minutos jogando sinuca na sala de lazer, ou, quem preferir, pode aproveitar o Nintendo Wii ou deitar nas redes e pufes para tirar uma soneca. Pessoalmente, prefiro ligar minha guitarra ou o baixo e tocar com o pessoal no estúdio acusticamente isolado que temos aqui. A empresa bancou uma bateria acústica para o estúdio e dá pra se divertir de montão nesse espaço.

Além desses lances mais "divertidos" o pessoal do RH investiu bastante nesse ano em ações ligadas a saúde. Tivemos uma Semana da Saúde, com vacinação, exames de rotina, avaliação física e outras atividades. Nessa, infelizmente, eu estava viajando e não pude participar. O basicão, tipo exames periódicos obrigatórios, médico disponível semanalmente na empresa e ginástica laboral, também fazem parte das ações ligadas a saúde.

Essas coisinhas fazem com que o grupo trabalhe bem, comprometido, alegre, com níveis baixos de estresse e de forma bem integrada. A equipe é ótima. E aí tem o paradoxo Tostines: a equipe é ótima porque a empresa oferece as condições para isso ou a empresa tem esses benefícios em reconhecimento à qualidade da equipe? Não sei. Só sei que funciona bem.

27 de novembro de 2008

Mel e amêndoas

Nunca fui grande fã de mel. Amêndoas, até gosto. Mas a combinação dos dois em Julie é irresistível. Olhos de amêndoa, cabelo de mel. Para ficar ainda mais deliciosa, a pele da barriga é a de um pêssego maduro.

Conheci-a num desses lugares onde não se conhece ninguém, numa estação de metrô, numa fila de cinema, num cubículo de um setor onde não trabalho. Botei os olhos nela e pensei: taí uma pessoa interessante.

Um sorriso pra ela, um sorriso pra mim. Foi só o que precisou. Oi, meu nome é Jim. Oi, meu nome é Julie. Blá-blá-blá e deu. Se era para haver uma conexão, era ali que teria que nascer. E nasceu. E cresceu devagarinho, um, dois, cinco dias depois.

Primeiro um beijo tímido, um roçar de pele, roupas de verão. Depois, um beijo sôfrego, esfregar de sexos, nudez e suor. No dia seguinte, nenhuma palavra. Nada de e-mail, MSN ou Orkut. Telefone fora da área. Nem um sinal. Só uma saudade absurda de mel e amêndoas.

[Ouvindo: Stranger Things Have Happened - Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience and Grace]

23 de novembro de 2008

Thunder only happens when it's raining

Estava ouvindo Dreams, do Fleetwood Mac, o grande hit deles, e lembrei de postar sobre a chuvarada, mesmo que sem trovões, que castiga Florianópolis há dias, semanas meses.

As previsões continuam sombrias. Chuva pelo menos até terça-feira. Talvez uma pequena melhora na quarta e quinta. Torço para isso. Meus amigos que moram para o Norte da Ilha estão praticamente ilhados. Um desmoronamento no morro do Cacupé fechou a SC-401. Há suspeitas inclusive de que haja algum veículo sob o monte de terra e rochas.

Meu amigo Guilherme ligou há pouco dizendo que já há 200 desabrigados nas escolas de Canasvieiras e dizendo que faremos coleta de alimentos e roupas para os atingidos lá na empresa. Passei uma parte da noite ligando para quem eu tinha o telefone, mandando SMS e contatando pelo Skype e MSN para pedir que levem doações. Ainda bem que a tecnologia ajuda nessas horas.

[Ouvindo: Songbird - Fleetwood Mac - Rumours]

Novos blogs na lista

A lista de links aí ao lado conta com adições importantes. Coloquei hoje na lista os blogs do Nelson Abu, Guilherme Tossulino, Rafael Leite, Rafael Ziggy, Marcelo Santos, Marcus Rocha e Geisi Ana Ferla. São todos colegas de trabalho. Mas, mais que isso, grandes amigos. Vale a leitura.

[Ouvindo: Dreams - Fleetwood Mac - Rumours]

22 de novembro de 2008

Gostosa dá a volta ao mundo

Nada de pornô nesse post, só para ficarem avisados. É que o amigão Serginho, de quem comprei meu barco, o Gostosa, me deu uma dica legal ontem. A Volvo Ocean Race (VOR para os iniciados na vela), uma das mais complicadas regatas do circuito de vela mundial, tem uma versão para se jogar online. Inscrevi meu barco ontem, o Gostosa. Claro que largo atrás de todos os outros concorrentes, mas ainda assim estou curtindo a estratégia do jogo.

Obviamente, não é preciso trimar velas, ajustar a escora mais a proa ou popa ou regular a quilha. Basta escolher o rumo e as velas mais indicadas para cada tipo de vento. As trocas de carta de vento acontecem a cada 8 da manhã e da noite. Ou seja, pelo menos duas vezes por dia vou ajustar meu barquinho.

[Ouvindo: Goodbye Stranger - Supertramp - Breakfast in America]

21 de novembro de 2008

Qualidade de som

Nunca tive um fone de ouvido bom. Há muito tempo tive um honesto. Um Leson daqueles grandões, que cobrem a orelha inteira e têm controles de volume separado para cada canal. Faz tempo: o sucesso da época era Beat It, do Michael Jackson.

Pois hoje recebi um adaptador para ligar fones comuns, com pino do tipo P2, no meu celular HTC Touch. Eu uso ele bastante para escutar música e assistir filmes, especialmente nas longas horas de espera em aeroportos. Comprei pelo Mercado Livre. Assim que o embrulho chegou lá na empresa, decidi comprar um fone decente para usar no celular.

Fui no Floripa Shopping na hora do almoço e gastei uma graninha num fone da Philips com pontas de silicone e sistema de cancelamento de ruído. Estou usando ele agora, enquanto posto. Tem um grave excepcional, como nunca tinha ouvido num fone. Como as pontas de silicone entram mais fundo nas orelhas do que os fones comuns, não preciso colocar a música tão alto para ouvir bem. O sistema de cancelamento de ruídos também me economiza uns decibéis, já que reduz a barulheira do mundo lá fora. Agora estou equipado para ouvir boa música no avião.

19 de novembro de 2008

Brincando de ensinar

Nestas duas últimas semanas, andei dando uma de professor. Dei um seminário sobre inteligência competitiva para uma turma de pós-graduação em cenários e estratégias da Fepese, na UFSC. Para mim foi muito legal. Para os alunos... Bem, prefiro esperar a avaliação.

Hoje, comecei um curso interno de fotografia para o pessoal da minha empresa. Parte de nosso programa de gestão da informação e conhecimento. A julgar pelos rostos espantados no final da primeira aula, acho que não me fiz entender muito bem. Vá lá, é meio difícil entender os conceitos de controle da entrada de luz por velocidade e abertura.

E, roubada suprema, no sábado vou apresentar um seminário para uma turma de pós da Univali, em Itajaí. Sabadão, oito e meia. Brabo, mas ainda assim uma oportunidade de divulgar a marca Knowtec e, de lambuja, meu nome como profissional da área de inteligência competitiva. Como diz o título daquel livrinho do Calvin: os dias estão simplesmente lotados.

4 de novembro de 2008

Aeromoça estressada

Atenção bando de filhos da puta: mantenham seu rabos nos bancos e a porra dos cintos afivelados até a completa parada da aeronave. Tenham cuidado ao pegarem suas tralhas no compartimento superior porque a cacalhada pode ter bagunçado durante o vôo. Não esqueçam de porra nenhuma que vocês trouxeram a bordo, inclusive a desgraça desse telefone celular que vocês insistem em manter ligado.

Atention mother fuckers: keep your fat asses in your seats and the fucking seatbelts on until the aircraft comes to a complete stop. Be careful while collecting your junk from the overhead compartment because it could got all screwed up during the flight. Don't forget any shit you brought on board, including the stupid cell phone you refuse to turn off.

15 de outubro de 2008

Difícil

Ela sorria não sorrindo e ele brincava não brincando. Eram assim, meio-meio. Não sabiam ao certo o que estavam fazendo. Ele, jovem, até se entendia que não soubesse direito o que se passava. Já ela, vivida, casada, bem resolvida, estava perdida porque queria estar. Queria, a bem da verdade, se perder nele, em sua juventude.

Mas ele não queria tanto. Não era homem de ser perder por aí, especialmente por uma coroa. Enxuta, inteligente, charmosa, mas acima de tudo uma coroa. O lance dele era ser solteiro, jogar um charminho, brincar com elas como um gato brinca com novelos de lã.

Saíram para brincar um dia. Ela falou algo lisonjeiro e ele desviou.

- Tu é muito querida.

- Querida? Tu vive me dizendo isso. Eu sou mais que querida. Mereço mais, não acha?

- É um jeito de sair pela tangente, de contornar um elogio que não sei como reagir - desconversou, conversando.

- Você é mesmo meio esquivo.

- Esquivo como?

- Às vezes sento colada em você e nada. Nem um roçar mais malicioso, nada.

- Eu sei. Sou meio indelicado nesse ponto, não correspondo.

- É, tu tá é mandando uma mensagem pra mim: não flerta mais comigo, sua coroa.

- Não é isso. Nem considero flerte.

- Mas é.

A partir daí, o papo foi ficando mais sério. E ele se recusava a ceder. Ela, vivida, experiente, não entendia como é que poderia mandar sinais mais claros. E ele fazia que não entendia.

Para quem, como eu, olhava de fora, chegava a ser cômico. E um pouco triste. Fiquei um tempo acompanhando o desenrolar da situação, até que o bar foi enchendo, o barulho encobrindo as conversas e me restou apenas a linguagem corporal para acompanhar.

Ele se fazendo de difícil, ela não entendendo quão difícil era. Mas aparentemente, as coisas deram certo. Saíram juntos, meio abraçados - ela enlaçada nele, ele com as mãos nos bolsos. Sorrindo e comentando trivialidades ao passar pela minha mesa. Entraram no mesmo carro trazido pelo manobrista e partiram. Espero que para um final feliz, num motel qualquer numa rodovia próxima.

7 de outubro de 2008

Relatividade

Em Fortaleza por dois dias me ocorreu uma idéia. Se um casal de pessoas lindas de Praga caísse aqui, seria considerado bonito? E se um casal tipicamente cearense caísse em Praga, seria considerado feio? A beleza é relativa? Não cheguei, obviamente, a uma resposta. Mas aqui, capital do Ceará, é o lugar para se pensar em beleza.

Há mulheres com corpos perfeitos nas ruas. Magras, barrigas lisas, mas com feições bem poucos agradáveis aos meus olhos sulistas. Ontem fui ao tal Bar do Pirata, da Praia de Iracema, depois do trabalho. Povinho bem feio. E dizem que é frequentado principalmente por turistas. Ainda assim...

Não quero ser chato, mas não vejo a hora de chegar ao Rio. Conheci muita gente boa aqui em Fortaleza e fui muito bem recebido pelos colegas de trabalho e nos lugares onde estive. Mas no Rio - violento, perigoso, engarrafado, poluído - ainda estou mais casa do que aqui. E mais perto de casa também.

1 de outubro de 2008

Parágrafo de idéias

Lâmpada para escurecer, sapato de dormir, óculos de chuva, bolinho de pipoca, copo de gelatina, arroz de chocolate, mamadeira de vinho, bloco de notas de plástico, DVD comestível, relógio de braço.